TELECTU - DIGITAL BUIÇA (1990)



Telectu é o projeto de Jorge Lima Barreto e Vítor Rua que, tanto quanto sei, existiu entre finais da década de 1980 até a morte daquele em 2011. O seu nome provem de um poema de Melo e Castro e são um duo - ou um trio consoante se considere a intervenção de António Palolo - de “avant-garde”, eletrónica experimental e que percorre os terrenos do Jazz, Free Jazz, Rock e Dub. Mais uma vez, foi através da Ama Romanta, que os conheci e que levaram aos concertos no Meia-Cave, Aniki Bobo e Labirinto na década de noventa do século passado. Foi também nessa altura que comprei, de um colega no Colégio dos Carvalhos, o 12”” Digital Buiça e que guardo, religiosamente, desde essa altura. Esta emoldurado e ocupa um lugar de destaque na minha sala. A importância do disco não está relacionado com a raridade do mesmo, que efetivamente tem, mas com o facto de ser mais uma exploração sonora que envolve diversas áreas criativas. Só assim se percebe a colaboração, que ocorreu durante décadas, com o poeta e ensaísta Melo e Castro que, neste caso, assina a arte na capa. Este é um daqueles casos em que o disco, enquanto suporte físico, é uma verdadeira obra de arte. O disco foi uma das edições da Tragic Figures - editora baseada no Porto - que começou a editar cassetes e uma fanzine - Vertigo - ligada à música industrial e dark wave. P.S.: Júlio Isidro também os ajudou a crescer e, da parte do José Pedro Gomes e Herman José, receberam a justa homenagem com as 4 estações



RUY MINGAS - TEMAS ANGOLANOS (1973)

Hoje estive a arrumar alguns discos para levar para a Louie Louie. Entre eles, diversos 7"" do Ruy Mingas que fui coleccionado ao longo de décadas. Não sou grande fá do ex-ministro da cultura angolano. Prefiro Teta Lando, Duo Ouro Negro, entre outros. Mas ficou sempre este disco. É mais uma herança paternal que, por muito que quisesse, não o consigo deixar ir. Ficará, mais uns anos, junto com os outros discos que ganharam o direito de permanecer em minha casa. 
Deixo aqui uma dos temas mais populares dele, Poema da Farra, que mistura jazz com música angolana e brasileira.

ASTERIX (2017)

“Asterix e a Transitálica” é a nova aventura dos intrépidos gauleses que nos leva a uma corrida de carros entre Modica (Monza) e Neapolis (Nápoles). Portugal marca presença com os pilotos “Pataquès” e “Solilès” traduzido, respectivamente, pelos Lusitanos “Àsduasportrês” - visível com a sua baixa estatura, moreno e de bigode - e “Biscatês” - a reparar o carro em forma de sardinha que está sempre empenado. Astérix e Obélix - que finalmente ascende a categoria de piloto - ganham a corrida mas não recebem o troféu que acaba nas mãos do “Àsduasportrês”. Usando uma curiosa frase de Júlio Cortázar sobre a Mafalda, em 1973, pouco importa o que penso de Asterix, interessa me o que ele pensa de nós (portugueses). Continuamos de baixa estatura, morenos, de bigode farto, sempre a desenrascar perante as dificuldades do dia a dia mas, ao contrário do passado, agora somos vistos como resilientes e perseverantes. Curiosa a recomendação do “Biscatês” ao pedir o equivalente da taça em dinheiro. Será que, por causa dos apoios comunitários, os europeus já só nos vêem de mão estendida?

MISSIONS (2017)

"Missions" de Julien Lacombe é uma verdadeira revelação no panorama da ficção cientifica francesa. Uma obra muito bem estruturada, e que, nesta sua primeira temporada, consegue ser uma das mais interessantes histórias sob a exploração de Marte que vi nos últimos anos. Espero que a entrada dos americanos no financiamento da segunda temporada não afastem a pureza do tema que escolheram para guiar estes astronautas: qual a nossa origem. Verdadeiramente merecedora de aplauso, respeita, integralmente, aquela que é a tradição filosófica deste género de nos colocar, em outros mundos, a pensar sob a nossa natureza. Para quem, como eu, adorou os filmes Contacto (1997), Arrival (2016) ou Interstellar (2014), não percam estes 10 episódios de 25 minutos cada. 

JÚLIO RESENDE - 1917 - 2017

Hoje celebra-se o centenário do nascimento de Júlio Resende. Nasceu no Porto, viveu pelo mundo mas foi em Gondomar, junto ao Rio Douro, que criou, em 1993, a Fundação Lugar do Desenho. Um dos grandes pintores contemporâneos foi também ilustrador e cartoonista no Jornal de Noticias na década de 30 do século passado. 

SAMUEL ÚRIA - TEIMOSO (2008)



"Eu nunca fui do prog-rock, Eu já nasci depois do prec, Tarde demais para o proto-punk, 
Branco demais para ser do rap.", Teimoso, Samuel Úria, "Em Bruto", 2008.

BLACK SABBATH (1975)

"Woman, child of love's creation, come and step inside my dreams
In your eyes I see no sadness, you are all that loving means
Take my hand and we'll go riding through the sunshine from above
We'll find happiness together in the summer skies of love", Sympton of the Universe, Sabotage, 1975

QOSTA - FORTESS (2017)

"Every fortress falls
It is not the end
It ain't if you fall
But how you rise that says who you really are
So get up and come through", FortessQOSTA, Villains, 2017.