RETALHOS DE UMA PASSAGEM D'ANO (2008/2009)

Sai do Porto, no dia 31 de Dezembro de 2008, devia ser por volta das 15h. 

Estava acordado desde as 07h, tive uma manha de trabalho intenso em Gondomar, consegui ir buscar o meu carro a Matosinhos e rumei, com o meu camarada de armas, Pedro, para a terra prometida.
Bem... Terra prometida, salvo seja, foi mais para a festa prometida.
O carro estava carregado de pranchas, malas, encomendas, a “Reef” (cadela do Pedro) e nós os dois. Em vez de irmos directos a casa, fomos directo à festa. A viagem foi calminha. Uns bons croissants mistos, rissóis, fruta e bolachas, que a mãe do Pedro preparou para enganar a fome, boa música –Joe Beats, NBC, Dave Pike Set, etc- e muita, mas muita conversa, fez com que uma viagem de horas transformasse em breves minutos. 
Chegamos ao Monte da Raposeira, por volta das 21h. Há alguns anos que diversos amigos, e conhecidos, foram de armas e bagagens para a zona de Lagos. Fixaram-se na Vila do Bispo, em Sagres ou Aljezur. 
O tempo quente, as festas, a bucólica paisagem da Costa Vicentina e, acima de tudo, ondas de primeira qualidade, foram as razões encontradas para tal decisão. Dois desses meus amigos, o Miguel Ferreira e o Hugo Taipa, criaram a “Good Feeling uma casa cheia de boas vibrações, pessoas amigas, boas recordações, e, alguma, festa na Vila do Bispo.
Estavam perto de cinquenta pessoas dentro de casa, com aparelhagem de som improvisada, luzes, cães, comida –grande entrecosto- vinho, cerveja, etc., etc. Os condimentos necessários para umas boas horas. Eu parecia um zombie, de tal cansado que estava. Mas, passado algumas horas, com a animação, e algo mais, já estava tudo de pernas para o ar, espumante a escorrer pelas paredes, garrafas de vinho vazias no meio da sala, grades de cerveja completamente vazias, pessoal a dançar feitos loucos ao som dos grandes êxitos dos anos oitenta e noventa ... Bem, estava tudo torto. Foi bom encontrar velhos amigos, conhecer novas pessoas, curtir um som “maneiro” e divertir-me. Era isso mesmo que o médico tinha mandado.
As 03h00 pedi ao Pedro para irmos para casa. Fizemos, ou melhor, o Pedro fez, a viagem do Monte da Raposeira até Aljezur. Quase 40 minutos de automóvel. Pelo caminho, completamente alucinados, berrávamos, em loop, a letra do “King of the Road” dos Fu Manchu. Até hoje, no meu ouvido, surge em volume máximo a frase “King of the Road says you move to slow”.
Paramos no “L-Colesterol – Aljezur”, para, como diria o Pedro, queimar os últimos cartuchos. Não sei ao que ele se referia. Não íamos queimar os últimos cartuchos. Nos estávamos completamente carregados e prontos a disparar. A festa estava animada, com algumas dezenas de pessoas, dentro e fora do restaurante. Não faço a mínima ideia de quanto tempo estivemos lá dentro. Lembro, muito vagamente, de ter pedido duas garrafas de aguas –má escolha- de ter encontrado o meu primo Paulo, o Bruno e algumas amigas do Pedro. Sei que a certa altura, fui para o carro e adormeci. E mais não digo. 
Chegamos a casa, já deveriam ser por volta das 06h. Acordei eram 14 da tarde. Com uma sede imensa (bebemos pouca água durante a noite e como tal estávamos desidratados) a primeira coisa que a minha cabeça se lembra é do “Abracadabra” do Steve Miller. Sim ... Sim… “Abracadabra… I´m Gonna Reach and Grab ya”. Ouço uma voz gutural, que vinha da parte de cima da casa e que dizia, “È pá, oh Rafa, essa não ...”. 
Para que os nossos leitores entendam como certas músicas, mesmo que sejam más, pirosas ou sem qualidade, podem marcar a nossa vida para todo o sempre. 
Durante estes dias, não mais falaríamos de outra coisa, não mais queríamos ouvir outra música que não fosse o Steve Miller Band. 
E gostaríamos de ouvir essa música no “Acolá no Schiffre”. 
Bem... ainda tentamos ir surfar. Mas sem hipótese. Estávamos muito cansados.
Chovia torrencialmente, fomos passear a Reef, continuávamos na conversa, fizemos o jantar em casa e fomos dar uma volta pelo centro de Aljezur. 
Nessa volta o Pedro conta sobre projectos de amigos, das novidades da cidade, etc.
Nota-se o amor que este rapaz tem pelo municipio e como é bom ficar na conversa, nem que seja pelas coisas mais idiotas que se possam imaginar, como por exemplo, “Acolá no Schiffre”.
Duas vielas abaixo da casa do Pedro, vive a Mariana, e até Sábado, viveria a Ana.
A Mariana fez 27 anos de idade, no dia 02 de Dezembro. Meia-noite, lá estávamos a cantar os parabéns (bolo de chocolate caseiro com fósforos em vez de velas, tudo preparado com muito carinho) com o Pedro, a Ana, o Bruno, a Inês e o Pupa (labrador preto que estava lá por empréstimo).
Estivemos na conversa, mas o cansaço (sempre o cansaço) obrigou a recolher cedo.
As miúdas foram excelentes. Emprestaram um edredão para que passasse uma noite mais quentinho.
O Pedro tinha de ir trabalhar, pelo que, as meninas de Aljezur acolheram me e andei com elas por todo o lado.
Na manha seguinte, saímos de casa, eu e o Bruno, no meu carro, e a Ana, Inês e a Mariana numa carrinha Citroén. Perdidos, pela falta de condições de surf, fomos da Arrifana à Costa Sul.
Ligo ao Miguel, que marca comigo, dentro de alguns minutos, no Miradouro do Castelejo.
Devo confessar que vou para a Costa Vincentina, há alguns anos, e, até esse dia, não conhecia o Miradouro do Castelejo. Situado num alto de um monte, com uma paisagem brutal, podemos ver o perímetro florestal de Vila do Bispo, a panorâmica da costa e a Torre de Aspa, próxima da Praia do Castelejo.
Enquanto os nossos amigos da “Good Feeling” foram para Ponta Ruiva, nos decidimos ir para a Praia do Castelejo. Direitas à descrição, bom canal para atravessar, pouco agressivo e com alguma piada. Bem... estava tudo cheio de fome de ondas e, com o avançar do tempo, já todo eu era um sorriso. 

Tinha levantando o mau astral das minhas costas e estava feliz.
Chovia, mas o sol apareceu, o mar ficou verde-claro, o tempo estava “quente” e a natureza brindou com um arco-íris lindo.
Enquanto a Inês ficava em terra a tirar fotos, eu, o Bruno, a Ana e a Mariana íamos comendo ondas... Saímos, já perto das 16h, e um “bife”, bateu no meu retrovisor na subida da praia.
O meu lindo carro preto, naquele momento castanho e branco da lama, sofria o seu primeiro revés em terras algarvias.
Como o gajo não sabia dizer outra coisa que não fosse “no liabilty”, e eu estava relaxado mas não ao ponto de o deixar fugir, lá o convenci a fazer uma participação amigável.
Andemos” ... Paramos na Vila do Bispo, para umas tostas mistas, uns telefonemas, uns cigarros, umas meias de leite, uns chazinhos, batatas fritas e muita conversa.
Estava tudo relaxado.
Logo a noite havia festa novamente. A Mariana combinou um jantar no Pizza Plaza, em Pedralva, mas ao último minuto alterou para o “Good Feeling” com o "Pizza Mobile".
Fomos para casa, prometi que iria tomar um banho e depois ia ter com eles. A idade não perdoa. Tomei um banho, larguei a “reef” no mundo e adormeci na cama do Pedro.
Acordei quando uma buzina, do carro da Mariana, trespassou os meus ouvidos, já eram 19h.
Banho tomado, roupa lavada, vamos preparar a festa de hoje à noite. Uma coisa calminha.
O Bruno e a Inês foram com o meu primo Paulo, e a namorada dele Mariana, no seu Nissan Blue Bird de 1900 e troca o passo.
Fui com Mariana e com Ana. Entre curvas, velocidade, garrafas de vinho e um bolo de aniversário, que quase sucumbia no meu colo, conversa e risos, houve espaço para ouvir Rui Vargas na Antena 3. 

Atolados com meia (?) dúzia de minis, umas garrafitas de vinho tinto, e branco, e toda a pizza que pudesses comer, estávamos já em Vila do Bispo, na “Good Feeling”.
As pizzas rolavam, voavam e eram comidas por uma cambada de doidos mortos de fome.

Oh Amuras, esta não é para ti. Tem calma que já te trago mais uma...” dizia o Miguel cada vez que passava pela cozinha. Começamos a encher o bandulho. 
É ai que surge a frase da noite... “Madame Marie”! Descobrimos que em Aljezur existe uma pseudo cartomante, vidente, que através de poções e feitiços faz sessões espíritas e conjura demónios !!!
Os miúdos da “Good Feeling” já tinham preparado a discoteca ambulante nos anexos da casa. 
Já se ouvia o “Nunca me deixes dos “Da Weasel”. 
Partimos para Aljezur, pois o Pedro trabalhava e eu queria surfar cedo.
Partimos mas ... Sem antes levar umas minis e duas pizzas para o pequeno-almoço... “Oh Barata, leva comida para casa senão esse gajo passa fome”, berrava o Miguel na marquise da casa.
O Pedro foi dormir.
Fui para casa da meninas de Aljezur. Ficamos acordados mais um pouco. 
Consegui ter uma conversa interessante com a Ana –obrigado pelo chá de manga, fez maravilhas- ouvir as conversas psicadélicas da Mariana e do Bruno, fazer trinta por uma linha com a maquina fotográfica da Inês –que paciência tu tens mulher- brincar com o Pupa e combinar a surfada pela manha.
Bem... Eu, a Inês e a Ana fomos dormir.
O Bruno e a Mariana não. Pelos vistos havia umas garrafas de “Periquita” e umas fatias de pizza, carregadas de orégãos, para serem consumidas.

As fotos e os vídeos, que vi no dia seguinte, revelaram uma noite muito animada. 
As 09h.30 chovia torrencialmente, trovejava e estava frio. 
O Pedro ia trabalhar o dia todo. 
Eu queria ir surfar. 
Depois de um café, eu e a Ana saímos de Aljezur para ir surfar. 
Quando me lembro de ver a cara do Bruno ao acordar. Coitado. Parece que tinha apanhado com um tractor. Lembrei da “Tractor” dos Monster Magnet “Got as nail in my head and I know that I´m gone When I´m driving the tractor on the drug farm”.
Ficou combinado os meninos levantarem se com calma, comerem, tomarem uma aspirina para as dores de cabeça –o vento em Aljezur é terrível e faz logo constipações. 
Pranchas em cima da viatura e rumei com a Ana para Arrifana, Castelejo, Igrina e finalmente Zavial. 
Entre conversas sobre música, medicina, direito e amigos em comum, descobri que também gostava de rádio e recordamos a “Boxx” -grão a grão, apanha a galinha uma congestão (dito com pronuncia do Norte). 
Todo o mundo no Zavial. Entramos as 12 e saímos por volta das 14. 
Uma boa hora de almoço. Ondas manhosas, direitas escondidas pela colina, um chapelinho... deu para matar a fome. 
O que interessa é que estava dentro de água, estava um pouco de sol, o “Crowd” não me chateava minimamente e dentro da minha cabeça só ouvia os “The Sunrays”, com a "I Live For The Sun”. 
Terminamos o dia na Arrifana, a comer sopa de peixe, tostas de manteiga e a olhar para o Kangooro que começava a dar ares da sua graça.
Tive de vir embora...Despedi me do Pedro, com aquele abraço, do Bruno, da Mariana, da Ana e da Inês. 
Quando estava de regresso, por volta de Fátima, onde chovia torrencialmente, já estava a ficar com o “No Aljezur Blues!”. 
Isto foi um pequeno resumo.
Escrevi isto de assentada, já estou cansado. É tarde. Tenho de trabalhar amanha. 
Desculpem se há erros de ortografia ou se esqueci de algo ou de alguém. Não foi minha intenção. Hasta ma friends!

3 comentários:

Freekowtski disse...

Só um comentário negativo depois de ler este testamento: nunca se diz a idade de uma senhora.

Zogt Marco disse...

ehehe. eu pensei nisso. mas posso dizer. a mariana, na festa de aniversário disse que nao tinha problemas com isso.

Bruno disse...

Só te digo ainda bem q n te passamos as fotos! Estou a brincar!... Entramos bem no ano de 2009, cheios de vibrações positivas! ;)