DOOM LETTERS

Carta ao meu irmão Miguel sobre “Doom”: Não é difícil distinguir “Doom”, “Drone” ou “Stoner”. Não vejo grande utilidade pois, na minha humilde opinião, todos eles derivam de um só momento, os primeiros álbuns dos “Black Sabbath” e “Pentagram”, que, após filtrados, resultam numa sonoridade pesada, lânguida e tenebrosa. Um pequeno aparte. Não vou perder muito tempo a falar de “Stoner” pois tu já conheces. Não obstante, ficas aqui com o meu álbum favorito dos “Kyuss”. O psicadélico, e pesadão, “Welcome to Sky Valley”. Este seria o meu concerto de sonho: De noite, no meio do deserto, luzes de “pick ups”, “Buggys” e uma grande fogueira. Em frente os poderosos “Kyuss” - alimentados com um gerador eléctrico e mescalina- a servir a “Scupa Scoop & Mighty Scoop”. Nessa altura só te restaria uma saída, abanar a cabeça em respeito e deixar os “Riffs” do “Josh Homme” e a voz do “John Garcia” fazer efeito. Voltando ao “Doom”. Quem, pela primeira vez, e apenas na década de oitenta, fez o tal filtro foi o lendário “Robert Scott “Wino” Weinrich” com os “Saint Vitus”, “Obsessed” e, ainda há pouco tempo, com a “Emerald Law” no projecto “Probot” do Dave Grohl. Na década de noventa surgem os “Earth” cujo legado musical é estabelecido pelos “Sunn 0)))”. Estes desenvolvem o que ficaria apelidado de “Drone Doom”. Há um pequeno post no meu blog sobre “Drone” que podes consultar. Os “Earth” deram outra visão sobre o fenómeno do Metal. Nunca senti algo tão pesado mas ao mesmo tempo tão aberto, contemplativo e … Bonito. Como se uma visão de desolação, dor, negritude e medo conseguisse levar a um sítio, calmo e pacífico. Há uns tempos fui correr. Um final de tarde. A noite quase a cair e, em ambos os lados, tens a Ria, escura e lenta. O vento sopra nos canaviais, pontes semi destruídas e carcaças de pequenas embarcações fazem o teu horizonte. Há pequenos morcegos, mosquitos e aves a rondar. A lama e a terra estão debaixo dos teus pés e tu corres a ouvir a “Land of Some Other Order”. Perfeito! Há blogs que se especializam em apenas um dos estilos mas a maioria acaba por misturar os três. E isto porque quem cresceu a ouvir os “Black Sabbath” dificilmente consegue dizer, não gosto de “Doom”, ou não gosto de “Stoner” ou de “Drone”. Além disso há características que juntam os três estilos, ritmos em andamento lento, pesados com acordes reduzidos, músicas com alguma duração, atmosferas sombrias, pesadas e soturnas (excepção para as bandas “stoner” normalmente mais ligadas ao psicadelismo, drogas e temas cósmicos). As bandas que gravei não são bandas que referi, com excepção dos “Earth” e dos “Kyuss”, mas são as que, no meu ponto de vista, acabam por misturar um pouco de todos este sub géneros que são derivados dos “Black Sabbath”. Assim, aqui deixo: “Kyuss”, “Earth”, “Sasquatch”, “Electric Wizard”, “Eternal Elysium”, “Ufomammut”, “Ultraphallus”, “Sleep” e “Zoroaster”. Espero que gostes. Abraço. Rafael. Dezembro de 2009.

Sem comentários: