GRITO FINAL

E depois do holocausto… O Grito Final!” 
Porque escrever sobre os Grito Final
Esta foi a pergunta que alguns amigos fizeram. Afinal, não são mais do que uma banda Punk dos anos oitenta que deixaram duas músicas gravadas na colectânea da Ama Romanta, Divergências, e um ensaio, sobre a forma de Demo tape, no distante ano de 1986. 
Não pretendo fazer uma investigação profunda sobre o fenómeno Punk em Portugal, nem um laudo aos Grito Final como a banda que podia ter sido. 
Estávamos no inicio da década de noventa e era um puto com 15 anos. Como milhares de miúdos, era devoto dos Dead Kennedys, Black Flag e Minor Threat, e tentava fugir para ver concertos dos X-Acto, Inkisição e, quando queria ser mais radical, Gangrena. 
Nessa altura alguém terá gravado uma k7 com a colectânea Divergências. 
Ouve os Grito Final. Vais gostar.”dizia ele. Tinham um som menos agressivo e com uma base rítmica mais forte típico de algumas bandas  que anos mais tarde vim a ouvir. Corri a cassete toda até ouvir o baixo inicial do Ser Soldado. 
Peguei noutra cassete e gravei as músicas Ser Soldado/Bairro da Fome, juntamente com os X-Acto (Metes-me Nojo), Inkisição (Porcos Fascistas), Censurados (Animais), Peste & Sida (Veneno), Vomito (Sou Só Mais Um), entre outras que não recordo. 
Foi a minha cassete de eleição durante os meses seguintes. 
Banda sonora de viagens de comboio para Coimbra, Povoa de Varzim, Lisboa ou Porto. Musicas que se ouviam, e partilhavam, no walkman em tardes de Surf em Cortegaça.
Os Grito Final representavam aquilo que sentia na altura. Revolta. Alguma consciência social (fui educado pelo meu pai, não a força do chinelo, mas do José Mário Branco, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, entre outros). Respeito pelo meio ambiente, pelas minorias e pelos animais (cheguei a participar numa manifestação Anti - Touradas em Espinho). 
Mas, acima de tudo, os Grito Final eram um pequeno tesouro que os meus amigos não conheciam. 
Sei que era um sentimento egoísta mas, como qualquer fanático de uma banda, eles eram “meus”… Nessa altura era um puto formatado. Tudo o que não viesse com a sigla Punk, Anarquia, Caos ou Revolta, não gostava. Era um bocadinho limitado. 
Depois de muitos meses decidi voltar à Divergências. Queria ver se existia mais alguma banda com o som parecido. 
Tenho de fazer aqui uma pequena nota. A Divergências é o resultado da convergência de vontades de 14 bandas portuguesas, e alguns músicos individuais, que, como se de uma cooperativa se tratasse, criaram um duplo LP, em 1986, de forma a produzir e divulgar música sem restrições. 
João Gobern, no extinto jornal “Sete”, reconhecia o disco, e as bandas que nele interviram, como uma ruptura contra o império radiofónico estabelecido, o “top-disco”, as linhas editoriais que esquecem a música portuguesa, referindo-se a mesma como “… um titulo e um exemplo dos novos caminhos da música portuguesa. Mas é também um ponto de partida para uma reflexão sobre o que é e para onde vai a música “de todos nós”…”. Quanto a mim, se não fossem os Grito Final não teria voltado à Divergências. 
Não saberia o que era a Ama Romanta e talvez não tivesse chegado aos Pop dell Arte, Santa Maria Gasolina em Seu Ventre ou Mão Morta. Tal como uma qualquer abelhinha trabalhadora, comecei a investigar de onde vinha o som daquelas bandas. 
Comecei a ouvir Pixies, Joy Division, Sonic Youth, Fall, Beastie Boys, entre muitos outros. Escavei mais fundo e descobri Neil Young. 
Entendi o fenómeno Grunge e aprendi a respeitar e a gostar de música electrónica. 
A minha mente estava receptiva a toda uma infinidade de realidades musicais diversas daquelas que estava habituado a ouvir. 
Por isso é que os Grito Final foram importantes para mim. Fizeram parte do meu imaginário Punk mas foram a porta de entrada para todo um novo universo musical. Este é o primeiro de alguns artigos que gostaria de escrever sobre os Grito Final. 
Tenho recolhido algum material e tentei entrar em contacto com os membros sobreviventes da banda de forma a poder fazer algo factualmente correcto. 
Vamos esperar por novos capítulos. 
Espero que tenham gostado. 

5 comentários:

Billy disse...

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Parabéns pelo texto, traz boas recordações e memórias que não devem ficar perdidas...

O som dos Grito Final cativou de imediato muita gente...

1 abraço!!!!!!!!!!!!


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disse...

Ao por o nome de gritofinal em meu blog jamais pensei que pudesse existir uma banda com esse nome, achei bem bacana descubrir isso (vivendo e aprendendo, rss) e da importancia que ela teve em suas influencias musicais. Irei procurar por musicas deles para baixar, realmente me despertou o interesse!

Anónimo disse...

http://www.mediafire.com/?m4jgfnzuraz

"E depois do holocausto... Os "Grito Final""

Anónimo disse...

Como irmão do Luis (Vovalista) um grande obrigado tambem a todos que junto dos "grito Final" Gritavam contra as injustiças. V.C.

Rafael Amorim disse...

Ao irmão do "Human", se puderes, entra em contacto. Gostaria imenso de falar com algum dos membros da banda. O meu email é rafael.amorim@iol.pt abraço