LEMMY KILMISTER - WHITE LINE FEVER


“White Line Fever”, editado em 2004, pela Simon & Shuster UK Ltd, foi, sem qualquer margem de dúvida, um dos livros que mais prazer tive a ler nos últimos tempos.
Esta biografia do Lemmy, escrita em discurso directo, é empolgante, divertida e estimulante (nem podia ser de outra forma pois falamos de um “Speedfreak”).
Numa entrevista a um canal alemão quando lhe perguntaram qual a opinião que tinha sobre este livro, responde, que depois de o ler pensou como era impressionante ainda estar vivo!
Todavia, sabe a pouco.
Para alguém com o historial de vida dele, deve haver mais... Muito mais.
Concertos, drogas, mulheres, filmes, publicidade, jogos de computador, fama, um concerto de homenagem pelo seu 50.º aniversário feito pelos “Metallica”, a sua cruzada contra o consumo de heroína, o fascínio pela II Guerra Mundial, problemas com editoras, e, pelos vistos, uma possível nomeação como “Sir” por parte da Família Real Inglesa… 
Esta é a vida de Lemmy Kilmister. 
A maioria dos músicos da sua idade, e que atingiram um patamar de reconhecimento mundial, andam a mastigar material como pastilha elástica e não lançaram nos últimos cinco anos tanto álbuns e tanto material como os “Motorhead” (quando é que os “Stones” gravaram o último álbum? E continuam a pagar 75€ pelo bilhetinho? E o burro sou eu…), tornaram – se maníacos da saúde, com a comida saudável, sem tabaco ou drogas (Oh “Ozzy”... O que andas a fazer?!?),  passeiam-se nos seus jactos particular (será que os “Maiden” deixam o “Eddie” ir no “cockpit”!), andam a comer modelos com idade para serem bisnetas (acham que eu ia deixar passar o João “Cabeleira” incólume!).
Levam vidas confortáveis.
De hotel de cinco estrelas em hotel de cinco estrelas (já não se destroem quartos como antigamente!). 
Mas… O Lemmy… O que anda a fazer? 
A actuar... A agenda de concertos dos “Motorhead” é impressionante. 
A ouvir coisas novas… Embora, as vezes, mais valia estar quieto a ouvir os zumbidos dentro da cabeça dele. Se for para vir dizer, como em 2005, que os “Evanescence” foram a banda de metal que ele mais ouviu! 
A escrever... Não vou perder tempo, porque ele não o faz no livro, a dizer que é um excelente compositor. 
Para quem possa pensar que o Lemmy é apenas um “Beer Drinker & Hell Raiser” tenham em mente que a “1916”, do álbum com o mesmo nome, é utilizada como hino de uma organização governamental britânica.
Já ouviram, de um dos álbuns mais recentes deles, de 2004, a música “In the Year of the Wolf”?
O que mais me marcou no Lemmy, e que se nota desde os “Hawkwind”, é a simplicidade, naturalidade e crueza com que cria as suas músicas. 
As letras são simples, cruas, honestas e directas. Não há compromisso. 
Quando lerem o livro vão reparar que isso é um reflexo da vida dele. E isso, na música e na arte é para mim uma das características mais importante que um criador deve ter. 
É esta honestidade que ouço nele e nos seus concertos. 
Há alguns anos ouvi um concerto dos “Motorhead”, não consigo identificar qual, e nunca mais esqueci desta frase de introdução: 
Boa Noite. Nos somos os Motorhead e tocamos Rock & Roll! 
Aproveito para referir que durante a próxima edição do “South by Southwest”, em Março de 2010, vai estrear um filme sobre a vida do Lemmy. Se for tão bom como este livro então fico à espera de umas horas de valente diversão. 
Dentro em breve irei colocar uma sessão do Estereopositivo com músicas dos “Motorhead”. Espero que gostem do livro.

1 comentário:

BRESLAU disse...

Valeu pelo toque! Vou comprar rapidinho!

Abraço do BRESLAU!