ANTENA VERDE - COASWATCH




A campanha “CoastWatch” pretende auxiliar a preservação do litoral, compreender o impacte das alterações climáticas e sensibilizar a população para a importância da participação pública. Por esse motivo, entre Vila Real de Santo António e Caminha, foram várias as centenas de pessoas que percorreram a costa litoral portuguesa. No passado Domingo, dia 21 de Fevereiro, entre as 10 e as 13 horas, os “Amigos do Caster”, juntaram-se, como tem sido habito, a essa iniciativa e percorreram 5 km da Orla Costeira entre a Praia do Furadouro e a Praia do Torrão de Lameiro (vulgarmente conhecida como a Praia dos Marretas). Entre os participantes sentiu-se a vontade do contacto com a natureza. Fazer um passeio pela costa, sentir o cheiro do mar, o vento, observar aves e aproveitar alguns raios de sol que se fizeram sentir. Estes momentos de convívio e interacção com a natureza, trazem paz de espírito a quem deles desfruta e fazem sentir o quão importante é o meio ambiente. Foram preenchidos 10 questionários com informações detalhadas sobre unidades de 500 metros de largura paralela à linha da costa. O percurso foi feito a pé, em período de meia maré, com o auxílio de três equipas que, de forma a recolher o maior número de informações, examinaram o areal, as dunas e a linha do mar. Pretendia-se com isto obter elementos sobre o tipo da costa (rochosa ou não rochosa); da existência de descargas líquidas no mar; da largura da zona supratidal (zona coberta pela água do mar na época de marés vivas) e da zona interdital (limite mínimo e máximo das marés). Mas, o principal interesse desta campanha prende-se com a percepção do risco de erosão (foram analisados factores como a artificialização da costa, extracção de inertes, pressão turística, uso e ocupação do solo) e da existência de resíduos nas várias zonas da costa. Como é hábito neste espaço, temos alertado para os perigos da erosão costeira enquanto fenómeno actual e agressivo. Ao longo deste percurso foram observados sinais de deslizamento de terrenos, galgamento do mar, alterações provocadas por pressão turística excessiva, zonas de estacionamento injustificadas, perda de qualidade ambiental e excesso de edificações. Neste ponto, e embora não tenha sido alvo da nossa observação, continuamos a alertar para a evolução da degradação da costa na zona do aterro de Maceda. Esperamos que as autoridades estejam atentas a esta questão e assim seja evitado um desastre ambiental. Se é certo que a praia do Furadouro encontra-se altamente artificializada mercê de um projecto de desenvolvimento turístico não sustentável, a restante extensão de praia ainda mantém algum do seu encanto natural e selvagem. Todavia, a poluição é constante, especialmente nos blocos imediatamente seguintes ao final da Praia do Furadouro. Constatou-se a existência de diversos resíduos (cuja quantidade média era superior a 100 unidades por 500m) de plástico, metal, vidro e papel; de material tóxico, eléctrico, hospitalar e de restos de embarcações, vestuário e material de pesca. Os detritos de plástico são extremamente nocivos. Estudos recentes alertam para um fenómeno de acumulação deste lixo em diversas zonas dos Oceanos Atlântico e Pacifico. Não é biodegradável, altera a flora, o relevo subaquático e é consumido por diversos organismos marinhos com um efeito nefasto no ecossistema. Por fim, e com um sinal de elevada tristeza, registamos a existência de um cadáver de uma tartaruga gigante, com mais de um metro e meio de largura, que envolto numa rede de pesca jazia no areal no inicio da Praia do Torrão de Lameiro. Fim lamentável, mas não invulgar, para uma das mais dóceis criaturas da natureza. Para ouvir o espaço Antena Verde carreguem aqui .

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