TWO WHITE MONSTERS AROUND A ROUND TABLE

Há muito que queria escrever algo sobre o João Filipe (1). Paradigma do músico corajoso, que ensaia constantemente, tem uma agenda de concertos invejável e luta todos os dias para conseguir fazer o que gosta. Exemplo disso é um dos seus mais recentes projectos, com apenas 8 meses de existência, os Two White Monsters around a Round Table (Two White Monsters). Foi sobre eles que decidi falar um pouco, a meio da tarde, do dia 03 de Março de 2010, entre clientes, fornecedores e com uma banda sonora que alternava entre os Hawkwind (In Search of Space), Two White Monsters, Lost Gorbachevs, Jim Black e Tony Oxley. Black Sonic Jazz”. “… um som que varia entre uma orquestra do caos e um áspero free jazz”. Estas são algumas das definições que podem ser retiradas do Myspace. A medida que ouvia o João, e escutava músicas escolhidas para o E.P., ele revela que “O aliciante deste projecto, está no cuidado extremo com os pormenores e com as texturas… A nossa música é sobretudo trabalhar texturas…” com o objectivo de “…explorar o Contrabaixo e a Bateria…”. Para essa exploração utilizam equipamento modificado. Quando falávamos sobre o equipamento que ele utilizava (e não obstante saber que, enquanto percussionista, ele  utiliza todo o tipo de equipamento que produza um som interessante) notei que toquei num nervo quando perguntei se o som da track # 1 (ainda não nomeada mas que irá fazer parte do E.P.) era uma chapa. A resposta foi peremptória. “Não são chapas… sou pratos alterados por mim!”. Outro dos elementos no som dos Two White Monster é a cumplicidade entre os membros. A cara metade deste projecto e o Henrique Fernandes (parte integrante dos Lost Gorbachevs, Open Gate 5, Space Ensemble, F.R.I.C.S., entre outros…) que aparece em virtude do João ter sido convidado para abrir para os Kayo Dot no Passos Manuel e não querer fazer um espectáculo a solo. Segundo explicou o João, a cumplicidade surgiu quase de imediato. Isto é algo de fundamental pois, “…os ensaios não são regulares mas são importantes para … os músicos ganharem química entre eles… para conhecerem os tiques e sinais um do outro… A improvisação é muito importante… Ensaiamos a estrutura base que depois é explorada ao vivo…” e isso só é conseguido se entre os dois músicos existir uma ligação que lhes permita, em conjunto, explorar um determinado segmento musical. Da conversa com o João, conseguimos perceber que os Two White Monster pretendem explorar os limites do Contrabaixo e da Bateria. Para isso contam com três vectores: (i) trabalhar pormenores e texturas; (ii) utilização de equipamento modificado; (iii) a cumplicidade entre os membros do projecto. Terão sido esses os factores do rápido sucesso dos Two White Monster? Tens projectos mais antigos que não tiveram esta projecção. O João, com a bonomia que lhe é habitual, encolhe os ombros, enrola um cigarro e diz “… sinceramente não sei. Talvez força de vontade e atirares-te de cabeça…”. No myspace dos Two White Monster estão algumas das músicas por eles gravadas, com a colaboração do Gustavo Costa (Genocide, Motornoise, etc), que irão fazer parte do E.P. de estreia pela editora “Setola di Maiale” de Stefano Giust (perfomer, editor e produtor gráfico). Este E.P. deverá estar pronto para acompanhar, em Abril, a digressão, já com diversas datas marcadas, no Pais Basco, França e Itália. Para Portugal está prevista uma outra edição, desta vez pela Lovers & Lollypops, com ilustração do André Coelho e mais concerto em terras lusas. Espero que gostem. (1) João Filipe, Escorpião, 29 anos de idade, baterista/percussionista, é parte integrante dos Ghosts of Port Royal, Sektor 304, Unzen Pilot, Open Gate 5, HHY & the Macumbas, Mental Liberation Ensemble, F.R.I.C.S. e Caverna (a melhor banda do Underground do Porto. Com um único concerto e sem nada gravado… Alias, nunca vi ou ouvi nada deles… Apenas fotos e aquilo que é relatado por diversas pessoas… As vezes é uma questão de fé… Tenho fé nos Caverna!), admite que algumas das suas influências são Tony Oxley (Free Jazz) e Fritz Hauser (Percurssão).

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