ANTENA VERDE - COSTA VINCENTINA

Agir localmente, pensar globalmente”. Esta é uma das frases ambientalmente mais correctas que ouvimos há diversas décadas. O facto de um indivíduo ter a capacidade de, no seu pequeno raio de acção, fazer mudanças e alterar comportamentos é umas das maiores vitórias que se podem conseguir. Não basta agir localmente pois é necessário estar sempre atento a outras questões, em outras partes do mundo, do nosso pais, do nosso distrito ou mesmo do nosso concelho. Hoje vamos falar de uma das regiões mais bonitas e bio diversificadas de Portugal. A Costa Vicentina. Costa Oeste Atlântica do Algarve, estende-se entre o Cabo de S. Vicente e Odeceixe ao longo de mais de 60 km. Com uma costa rochosa, íngreme, cheia de baias e sujeita a ondulação do Atlântico é o paraíso de Surfistas nacionais e internacionais que teem feito dela o seu local de vida. Praias como Corduama, Amado, Arrifana, Vale Figueiras, Castelejo, entre muitas outras, são verdadeiras jóias da natureza e um património ambiental de todos. A Reserva Biogenética de Sagres, entre o cabo de S.Vicente e a Ponta de Sagres, contem um sistema ecológico e ornitológico único que atrai, especialmente no Outono, turistas e investigadores de todo o mundo. Esta foi considerada como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, mas, infelizmente, tem sofrido uma degradação contínua, vitima de inúmeras pressões urbanísticas, pisoteio e circulação desregrada de veículos. È por isso que o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina não deve ser uma preocupação das quatro autarquias que dele fazem parte (Vila do Bispo, Aljezur, Sines e Odemira) e das suas populações, mas de todo os cidadãos portugueses. Terminou no dia 30 de Abril a Discussão Pública desse Plano de Ordenamento. Diversas associações ambientalistas apontaram que a regulamentação relativa à faixa marinha adjacente a área terreste do parque Natural foi bem estruturada e é um ponto positivo desse plano. Contudo, mais de 20% do Parque Natural vai ter um regime de excepção, sem intervenção do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, nada foi feito quanto a questão da agricultura intensiva naquela área e deveria ter sido limitada a possibilidade de construção fora dos perímetros urbanos municipais. A Costa Vicentina é uma das zonas mais bonitas de Portugal mas também uma das mais sensíveis. Por isso deveria ter sido alvo de uma protecção mais elevada e concreta.

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