OS TITÃS

As vezes dizem nos coisas que apesar da sua inocência, e candura, acabam por nos fazer pensar em “Porques”. Ontem de manha, sai para tomar café com a Isabel e quando ela entra no carro, a primeira frase que saiu foi: “Olha… Deu-lhe outra vez para andar a ouvir José Cid!”. Realmente… Porque? Nem gosto assim tanto do homem. Reverencio o Quarteto 1111 e algumas músicas dos seus primeiros álbuns a solo. O que fascina nesta época não é tanto a qualidade do som mas a forma como ele é interpretado. Isto é, sempre que procuro coisas portuguesas dos anos sessenta e setenta não me interessa chegar à conclusão de que os Quarteto 1111 ou os Pop Five Music Incorporated eram bandas tecnicamente boas e com canções de um nível muito elevado para aquela altura. Eram bons músicos, com boas composições ou boas versões. Quero descobrir aquilo que descobri com os Mutantes, os Brasões e toda uma serie de bandas ligadas ao tropicalismo… A ligação cultural à música. Essa é a pedra de toque. Pegar em composições britânicas e/ou americanas e ligar à raízes da musica popular portuguesa, ao cancioneiro nacional, a lendas e tradições portuguesas. È isto que me leva a ouvir, sem enjoar, os Quarteto 1111 e os Titãs. (Não confundam com a M#”&= da banda brasileira!) Com uma discografia composta por 3 E.P.: Vira da Nazaré (7"EP, Orfeu, 1963), Tema para Titãs (7"EP, Orfeu, 1963) e Janela Aberta (7"EP, Clave, 1969), são um belo exemplo disso mesmo. Se é certo que eram cópias dos “Shadows”, a ligação com o cancioneiro popular, por exemplo de Trás os Montes, faz toda a diferença. Isto sim… Vale mesmo a pena ouvir. Espero que gostem. Fonte: Músicadosanos60.com :“Este grupo forma-se em 1963 , com Fernando Costa Pereira, João Lourival , Simões Carneiro e João Braga. A sua formação era idêntica à dos Shadows e os temas tinham, também, semelhanças com o grupo inglês... Gravam o seu primeiro EP com temas populares como " Canção da Beira Baixa" e "Vira da Nazaré" , para além de "Menino D'oiro" de José Afonso; todos instrumentais e tocados à moda dos Shadows. Gravam ainda outro single que inclui " Tema Para os Titãs" … O grupo sofre uma evolução, em 1967, com a entrada de instrumentos de sopro e vocalista. Um dos membros que entra para o grupo é José Lello …  toca saxofone e canta …Os Shadows Portugueses, apesar de tudo, durarão pouco mais tempo, já que a separação acontece ainda antes do início da década de 70.”.

CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - SOSPESA AD UN FILO

Para mim o Conjunto Oliveira Muge foi sempre, e vai ser, a banda do Sr. Policarpo (proprietário do extinto restaurante Progresso, onde almoçava, normalmente ao Domingo, com os meus avós e pais, e marido da minha professora primária, D. Guida, na escola da Ponte Nova) e do Sr. Muge (dono da primeira loja de discos que visitei na minha vida “Mundo da Música”, se não falha a memória, e avo da Mafalda, amiga da Sara). Mas, há muita história por trás deste conjunto. Não apenas o êxito “Mãe” e as saudades que deixou a toda uma geração que voltou, e lutou, no Ultramar. Com o desejo de fazer algo mais sobre este Conjunto, não tão esquecido como alguns possam pensar, começo por “roubar” uma pequena biografia. Vamos ver o que o futuro trará. Tanto quanto é do meu conhecimento a discografia do Conjunto é a seguinte: And The Heavens Cry, 7"EP, 1966; On The Road With The Conjunto Oliveira Muge, 7"EP, 1967; Sospesa ad Un Filo, 7"EP, 1967; A Mãe, 7"EP, Parlophone-VC, 1968, Piange Con Me, 7"EP, 1968, Longe de Ti, 7"EP, Roda-J.C.Donas, 1969. 

Fonte: Guedelhudos.blogspot.com “ Conjunto de Oliveira Muge, originário de Ovar/Aveiro, era inicialmente constituído por José Muge (piano), Joaquim Silva (baixo e vocalista), Alberto Capitão (acordeão), António Biscaia (bateria) e António Policarpo (viola e vocalista). As suas primeiras actuações remontam aos longínquos anos de 1959/60, onde actuaram ao vivo em Ovar, no Café Progresso e Orfeão de Ovar e ainda noutras localidades do distrito de Aveiro, assim como no Porto, nos estúdios da RTP, com dois programas em directo e no Rádio Club Português (RCP/Norte). No final da década de 50, António Oliveira Muge (já falecido) foi o primeiro a partir da sua terra natal (Ovar) para Vila Pery/Moçambique. Nessas terras de magia e feitiço, António Muge e mais tarde o seu irmão José Oliveira Muge, conjuntamente com António Policarpo Oliveira Costa e o Victor (um militar pertencente ao batalhão ali existente), formaram o grupo. Começaram a notabilizar-se rapidamente, pois com um nível fora do comum, abrilhantavam bailes, festas e outros eventos, na região de Manica e Sofala. Quando da passagem de José Muge e de Policarpo por Lourenço Marques, elementos do Rádio Clube de Moçambique foram ao paquete Infante D. Henrique, onde viajavam, convidá-los para fazer um programa ao vivo no auditório dos seus estúdios, programa esse que teve um grande sucesso. Foram também convidados pelo comandante do paquete para ficar no navio como conjunto residente, em alternância com o que já lá actuava. O Victor, entretanto, face à retirada para Portugal do batalhão a que pertencia, teve de deixar o conjunto, entrando para o seu lugar o António Biscaia, que, entretanto, vindo de Portugal, se juntou ao agrupamento, continuando o António Muge a tocar o contra-baixo. Os êxitos iam-se repetindo, agora já fora das nossas fronteiras, especialmente em Salisbury, na Rodésia, onde todas as sextas-feiras iam aos estúdios da televisão local fazer o “Seven Three Oh Show”, em horário nobre. Como também actuavam noutros locais dessa cidade, como clubes e hotéis, surgiu-lhes um contrato para actuar durante um mês em Nairobi, no Quénia, num dos melhores hotéis da capital, o “New Stanley Hotel” e onde também fizeram um programa de TV nos estúdios locais. De novo em Moçambique, o Biscaia, por motivos imprevistos, teve de abandonar o conjunto, entrando para o seu lugar o José Violante que tocava baixo, passando o António Muge para a bateria. Em 1964 foi-lhes concedido pela imprensa moçambicana, o primeiro prémio de “O Melhor Conjunto de Gente Nova”, o que contribuiu para que fossem solicitados a deslocar-se, além do “seu território” de Manica e Sofala, mas também a outras localidades como Lourenço Marques, onde actuaram e receberam o referido prémio, assim como a Quelimane, Nampula, António Enes, Tete, etc… Em 1965, com o Sr. Moura da Rádio Aero Clube da Beira, foi editado o 1º EP, gravado nos estúdios da Emissora, embora com a tecnologia disponível, mas que mesmo assim, para a época, ficou bastante bom e obteve êxito. Em 1966, surgiu a hipótese de se deslocarem à África do Sul, o que veio a acontecer. Em Joanesburgo, nos estúdios da EMI/Parlophone, gravaram o famoso disco, onde se incluía a faixa “A Mãe”, de autoria de António Policarpo, tema esse que nessa altura se dizia estar proibido de ser difundido em Portugal, por questões que se interligavam com a guerra do Ultramar. Em 1967 voltaram a Joanesburgo, onde gravaram mais 2 EPs que também foram muito popularizados … O tema “A Mãe” foi das canções mais solicitadas pelos militares em Moçambique, no período da Guerra Colonial...Entretanto decorria a Guerra Colonial. O grande êxito do compositor Policarpo Costa era sem dúvida uma canção sentimental que lembrava a separação, a dor da partida, a distância das famílias e os militares e acima de tudo as saudades que os militares tinham das suas “mães”...Posteriormente, em 3 de Julho de 1976, o grupo reapareceu actuando durante vários anos no Restaurante Progresso na praia do Furadouro/Ovar, não faltando no seu vasto repertório, os ritmos africanos de Moçambique e não só.”

A versão original Italiana é de uma banda chamada "Corvi".
Mas, na realidade, a música original pertence aos Electric Prunes. "I´ve had to much to Dream Last Night", de 1966, é um excelente exemplo de Garage/Surf/Psycodelia.