EDGAR ALLAN POE

"Eu girei a cadeira na qual estava sentado, e bati-a contra às tábuas, mas o som erguia-se continuamente. Tornou-se cada vez mais alto, mais alto, mais alto! E os homens ainda conversavam agradavelmente, e sorriam. Seria possível que não estivessem a ouvir? ... Eles sabiam!...Assim eu pensei, e assim eu penso. Mas qualquer coisa era melhor do que esta agonia!... "Malvados!" eu guinchei, "Parem de disfarçar!" Eu admito que o fiz! Levantem as tábuas! Aqui, aqui! É o bater do coração hediondo dele!". Edgar Allan Poe, em "O Coração Delator" -  "Histórias Escolhidas por um Psicopata - Uma Antologia Psicótica de ...", Fio da Navalha, 2004, tradução de  António Vilaça. 

Fonte: Biblioteca Nacional Portuguesa: "Desde a primeira tradução conhecida de Poe (1857), passando pelo seu contributo para a poesia de Antero de Quental ou para contos fantásticos desenvolvidos por vários agentes da Geração de 70, a produtividade do escritor revela-se através de uma série de testemunhos da influência do seu poema O Corvo no nosso século XIX, sobretudo na estética decadentista-simbolista. O mesmo poema seria magistralmente traduzido por Fernando Pessoa em 1924 para Athena, órgão do primeiro modernismo português; a dívida para com Poe foi partilhada por Mário de Sá-Carneiro e estendeu-se, controversamente, à geração da Presença.

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