CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - A VERDADEIRA HISTÓRIA DA “MÃE” – PARTE I


Foi a música mais conhecida do Conjunto Oliveira Muge (Conjunto) e, juntamente com Twist Bocage, uma das composições efectuadas por Policarpo logo após ter chegado a Vila Pery em 1962.
Com mais de cinquenta anos foi utilizada como música no filme português Aquele Querido Mês de Agosto, presente no festival de Cannes de 2008, de Miguel Gomes. Este mesmo realizador considerou que o Conjunto foi a fonte de inspiração para o filme Tabu que recebeu o prémio da crítica no Festival de Cinema de Berlim, de 2012. “… os relatos que faziam eram cheios de verdade emocional. De alguém que se divertiu na juventude, viveu imensas histórias. O paraíso é isso, a juventude, a memória da felicidade…" disse-o ao Jornal Público, em Fevereiro de 2012.
Alegadamente terá sido utilizada nos treinos de forças especiais como tentativa de forçar os limites dos jovens recrutas.  
A mistura da música e letra é de tal forma poderosa que tornou-se um hino para gerações de portugueses pelos mais diversos significados. A razão do sucesso está na simplicidade do sentimento que lhe subjaz.
Era miúdo, estava longe de casa e tinha muitas saudades da minha Mãe.”, diz, actualmente, Policarpo, reafirmando algo que já tinha dito numa entrevista publicada na Revista Plateia, em 1969, “…talvez um pouco de saudosismo e sentimentalismo, me predisponham a compor. A canção “A Mãe” nasceu, precisamente, por estar longe da família…”.
Não foi uma música dirigida à Guerra Colonial, ao regime de Salazar ou sobre a vida de milhares de portugueses nas antigas províncias ultramarinas. Mas ficou associado a estes temas bem como a uma forma de vida que cessou com o processo de descolonização.
A música e letra da canção têm um forte pendor sentimental e foi escrita num contexto de separação como o que José Muge e Policarpo sentiram quando embarcam no Paquete Infante D. Henrique em 1962.
António Policarpo Costa recorda-se “…quando  tocava a sirene do paquete, este parecia que ia tombar, tal era a pressão e peso que o contingente de tropas que partia para Angola fazia ao despedir-se…” e José Muge lembra-se  desse dia: “…. por volta das 12 horas um som gravíssimo saiu das entranhas do barco que mais parecia uma tuba gigante amplificada milhões de vezes. Como por magia milhares de lenços se agitaram... Soluços, choros, gritos, aplausos tudo de ouvia... Já sentia um no na garganta mas contive-me... ficou me gravado no coração... Uma mãe que se despedia do seu filho... O barco já estava a mais de cinquenta metros... E ainda se ouviam os gritos lancinantes evocando-o...".
Esse era o cenário habitual para milhares de jovens que eram expedidos para as províncias ultramarinas sem terem a certeza que alguma vez voltariam a casa e que, semana, após semana, escreviam às suas mães relatando da sua saudade.

Constou de diversas edições relacionadas com o Conjunto.

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