Em
Moçambique, fez parte de duas edições da Importadora,
no EP On the Road with Oliveira Muge,
de 1966 (AIL 2) e enquanto Single, de 1968, (AIL 50). Na África de Sul, na
edição da EMI/Parlaphone, do EP On the Road with Oliveira Muge, em 1966
(JGEP 120008).
Esta
música irá ser incluída em mais duas edições, em Portugal e em Angola, da
responsabilidade da Valentim de Carvalho (VC).
Em
1968, directamente pela VC (LMEP 1331) - a qual faremos directa referência na
falta de outra indicação - e, em 1970, pela sua subsidiária, N´Gola (NGAE 501).
A
música irá ser incluída em diversas colectâneas, foi gravada e cantada por diversos
artistas, a título meramente de exemplo, Victor Gomes, os Sósias, Marante, Os
Pérolas, Sérgio Wonder e incluída em antologias poéticas sobre a Guerra
Colonial.
Logo
após terem voltado de Portugal, em 1969, José Muge responde (apenas com base em
dados oficiais da Importadora) à pergunta da imprensa moçambicana sobre quantos
discos foram vendidos com esta música: “É
difícil fazer uma estimativa correcta. No entanto, e segundo um inquérito
ultimamente celebrado em Moçambique, sabe-se que só em Lourenço Marques foram
vendidos mais de cinco mil discos, tendo o resto da província adquirido mais de
três mil. Temos ainda a consoladora certeza de que tem sido verdadeiramente
impressionante a sua aceitação na Metrópole, Angola e Africa do Sul para onde
foram enviadas mais reproduções…”.
A
vinda de José Muge para Portugal, em 1976, a sua entrada no universo da
comercialização e distribuição discográfica em Portugal, a descoberta de
sucessivas edições, e utilizações, da música em diversas colectâneas, desconhecidas
pelo Conjunto podem ter sido responsáveis, segundo ele, pelo fabrico de mais de
30.000 unidades.
Estimativa
essa que poderá ter algum suporte se atendermos ao texto, escrito em 2000, e a
propósito do livro Marcas da Guerra Colonial de Jorge Ribeiro, no Jornal de
Noticias, de 12 de Julho: “… presumivelmente
será “A Mãe”, na realidade um dos maiores sucessos na história do comércio
discográfico dos anos 60 em Portugal… Canção simples, composta e interpretada
de forma tocante, a canção “A Mãe”, escrita por António Policarpo de Oliveira
Costa e gravada pelo Conjunto Oliveira Muge… comporta apenas dez versos e segue
a tónica comum a quase todas as canções deste género: saudades da mãe e
promessa de voltar. Para se aquilatar da dimensão do êxito alcançado por esta
composição, deve dizer-se que, no mês em que foi editado, o disco superou em
vendas os títulos do momento de Adamo, Beatles, Tom Jones, Cliff Richard (nesse
mês no Euro festival) e até os “Caracóis” de Amália Rodrigues…”.
A
edição da VC terá tornado a música, por um lado, num sucesso comercial (sem
retorno para os membros do Conjunto) mas, por outro, em algo incómodo para o
regime então em vigor.
Esta edição
tinha capa, alinhamento de músicas e denominação diferente do original. Agora
já não era On the Road With Oliveira Muge
mas sim A Mãe.

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