António Almeida de Oliveira Campos (1934 – 2014)

Nota: Este texto, publicado em 2014, corresponde a adaptação de um artigo escrito em 2011 - publicado na imprensa local e em blogues de musica - sobre o letrista/fadista vareiro António Almeida de Oliveira Campos  aquando da noticia do seu falecimento no rio de Janeiro aos oitenta anos de idade.
Faleceu o fadista vareiro, radicado no Rio de Janeiro, António Almeida de Oliveira Campo. A família informa que será realizada uma missa de sétimo dia em sua honra na Capela Matriz de Ovar na próxima segunda feira dia 21.
Deixamos aqui uma breve biografia do cantor.
Nascido em 11 de Setembro de 1934, no bairro da Arruela, com apenas 19 anos, e por influência de um tio emigra para o Brasil, em 1953.
Começa no Brasil como empregado de escritório mas a apresentação no programa de caloiros da canção, dirigido por Joaquim Pimentel, abriu-lhe as portas para um sem número de contactos no Rio de Janeiro, S. Paulo e Recife.
Desde rádio (com Joaquim Pimentel no programa Astros, na rádio Vera Cruz, na rádio Metropolitana e na rádio Bandeirantes) à televisão (participação em programas como a Caravela da Saudade, Casa do Casimiro, Portugal sob o Mesmo Céu, Almoço com as Estrelas, Baile da Saudade, Imagens de Além-Mar, Todos Cantam a Sua Terra  e convidado de apresentadores como Roquete Pinto, Flávio Cavalcanti, Hebe Camargo e Cauby Peixoto).
Dai a gravar os seus primeiros discos foi um mero salto com “Fados e Desgarradas” e no “Degrau que te encontrei”, a serem editados pela carioca Portugalia, em 1967 e 1968, onde demonstra a sua mestria no fado-serenata e fado-canção.
Com Joaquim Pimentel iria passar de interprete a autor e criar músicas intemporais para Francisco José (Dá Tempo ao Tempo), Adélia Pedrosa (Sabe-me Bem Dizer Não) ou António Mourão (Voltei a teu lado) não escapando a sua capacidade de escrita a Tony de Matos que terá registado em disco, no mínimo 3 composições suas: “Quem sou”, “Mónica” ou “Se quizeres ir embora, Vai”. 
Esses são também os tempos em que os grandes nomes da canção portuguesa fazem diversas temporadas em casas de fado e de espectáculos, no Rio de Janeiro ou em S. Paulo, e onde gravam os seus primeiros discos.
Nomes como Amália Rodrigues, os Três de Portugal, Maria da Fé, Maria Valejo, Vitória Maria, Cidália Moreira, Natércia da Conceição, Tristão da Silva, Fernando Farinha, Ada de Castro, Pedro Villar, Beatriz da Conceição, Fernanda Batista, Felipe Duarte ou Maria da Nazaré.
Se os seus primeiros discos denotam essa preocupação com a composição escrita, cuidada e trabalhada, é no improviso que ele se notabiliza.
Considerado por Amália Rodrigues como Rei da Desgarrada inaugura, no seu primeiro disco, uma parceria com Maria Alcina que daria diversos frutos.
Quer nas actuações ao vivo (casas de fado e salas de espectáculo) quer, em especial, nas diversas gravações discográficas que irá fazer no Brasil e em Portugal.
A Desgarrada da Esperança, de 1969, pela RR, a Desgarrada/Caso Encerrado, pela Roda, Domingo em Portugal, pela Hot, ambas na década de setenta e, em 1981, no disco Maria Alcina/António Campos, pela Veleiro.
Com uma carreira consolidada no Brasil, foi fácil o salto para a Argentina (cidades de Buenos Aires e La Plata) e a apresentação em Portugal, especialmente no Porto, em diversas casas de fado e onde iria gravar para a Orfeu, com uma então jovem promessa do fado de nome  Florência, o já clássico Não me Chames Pequenina  que se torna uma mistura de humor, e galanteio, entre um homem casado e uma moça de bem.
António Campos é autor de mais de 300 poemas, à guarda da sua família vareira, muitos dos quais já foram interpretados por gigantes do fado como Carlos do Carmo (Dá Tempo ao Tempo), António Mourão (Voltei a teu Lado), Mária da Fé (Mal de Amor) e, recentemente, recuperados por uma nova geração de fadistas como Carminho (Meu Amor Marinheiro).
O poema Meu Amor Marinheiro, canção escolhida por esta jovem fadista para apresentar na gala Fado Património da Humanidade, é uma demonstração de que conseguimos ser capazes de levar mais longe não só uma forma musical mas um ícone da nossa portugalidade que, desde 2011, deixou de ser apenas nosso para passar a ser de toda a humanidade.
Foi também isso que aconteceu a António Campos que condecorado pela Câmara Municipal de Ovar, com a medalha de mérito municipal de Bronze, pelo Centro de Turismo Português no Rio de Janeiro, com a Ordem de S. Jorge, pelo Lions Clube do Rio de Janeiro e pelo Grémio Literário de Belém do Para, foi, pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em finais de 2011, concedido o título de Cidadão Honorário aAntónio Almeida de Oliveira Campos.
Como está escrito no verso do seu primeiro disco, António Campos é um “… artista que Ovar viu nascer e que o Brasil merecidamente consagrou…”.

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