MÃO MORTA - DIVINO MARQUES (1992)
"Era uma vez, há muitos, muitos anos, um velho Marquês, a quem os seus pares chamavam divino, o Divino Marquês. Ora este Marquês, apesar de conhecido em todo reino pela violência com que afrontava a tirania moral do seu tempo, passeando um dia por Braga «a idólatra, o seu esplendor», ficou hospedado em casa da Sra. de Noronha e Vaz, uma burguesa beata e alcoviteira, mas para quem um Marquês, por mal afamado que fosse, oh oh... era sempre um Marquês (...)", O Divino Marques, O.D., RAINHA DO ROCK & CRAWL, 1992.
TELECTU - DIGITAL BUIÇA (1990)
Telectu é o projeto de Jorge Lima Barreto e Vítor Rua que, tanto quanto sei, existiu entre finais da década de 1980 até a morte daquele em 2011. O seu nome provem de um poema de Melo e Castro e são um duo - ou um trio consoante se considere a intervenção de António Palolo - de “avant-garde”, eletrónica experimental e que percorre os terrenos do Jazz, Free Jazz, Rock e Dub. Mais uma vez, foi através da Ama Romanta, que os conheci e que levaram aos concertos no Meia-Cave, Aniki Bobo e Labirinto na década de noventa do século passado. Foi também nessa altura que comprei, de um colega no Colégio dos Carvalhos, o 12”” Digital Buiça e que guardo, religiosamente, desde essa altura. Esta emoldurado e ocupa um lugar de destaque na minha sala. A importância do disco não está relacionado com a raridade do mesmo, que efetivamente tem, mas com o facto de ser mais uma exploração sonora que envolve diversas áreas criativas. Só assim se percebe a colaboração, que ocorreu durante décadas, com o poeta e ensaísta Melo e Castro que, neste caso, assina a arte na capa. Este é um daqueles casos em que o disco, enquanto suporte físico, é uma verdadeira obra de arte. O disco foi uma das edições da Tragic Figures - editora baseada no Porto - que começou a editar cassetes e uma fanzine - Vertigo - ligada à música industrial e dark wave. P.S.: Júlio Isidro também os ajudou a crescer e, da parte do José Pedro Gomes e Herman José, receberam a justa homenagem com as 4 estações.
800 Gondomar (2017)
No próximo dia 13.10 é apresentado o primeiro longa duração dos 800 Gondomar. Boa! + Info: aqui
Linha Geral - Ousadia
"Riso, outro riso mais aberto,
Outro canto mais sentido,
Outros gestos, outra voz.
Outro golpe mais ousado,
Outro dia mais liberto,
Mais sereno e soalheiro.
Outro canto, mais revolto
Mais aceso, mais aceso
Outros espelhos, outra glória.
Rumos, outros rumos e perigos,
Outro mar desconhecido,
Outras sombras, outra luz.
Outros hinos, mais vibrantes,
Outros sonhos e esperanças,
Outros céus e claridades.
Outro canto mais revolto,
Mais aceso, mais aceso,
Outros prantos, outra glória.
Faremos do medo, ousadia.
Da noite, manhã clara.
Do fado, outro destino.
Do terror, alegria."
MÃO MORTA - CHARLES MANSON
Estávamos no inicio da década de noventa e meia dúzia de miúdos viviam, semanalmente, encafuados em quarto paredes. A única forma de soltar a pressão eram os fins de semana em festins musicais de exaustão e paixão. Esta era uma das bandas e um dos nossos hinos. Ainda hoje as suas palavras ressoam dentro de nos e fazem nos querer saltar.
Tiannamen e o massacre de Pequim,
Pablo Escobar e o cartel de Medellin
Mais a queda do muro de Berlim
E a guerra do Saddam Hussein
Ou a disputa Gorby-Ieltsin...
Não estava lá!
Não estava lá!
Não, não estava lá!
Na Primavera eu não estava em Praga.
No 25 de Abril estava em Braga,
Demasiado entretido a crescer
Para dar conta do que estava a acontecer,
Do que estava a acontecer.
Mas ouvi dizer que
Quando o Charles Manson sair da prisão
É que vai ser.
Parem o relógio!
Vamos todos para a revolução
Fazer a festa de cocktail na mão!
Grito Final - Cadáver Esquisito
“…Grito Final, uma voz, uma palavra, muito mais que um berro, um grito já que o silêncio é rei nesta terra de surdos-mudos.”. Fanzine “Cadáver Esquisito”, Janeiro/Feveiro de 1986.
Mão Morta - 1º de Novembro (demo 1985)
Um traço, um berço
Dois destinos que se cruzam na lonjura da distância
Erva fálica pelo caminho
Distúrbios, subúrbios
Automóveis ferrugentos desenhando o horizonte
Os paralelos asfixiam a alma
Solidão, saudade
Rumagens, romaria aos queridos defuntos
Carcaças abandonadas ao passado
Lágrimas, fábricas
Tempo invernoso sublinhando a ausência
A música ouve-se triste
Solidão!
Saudade!
Romagens!
Romarias!
Solidão!
Saudade!
Queridos!
Defuntos!
Jaime Nascimento
Conheci-o como um dos convidados do Real Combo Lisbonense, liderado por João Paulo Feliciano, no concerto-baile ao ar livre em Lisboa, a 04.10.2010, para comemorar os 100 anos da República. Jaime Nascimento, na altura com noventa anos, tocou «A Borracha do Rocha».
Neste link podem ter acesso a uma pequena biografia deste guitarrista que, na década de 40, 50 e 60, ombreava com Carlos Meneses do Conjunto de Seghundo Galarza, como os pioneiros da guitarra eléctrica na musica ligeira portuguesa.
Conjunto de Mário Simões
Neste link podem ter acesso ao texto da antologia sobre o Conjunto de Mário Simões onde estão reunidos alguns dos temas mais significativos da carreira deste grupo entre as décadas de 40, 50 e 60 do século passado. Tornou-se consensual, para os estudiosos da música ligeira portuguesa, que Mario Simões foi um primeiros, e grandes, impulsionadores e divulgador do Easy Listening Português.
CONJUNTO TONY HERNANDEZ
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| Concerto em Espinho ou Ovar |
Nota: O presente artigo foi elaborado em 2014 com base recortes de imprensa e nas informações que, muito gentilmente, o Dr. Herculano Almeida forneceu. Aproveito para agradecer toda a ajuda prestada, bem como a remessa do material fotográfico e correcção do texto. A antologia está disponível aqui.
Com um panorama musical muito limitado, para a época, onde as orquestras profissionais eram as principais animadoras das festas na região Norte, e em particular no Porto, a necessidade de acompanhar o “boom” musical a que se assistia sobretudo em Itália, foi determinante na criação de conjuntos musicais.
No final da década de cinquenta do século passado, além dos agrupamentos ligados á Universidade do Porto, aparecia o conjunto de Freitas Morna, de Heinz Worner (onde estava José Luís Tinoco e que gravou, em 1958, "Lullaby of Birdland", de George Shearing, "Foggy Day", de George Gershwin, "Ain't Misbehavin'", de Fats Waller e o 1.º EP da Orfeu ATEP 6000 com as músicas Anda Comigo | Escuta | E Agora Vem o Baião | Campino), Pedro Osório, Oliveira Muge, Walter Behrend, Jaime João, Sousa Pinto, entre outros.
Nessa época a maior influência destes conjuntos advinham das músicas italianas de conjuntos como o de Marino Marini, Renato Carosone, Peppino di Capri ou Bruno Martino.
A RTP dava os seus primeiros passos, em particular no Porto, nos estúdios do Monte da Virgem, onde foi criada uma rubrica de entretenimento que acolhia pode acolher as atuações de alguns destes conjuntos.
Foi por ocasião de um desses programas que António Herculano Ramalho se juntou aos irmãos António e João Almeida Garrett para, com pouco menos de 4 dias de ensaio, tocar a “Malaguena” e outras duas músicas. Este será o embrião, e formação base, do Conjunto.
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| 10.06.1959 – 1.ª apresentação na RTP |
Em finais de 1958, e após esta atuação, o trio juntou-se a outros músicos e com eles formaram os Calipso. Harry Belafonte estava na moda com os seus Calipsos, um novo ritmo que se estreava pela Europa. Criaram um emblema: uma pauta musical, uma clave de sol, a servir de letra C e depois o resto “alipso” em dourado colocado sobre um casaco de fazenda azul.
Uma das suas primeiras actuações terá sido num Baile de Carnaval de 1959 onde foram contratados para tocar em Francelos, Vila Nova de Gaia e a formação original dos Calipso contava com: João Almeida Garrett (guitarra), António Almeida Garrett ( vibrafone, 2.ª guitarra e voz), António Ramalho de Almeida (contrabaixo acústico), Luís Barbosa (acordeonista originário do Conjunto de Heinz Worner), “Pablito” Pascual (pianista de curta duração no conjunto de onde saiu para ingressar os quadros da Universidade do Porto) e Armando Diamantino (baterista que rapidamente foi substituído em virtude do serviço militar).
Os primeiros instrumentos eram usados sendo que o contrabaixo – adquirido por 1.600$00 e pago em prestações - e a bateria – composta de vários materiais e de diversas origens – eram pertença do grupo e não dos músicos a título individual.
Os ensaios eram dirigidos pelo Professor António de Almeida Garrett, professor do Conservatório de Música do Porto, e pai do vocalista e guitarrista do Conjunto, que, como revela António Ramalho “… com uma paciência de santo, e uma qualidade pedagógica deveras excepcional, resolveu ceder parte do seu tempo a ensinar-nos música e a dirigir os ensaios em termos musicais…” onde ensaiavam músicas como “Piove” de Domenico Mudugno – uma das músicas mais requisitadas ao Conjunto quando alternavam, no Restaurante Belo Horizonte, com o Conjunto de Pedro Osório - “La Cumparsita” de Rodriguez Pena ou “The banana boat song” de Harry Belafonte.
Entre finais de 1959 e 1960, serão gravados os primeiros EP’s do Conjunto que, nessa altura, contava com João Almeida Garrett, António Almeida Garrett, António Ramalho de Almeida, Luís Barbosa e os irmãos Aires. Carlos Aires no piano – lugar que ocupou durante pouco tempo em virtude do serviço militar – e Ruy Aires – anos mais tarde um conhecido empresário da noite do Porto – na Bateria.
Por essa altura deparam-se com um problema “sério”. Os conjuntos sem nome personalizado eram, em regra, orquestras de músicos profissionais. Por outro lado, a moda, obrigava a identificar o Conjunto com um nome.
Por altura da gravação do 1.º EP, e já com esta formação, nasce o Conjunto Tony Hernandez sendo que o apelido advém da avó dos irmãos Almeida Garrett: Maria Luísa Hernandez.
Os discos da Alvorada (Rádio Triunfo) eram gravados nos antigos estúdios do Monte da Virgem que a RTP alugava a Arnaldo Trindade durante a noite. Ou seja, era normal os músicos saírem de lá as cinco e seis da manha. Por cada EP que o Conjunto gravou a Alvorada pagou 2.500$00 escudos ficando a mesma com todos os direitos de reprodução.
E com esta formação que vão ser gravados os EP’s na etiqueta Alvorada, MEP 60257 (1959) – Dona do Fado | Fado das Caldas | É Mezzanote | Sangue Toureiro; MEP 60335 (1960) Saudade Vai Te Embora | So Tu |Manuela| Baby Rock; MEP 60338 (1960) Quem é | Oh Carol Madragoa | De Manha Cedo; MEP 60379 (1960) A Pena do Mena | Charmaine | Estava Escrito no Cêu | Um Doido Como Eu.
Há duas curiosidades nestes EP’s.
A primeira prende-se com a utilização nas capas dos discos da fotografia de modelos. Era normal, naquela época, as capas dos discos terem uma fotografia do Conjunto. Todavia, só passado algum tempo do lançamento dos EP’s MEP 60338 e 60379 é que o Conjunto foi confrontado com existência de diversas capas com essas modelos que desconheciam e cuja utilização foi-lhes completamente alheia.
A segunda prende-se com o crédito dado a um A. Santos nas músicas a “Pena do Mena” e “Estava Escrito no Cêu”. A primeira, um original do Conjunto, pretendeu ser a resposta nortenha ao “Lapis do Lopes” e a “Borracha do Rocha” do Conjunto Mário Simões, enquanto a segunda era uma adaptação da “C'est Écrit Dans Le Ciel” do franco-arabe Bob Azzam. Ambas contam com letra de A. Santos, Professor de Portugués do Liceu Nacional de Vila Real que irá acompanhar a vida do Conjunto por aquelas bandas aquando dos seus concertos.
Entre 1961 e 1963, surge a formação mais duradoura e mais conhecida do Conjunto Tony Hernandez que tinha João Almeida Garrett, António Almeida Garrett, António Ramalho de Almeida, Luís Barbosa, Ruy Aires aos quais se juntavam Simões da Hora, no piano, e Rogério de Azevedo, guitarra, vindo do Conjunto de Pedro Osório.
É com esta formação que têm as suas principais atuações e onde actuam com Tony de Matos (Festa dos Bombeiros da Aguda – 1961), com Mário Simões (Chaves – 1961), nos Bailes de Carnaval, em Ovar, em 1961 e 1962, participam nas comemorações dos setenta anos de Cole Porter produzida pela RTP, em 27 de Outubro de 1961, com as versões “Begin the Beguine” e “What is this thing called love” e gravam, também para a etiqueta Alvorada, MEP 60397 (1961) Dulcemente | Paseando com Papa | Patatina | Abre-te Sésamo | AEP 60442 (1961) EL Novio | Pitagoras | Pepita | Il Mare Nel Casseto | e iniciam uma digressão pelo Norte de Espanha (Vigo e Orense) em 1962.
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| Homenagem a Cole Porter |
Uma curiosidade no EP 60397 prende com a utilização de um Fiat 500 propriedade do realizador e produtor da RTP Adriano Nazareth e que ficou conhecido pelos documentários que fez sobre o Porto e o Rio Douro: "O Barredo" (1958); "Um Rio Foi Vencido" (1958); "Porto, Berço do Infante" (1960); "Fisionomia de Uma Cidade" (1963).
O grupo, no início de 1963, foi confrontado com a saída, por razões profissionais, de António Almeida Garrett que foi substituído por João José. Todavia, os compromissos académicos, militares e profissionais dos restantes membros do conjunto ditam o encerramento das suas actividades em Agosto desse mesmo ano.
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| Uma das últimas actuações em 1963 |
Os Três de Portugal - Veio a Saudade
Marques Mendes fala de uma solução
governativa com PS/PSD/CDS. Os 3 estão condenados a entenderem-se
para bem de Portugal. Espero que a "Veio a Saudade" escrita pelo vareiro António Campos, na
década de 60 do século passado, e aqui popularizada pelos “Três de Portugal”
não sejam a despedida de algum deles.
Nota: O comentador da SIC esteve muito
atarefado... Apoiou Marcelo, expressou a falta de espaço político para Rui Rio e lançou-o
na corrida à presidência do Tribunal de Contas. Ganda Noia…
TRIO ODEMIRA - AS MINHAS MÃOS NAS TUAS
Recebi uma mensagem muito simpática do SoundCloud a informar que o upload da música Trio Odemira - As Minhas Mãos Nas Tuas está muito popular pois, em breve,chegará aos 100 downloads...
Pensei que estavam a gozar comigo.
Nos dias que correm 100 downloads só são reflexo de algo popular se feitos no espaço de 1 minuto.
Nos dias que correm 100 downloads só são reflexo de algo popular se feitos no espaço de 1 minuto.
De qualquer forma é sempre bom saber que há quem goste de ouvir esta versão, muito bem conseguida, da
Mes mains sur tes hanches de um jovem Adamo em 1965.
Canções da Guerra
A guerra colonial, tendo em conta o seu enorme impacto social, foi motivo de canções.
Desde logo, o hino "Angola é Nossa", criado logo após o início da rebelião em Angola que levou a uma guerra que durou 14 anos.
As canções ligadas à guerra falam da vida dos soldados, da saudade da terra, ou criticam, de forma mais dissimulada ou mais direta, a própria guerra.
Em programas diários de cerca de 5 minutos, vão apresentar-se as canções cujo tema é a guerra colonial, enquadradas por uma pequena história, que pode ser a da própria canção, do seu autor, ou um episódio que com ela esteja relacionado.
De 2ª a 6ª feira às 10h45, 14h55 e 20h55.
CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - A VERDADEIRA HISTÓRIA DA “MÃE
Nota do autor:
O
presente texto pretende ser a versão integral da análise da música “Mãe” publicada no boletim
comemorativo distribuído durante a homenagem efectuada pela Junta de Freguesia
de Ovar ao Conjunto Oliveira Muge em 2012.
A recolha de dados e produção foi efectuada entre 2010-2011 com o acompanhamento dos integrantes sobrevivos do Conjunto Oliveira Muge - José de Oliveira Muge, Policarpo Costa e José Violante - que por parte deles e/ou dos seus familiares agora deram expressa autorização à sua publicação.
A oportunidade da mesma surge da estreia, em 14 de Setembro, do programa da Antena 1 "Canções da Guerra" que, em data a anunciar, irá debruçar-se sobre a mesma.
Rafael Amorim, Ovar, 2015
CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - A VERDADEIRA HISTÓRIA DA “MÃE” – PARTE I
Foi a
música mais conhecida do Conjunto Oliveira Muge (Conjunto) e, juntamente com Twist Bocage, uma das composições
efectuadas por Policarpo logo após ter chegado a Vila Pery em 1962.
Com mais
de cinquenta anos foi utilizada como música no filme português Aquele Querido
Mês de Agosto, presente no festival de Cannes de 2008, de Miguel Gomes. Este
mesmo realizador considerou que o Conjunto foi a fonte de inspiração para o
filme Tabu que recebeu o prémio da crítica no Festival de Cinema de Berlim, de
2012. “… os relatos que faziam eram
cheios de verdade emocional. De alguém que se divertiu na juventude, viveu
imensas histórias. O paraíso é isso, a juventude, a memória da felicidade…"
disse-o ao Jornal Público, em Fevereiro de 2012.
Alegadamente
terá sido utilizada nos treinos de forças especiais como tentativa de forçar os
limites dos jovens recrutas.
A
mistura da música e letra é de tal forma poderosa que tornou-se um hino para
gerações de portugueses pelos mais diversos significados. A razão do sucesso
está na simplicidade do sentimento que lhe subjaz.
“Era miúdo,
estava longe de casa e tinha muitas saudades da minha Mãe.”, diz,
actualmente, Policarpo, reafirmando algo que já tinha dito numa entrevista
publicada na Revista Plateia, em 1969, “…talvez
um pouco de saudosismo e sentimentalismo, me predisponham a compor. A canção “A
Mãe” nasceu, precisamente, por estar longe da família…”.
Não
foi uma música dirigida à Guerra Colonial, ao regime de Salazar ou sobre a vida
de milhares de portugueses nas antigas províncias ultramarinas. Mas ficou
associado a estes temas bem como a uma forma de vida que cessou com o processo
de descolonização.
A
música e letra da canção têm um forte pendor sentimental e foi escrita num
contexto de separação como o que José Muge e Policarpo sentiram quando embarcam
no Paquete Infante D. Henrique em 1962.
António
Policarpo Costa recorda-se “…quando tocava a sirene do paquete, este parecia que
ia tombar, tal era a pressão e peso que o contingente de tropas que partia para
Angola fazia ao despedir-se…” e José Muge lembra-se desse dia: “…. por volta das 12 horas um som gravíssimo
saiu das entranhas do barco que mais parecia uma tuba gigante amplificada
milhões de vezes. Como por magia milhares de lenços se agitaram... Soluços,
choros, gritos, aplausos tudo de ouvia... Já sentia um no na garganta mas
contive-me... ficou me gravado no coração... Uma mãe que se despedia do seu filho...
O barco já estava a mais de cinquenta metros... E ainda se ouviam os gritos
lancinantes evocando-o...".
Esse
era o cenário habitual para milhares de jovens que eram expedidos para as
províncias ultramarinas sem terem a certeza que alguma vez voltariam a casa e
que, semana, após semana, escreviam às suas mães relatando da sua saudade.
Constou
de diversas edições relacionadas com o Conjunto.
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