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Jaime Nascimento

Conheci-o como um dos convidados do Real Combo Lisbonense, liderado por João Paulo Feliciano, no concerto-baile ao ar livre em Lisboa, a 04.10.2010, para comemorar os 100 anos da República. Jaime Nascimento, na altura com noventa anos, tocou «A Borracha do Rocha».
Neste link podem ter acesso a uma pequena biografia deste guitarrista que, na década de 40, 50 e 60, ombreava com Carlos Meneses do Conjunto de Seghundo Galarza, como os pioneiros da guitarra eléctrica na musica ligeira portuguesa.



Os Três de Portugal - Veio a Saudade


Marques Mendes fala de uma solução governativa com PS/PSD/CDS. Os 3 estão condenados a entenderem-se para bem de Portugal. Espero que a "Veio a Saudade" escrita pelo vareiro António Campos, na década de 60 do século passado, e aqui popularizada pelos “Três de Portugal” não sejam a despedida de algum deles.  

Nota: O comentador da SIC esteve muito atarefado... Apoiou Marcelo, expressou a falta de espaço político para Rui Rio e lançou-o na corrida à presidência do Tribunal de Contas. Ganda Noia…

TRIO ODEMIRA - AS MINHAS MÃOS NAS TUAS

Recebi uma mensagem muito simpática do SoundCloud a informar que o upload da música Trio Odemira - As Minhas Mãos Nas Tuas está muito popular pois, em breve,chegará aos 100 downloads...
Pensei que estavam a gozar comigo.
Nos dias que correm 100 downloads só são reflexo de algo popular se feitos no espaço de 1 minuto.
De qualquer forma é sempre bom saber que há quem goste de ouvir esta versão, muito bem conseguida, da 
Mes mains sur tes hanches de um jovem Adamo em 1965.

Canções da Guerra


A guerra colonial, tendo em conta o seu enorme impacto social, foi motivo de canções.
Desde logo, o hino "Angola é Nossa", criado logo após o início da rebelião em Angola que levou a uma guerra que durou 14 anos.
As canções ligadas à guerra falam da vida dos soldados, da saudade da terra, ou criticam, de forma mais dissimulada ou mais direta, a própria guerra.
Em programas diários de cerca de 5 minutos, vão apresentar-se as canções cujo tema é a guerra colonial, enquadradas por uma pequena história, que pode ser a da própria canção, do seu autor, ou um episódio que com ela esteja relacionado.
De 2ª a 6ª feira às 10h45, 14h55 e 20h55.

CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - A VERDADEIRA HISTÓRIA DA “MÃE

Nota do autor:

O presente texto pretende ser a versão integral da análise da música “Mãe” publicada no boletim comemorativo distribuído durante a homenagem efectuada pela Junta de Freguesia de Ovar ao Conjunto Oliveira Muge em 2012.

A recolha de dados e produção foi efectuada entre 2010-2011 com o acompanhamento dos integrantes sobrevivos do Conjunto Oliveira Muge - José de Oliveira Muge, Policarpo Costa e José Violante -  que por parte deles e/ou dos seus familiares agora deram expressa autorização à sua publicação.

A oportunidade da mesma surge da estreia, em 14 de Setembro, do programa da Antena 1 "Canções da Guerra" que, em data a anunciar, irá debruçar-se sobre a mesma.

Rafael Amorim, Ovar, 2015

CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - A VERDADEIRA HISTÓRIA DA “MÃE” – PARTE I


Foi a música mais conhecida do Conjunto Oliveira Muge (Conjunto) e, juntamente com Twist Bocage, uma das composições efectuadas por Policarpo logo após ter chegado a Vila Pery em 1962.
Com mais de cinquenta anos foi utilizada como música no filme português Aquele Querido Mês de Agosto, presente no festival de Cannes de 2008, de Miguel Gomes. Este mesmo realizador considerou que o Conjunto foi a fonte de inspiração para o filme Tabu que recebeu o prémio da crítica no Festival de Cinema de Berlim, de 2012. “… os relatos que faziam eram cheios de verdade emocional. De alguém que se divertiu na juventude, viveu imensas histórias. O paraíso é isso, a juventude, a memória da felicidade…" disse-o ao Jornal Público, em Fevereiro de 2012.
Alegadamente terá sido utilizada nos treinos de forças especiais como tentativa de forçar os limites dos jovens recrutas.  
A mistura da música e letra é de tal forma poderosa que tornou-se um hino para gerações de portugueses pelos mais diversos significados. A razão do sucesso está na simplicidade do sentimento que lhe subjaz.
Era miúdo, estava longe de casa e tinha muitas saudades da minha Mãe.”, diz, actualmente, Policarpo, reafirmando algo que já tinha dito numa entrevista publicada na Revista Plateia, em 1969, “…talvez um pouco de saudosismo e sentimentalismo, me predisponham a compor. A canção “A Mãe” nasceu, precisamente, por estar longe da família…”.
Não foi uma música dirigida à Guerra Colonial, ao regime de Salazar ou sobre a vida de milhares de portugueses nas antigas províncias ultramarinas. Mas ficou associado a estes temas bem como a uma forma de vida que cessou com o processo de descolonização.
A música e letra da canção têm um forte pendor sentimental e foi escrita num contexto de separação como o que José Muge e Policarpo sentiram quando embarcam no Paquete Infante D. Henrique em 1962.
António Policarpo Costa recorda-se “…quando  tocava a sirene do paquete, este parecia que ia tombar, tal era a pressão e peso que o contingente de tropas que partia para Angola fazia ao despedir-se…” e José Muge lembra-se  desse dia: “…. por volta das 12 horas um som gravíssimo saiu das entranhas do barco que mais parecia uma tuba gigante amplificada milhões de vezes. Como por magia milhares de lenços se agitaram... Soluços, choros, gritos, aplausos tudo de ouvia... Já sentia um no na garganta mas contive-me... ficou me gravado no coração... Uma mãe que se despedia do seu filho... O barco já estava a mais de cinquenta metros... E ainda se ouviam os gritos lancinantes evocando-o...".
Esse era o cenário habitual para milhares de jovens que eram expedidos para as províncias ultramarinas sem terem a certeza que alguma vez voltariam a casa e que, semana, após semana, escreviam às suas mães relatando da sua saudade.

Constou de diversas edições relacionadas com o Conjunto.

CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - A VERDADEIRA HISTÓRIA DA “MÃE” – PARTE II

Em Moçambique, fez parte de duas edições da Importadora, no EP On the Road with Oliveira Muge, de 1966 (AIL 2) e enquanto Single, de 1968, (AIL 50). Na África de Sul, na edição da EMI/Parlaphone, do EP On the Road with Oliveira Muge, em 1966 (JGEP 120008).
Esta música irá ser incluída em mais duas edições, em Portugal e em Angola, da responsabilidade da Valentim de Carvalho (VC).
Em 1968, directamente pela VC (LMEP 1331) - a qual faremos directa referência na falta de outra indicação - e, em 1970, pela sua subsidiária, N´Gola (NGAE 501).
A música irá ser incluída em diversas colectâneas, foi gravada e cantada por diversos artistas, a título meramente de exemplo, Victor Gomes, os Sósias, Marante, Os Pérolas, Sérgio Wonder e incluída em antologias poéticas sobre a Guerra Colonial.
Logo após terem voltado de Portugal, em 1969, José Muge responde (apenas com base em dados oficiais da Importadora) à pergunta da imprensa moçambicana sobre quantos discos foram vendidos com esta música: “É difícil fazer uma estimativa correcta. No entanto, e segundo um inquérito ultimamente celebrado em Moçambique, sabe-se que só em Lourenço Marques foram vendidos mais de cinco mil discos, tendo o resto da província adquirido mais de três mil. Temos ainda a consoladora certeza de que tem sido verdadeiramente impressionante a sua aceitação na Metrópole, Angola e Africa do Sul para onde foram enviadas mais reproduções…”.
A vinda de José Muge para Portugal, em 1976, a sua entrada no universo da comercialização e distribuição discográfica em Portugal, a descoberta de sucessivas edições, e utilizações, da música em diversas colectâneas, desconhecidas pelo Conjunto podem ter sido responsáveis, segundo ele, pelo fabrico de mais de 30.000 unidades.
Estimativa essa que poderá ter algum suporte se atendermos ao texto, escrito em 2000, e a propósito do livro Marcas da Guerra Colonial de Jorge Ribeiro, no Jornal de Noticias, de 12 de Julho: “… presumivelmente será “A Mãe”, na realidade um dos maiores sucessos na história do comércio discográfico dos anos 60 em Portugal… Canção simples, composta e interpretada de forma tocante, a canção “A Mãe”, escrita por António Policarpo de Oliveira Costa e gravada pelo Conjunto Oliveira Muge… comporta apenas dez versos e segue a tónica comum a quase todas as canções deste género: saudades da mãe e promessa de voltar. Para se aquilatar da dimensão do êxito alcançado por esta composição, deve dizer-se que, no mês em que foi editado, o disco superou em vendas os títulos do momento de Adamo, Beatles, Tom Jones, Cliff Richard (nesse mês no Euro festival) e até os “Caracóis” de Amália Rodrigues…”. 
A edição da VC terá tornado a música, por um lado, num sucesso comercial (sem retorno para os membros do Conjunto) mas, por outro, em algo incómodo para o regime então em vigor.

Esta edição tinha capa, alinhamento de músicas e denominação diferente do original. Agora já não era On the Road With Oliveira Muge mas sim A Mãe

CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - A VERDADEIRA HISTÓRIA DA “MÃE” – PARTE III

A oportunidade, e a forma, como esta edição foi efectuada em Portugal, sem que o Conjunto dela tenha tido conhecimento, poderá ter tido diversas razões.
A música foi um imediato sucesso em Moçambique e nas províncias ultramarinas de expressão portuguesa, nunca houve nenhum tipo de registo dos músicos na Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (anterior Sociedade Portuguesa de Autores) e a distribuição e fabrico de discos pela EMI, em Portugal, era feito sempre através da VC.
A recente descoberta nos arquivos da VC de uma bobine com as gravações do 3.º EP, de 1968, do Conjunto, pode indiciar o interesse daquela editora em distribuir, directamente, toda a discografia do Conjunto.
Sendo que as repercussões, negativas, da popularidade da Mãe podem ter levado à opção pela edição através de subsidiárias como a Roda e a N’Gola.
A música não terá sido alvo da Comissão de Censura tendo em conta a sua letra e a forma como ela podia ser ouvida nas províncias ultramarinas.
Policarpo, em entrevista à revista Plateia, em 1967, referia que “…um dos dois discos que o Conjunto já editou esta esgotado mercê da composição “Mãe” …” e que tal se deve ao facto de “As estações emissoras da Província, transmitem, com muita frequência melodias que fazem parte dos acetatos que o Conjunto tem a venda. Todavia, “Mãe” é indiscutivelmente a composição mais irradiada…” e, em Junho de 1993, numa entrevista ao jornal Primeiro de Janeiro, o jornalista que conduzia a entrevista faz a seguinte afirmação “…sabemos que um dos grandes êxitos do compositor Policarpo Costa foi o poema “Mãe”, que na altura lhes valeu alguns dissabores com a Pide…”. A resposta de Policarpo foi no sentido de lembrar o verdadeiro objectivo daquela melodia: “… nunca deixou de ser, para quem vivia longe da família uma canção tocante e que ainda hoje provoca a sua lagrimazita ao canto dos olhos…”.
Mas, a forma como ela ficou associada a um crescente descontentamento com a Guerra Colonial poderá ter sido a causa de alguns dissabores para o Conjunto especialmente a partir daquela edição. 
Há fortes indícios que esta música, em Portugal, tenha sido banida das rádios e da televisão e, ao nível da imprensa escrita, ignorada.
Veja-se a este propósito Paulo de Medeiros, na rubrica Discocritica, da Revista Nova Antena, em 07 de Março de 1969, e cujo conteúdo é integralmente aqui transcrito: “Conj. Oliveira Muge – «Nessuno mi Puó Giudicare» (**) Toca de forma aceitável. O vocalista. Contudo, afigura-se de bitola mediana… No cômputo, microgravação muito regular. Do recheio, salientamos a “Mirza”, “In un Fiore” e “Nessuno mi Puó Giudicare”…todas de cabelinhos levemente brancos. Mas, apesar disso, superiores a modernismos gritantes.”.
Neste texto nunca foi referido o nome da canção, nunca foi referido a designação da edição cujo nome é A Mãe, indicam como título para o disco a Nessuno mi Puó Giudicare, não referem que estas músicas foram, originalmente, gravadas, lançadas e distribuídas em 1966 e nem podemos afirmar que os gostos do crítico pudessem ser por músicas mais actuais pois ele próprio afirma com algum escárnio “… superiores a modernismos gritantes.”.
Este texto não iria passar em branco à escrita especializada. O Onda Pop foi o primeiro suplemento dedicado exclusivamente à música portuguesa, incluído no Jornal Notícias de Lourenço Marques entre Outubro de 1968 e Maio de 1971.
Em 1969, o suplemento escreve o seguinte: “…não se fala nesta canção que nos achamos a melhor do disco… desgosta-nos que se não tivesse falado na canção “A Mãe” da autoria do grupo e que não era conhecida na metrópole. Para nos ela foi uma das melhores canções portuguesas de 1966. A razão do esquecimento, desconhecemos.”.


CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - A VERDADEIRA HISTÓRIA DA “MÃE” – PARTE IV

A “Mãe” poderá, também, ter sido uma das causas para quando Conjunto volta, temporariamente, a Portugal, em 1969, encontrarem algumas resistências quer para a gravação de um disco de longa duração, quer com a marcação de uma aparição na televisão.
Se tivermos em consideração que a guerra colonial começou, em Moçambique, em 1964, e que a música já nessa altura fazia parte do reportório habitual do Conjunto nas suas actuações (rádio e concertos), terá sido uma das razões para, em 1965, perante mais de 7.000 pessoas, perderem a eliminatória, de Moçambique, do Concurso de Yé Yé organizado em Lourenço Marques pelo jornal O Século com a colaboração do Movimento Nacional Feminino, Radiotelevisão Portuguesa, Emissora Nacional e Rádio Clube Português.
Até porque o Conjunto nunca conseguiu actuar para as forças armadas portuguesas colocadas em Moçambique.
Vejamos este Desabafo de um Grande Conjunto Oliveira Muge publicado em 1969 na imprensa Moçambicana: “Tempos atrás, talvez na altura em que o terrorismo começou a alastrar, infelizmente, por Moçambique…pensamos realizar uma serie de actuações para a malta militar porque fazendo arte de uma sociedade reconhecida pelos feitos dos nossos bravos rapazes, sentimos ser esse o nosso dever, ir até lá acima levar-lhes um pouco de apoio moral, distraindo com a nossa música. E os rapazes do popular Conjunto, depois de contactarem com as entidades competentes no Quartel-general (reparem que acolheram a nossa ideia com o maior entusiasmo e garantiram-nos que tudo se arranjaria) começaram então a envidar os melhores esforços para que a sua embaixada de amizade tivesse o cunho de inédito – Mandamos fazer umas boas centenas de panfletos, com uma mensagem amiga das gentes do Planalto, para serem lançados de avião nas zonas onde fossemos actuar. Ainda dentro do mesmo espírito de amizade e reconhecimento, contactamos com diversas firmas comerciais de Vila Pery, e a população em geral, de quem obtivemos a certeza de um valioso apoio, em citrinos, cigarros, livros, revistas e outros artigos, que depois ofereceríamos aos nossos Soldados. Mas a verdade é que quando tudo se concretizava já o Conjunto era oficialmente informado da impossibilidade da viagem de avião, ficando, incrivelmente, a digressão sem efeito. Não desanimaremos. Teimosamente, o nosso desejo contínua de pé: o Conjunto Oliveira Muge quer actuar para as Forças Armadas que prestam serviço na Província!”.
Mas nem por isso esta música deixava de ser ouvida pelas forças armadas colocadas nas províncias ultramarinas.
Victor Gomes, o Rei do Rock Português, recorda-se de um episódio muito especial ocorrido em Nampula, em finais de 1968.
Nampula era o receptor das forças que lutavam pela independência moçambicana e que vinham de Tanganica (que juntamente com Zanzibar hoje em dia formam a Tanzânia) pelo que era uma área com um forte contingente de tropas portugueses.
Era o local onde estava colocado Joaquim Oliveira (dos Gatos Negros no inicio da década de sessenta) e onde vivia sua Mãe e Tia.
A pedido da Cruz Vermelha e do Movimento Nacional Feminino, Victor Gomes, com o auxílio da banda de um batalhão onde estava colocado Joaquim Oliveira, vão tocar no Clube Ferroviário de Nampula para uma plateia de 6.000 pessoas onde mais de 80% eram militares ali estacionados.

Victor recorda-se desse dia desta forma: “…no meio do show, e como tinha combinado com a banda, dirigi-me ao microfone e disse que ia cantar uma música dedicada aquela rapaziada que estava a tanto tempo ausente das suas mulheres, namoradas e familiares. Sentei-me a boca do palco e quando começam os primeiros acordes da música, retiro do bolso do meu casaco, papel de carta e uma caneta, e olho em meu redor para ver as lágrimas a escorrerem do rosto daqueles rapazes. Começo a cantar “Mamãe…” e o silêncio de 6.000 pessoas é impressionante! Quando, no final da música, poucos segundos antes de acabar com a frase “Eu volto” já tudo estava a aplaudir e a gritar de pé….”.

TORERO - CONJUNTO HELDER REIS C/JAIME NASCIMENTO (1959)

Com a partida de Mário Simões e Rueda para Moçambique, em 1959, Hélder Reis (piano) fica à frente de um Conjunto que chamara de seu mas que na realidade tem os mesmos elementos do Conjunto Mário Simões e no qual irá ingressar Santos Rosa e, ocasionalmente, Arnedo. É nessa altura que gravará, com Jaime Nascimento (guitarra), a versão de Torero de Renato Carosone, que aqui trago. Mais info sobre Conjunto Hélder Reis vejam o artigo que publiquei no blogue Músicas dos Anos 60.

CONJUNTO OLIVEIRA MUGE

O Conjunto de Oliveira Muge, para mim, começou por ser, há muitos anos atrás, o Conjunto do Sr. José Muge do Mundo da Canção e do Sr. Policarpo Costa, do Restaurante Progresso e marido da minha querida professora da primária D. Guida Costa. Nunca entendi porque razão, o amor de milhares de pessoas por este Conjunto, não só em Ovar mas espalhados pelo mundo inteiro, além dos esporádicos concertos (2008 e 2010) não estava concretizado numa pequena demonstração de afecto que podia ser uma retrospectiva da sua carreira, de mais de cinquenta anos, com o reconhecimento por uma entidade pública e um humilde sitio na internet. Arregaçadas as mangas, em 2012, 50 anos após a criação da música “Mãe”, foi feita a justa homenagem ao Conjunto de Oliveira Muge, que contou com a ajuda de inúmeros amigos do Conjunto e o suporte institucional da Junta de Freguesia de Ovar:



Download: 1.º EP - 2.º EP - 3.º EP - 4.º EP

TRUPE DE REIS DO ORFEÃO DE OVAR

Entre 1971 e 1975, José Cid teve um dos seus picos de actividade em que conciliava os seus projectos a solo com formação dos Green Windows e com os Quarteto 1111. Em 1972, os Green Windows (eram os Quarteto 1111 + as namoradas/esposas) lançam um single denominado "Vinte Anos" que no lado B tinha a "Uma nova maneira de encarar o mundo". Em 1978, a Trupe de Reis do Orfeão de Ovar adaptou essa música com letra de António José Leonardo, vozes de Carlos Campos e Armando Peralta e que ganhou a designação "Cantar o Amor".  Faz parte do LP "Noite de Reis em Ovar", editado pela G.A.F. -- A. Fonseca Guimarães (LPGS-11)

OS TITÃS - MIRA-ME MARIA

"Mira me Maria como estou tão bonitinho/ Calça bem talhada e camisa de bom linho/ Tenho 3 ovelhas e mais uma cordeira/ Quero me casar e não acho quem me queira/ Baila Pedro Bailas se é que queres o pão/ Baila mais um pouco que outros tocarão.", Titãs,  Mira-me Maria, EP Janela Aberta, 1969.

02 | EKO SUPER JUNIOR A

O “Eko Super Junior A”, foi um órgão produzido pela “Eko” - marca italiana conhecida pelas guitarra eléctricas nos anos sessenta – entre 1977 e 1979. Não há grande informação disponivel salvo esta página que descobri no google. Foram fabricados poucos. O meu é o 2279 e, tanto quanto descobri, não ultrapassam os 5.000. Ao contrário do modelo que o substituiu - "Eko Tiger" utilizado, entre outros, pelo Sun Ra - este não é muito procurado pois é relativamente limitado. No inicio do mês de Outubro estava na garagem de um amigo, a organizar a exposição exterior do “Ambiente Imagens Dispersas – 2010”, quando, de repente, olho para o canto da mesma e descubro este órgão abandonado, cheio de pó, com teclas partidas e descolorado (conforme podem ver na foto colocada ontem). A minha pergunta foi: “Tens um órgão que parece ser dos anos Setenta?”. Ao qual ele respondeu “Foi me vendido por um tipo que era explicador de matemática, na década de oitenta, e desde então esta a receber pó na garagem. Queres ficar com ele?” . No inicio pensei... Isto não funciona... Mais uma coisa para ganhar pó... A Isabel não me deixa levar isso para casa... Mas… Como estava com tempo, fiquei com vontade de o levar para casa e recupera-lo. A tarefa não esta a ser complicada. Quando tive dúvidas falei com o Sr. Muge, do Conjunto Oliveira Muge e, com muito cuidado: (i) Retirei kilos de cotão de pó (desconectei as teclas, uma a uma, e com um pequeno pincel e uma cotonete limpei o pó e a sujidade que se tinha acumulado entre elas e por baixo); (ii) Colei duas teclas partidas e que não funcionavam (com super cola); (iii) Alinhei os fios extensores das teclas e coloquei-as no sitio correcto (automaticamente o som do órgão ficou limpo pois retirei toda uma gama de interferências que se ouviam quando ele era ligado); (iv) Coloquei óleo em spray nos contactos e nos encaixes de plástico; (v) Coloquei, no sitio devido, as placas electrónicas que estavam desencaixadas; (vi) Aparafusei a parte de cima do órgão que estava solta; (vii) Pintei, com graxa preta, a parte de cima do órgão e usei restaurador vinilico para o exterior do mesmo. Falta: (1) Arranjar a caixa de ritmos; (2) Soldar dois fios extensores em duas das teclas. Quando estiver pronto, coloco uma fotografia do resultado final. De qualquer forma, tem um som limpo,  tem uma sonoridade “garage” mas o som da caixa de ritmos é de rir … E já foi testado num ensaio da banda do meu irmão, os Afterhate.

OS TITÃS

As vezes dizem nos coisas que apesar da sua inocência, e candura, acabam por nos fazer pensar em “Porques”. Ontem de manha, sai para tomar café com a Isabel e quando ela entra no carro, a primeira frase que saiu foi: “Olha… Deu-lhe outra vez para andar a ouvir José Cid!”. Realmente… Porque? Nem gosto assim tanto do homem. Reverencio o Quarteto 1111 e algumas músicas dos seus primeiros álbuns a solo. O que fascina nesta época não é tanto a qualidade do som mas a forma como ele é interpretado. Isto é, sempre que procuro coisas portuguesas dos anos sessenta e setenta não me interessa chegar à conclusão de que os Quarteto 1111 ou os Pop Five Music Incorporated eram bandas tecnicamente boas e com canções de um nível muito elevado para aquela altura. Eram bons músicos, com boas composições ou boas versões. Quero descobrir aquilo que descobri com os Mutantes, os Brasões e toda uma serie de bandas ligadas ao tropicalismo… A ligação cultural à música. Essa é a pedra de toque. Pegar em composições britânicas e/ou americanas e ligar à raízes da musica popular portuguesa, ao cancioneiro nacional, a lendas e tradições portuguesas. È isto que me leva a ouvir, sem enjoar, os Quarteto 1111 e os Titãs. (Não confundam com a M#”&= da banda brasileira!) Com uma discografia composta por 3 E.P.: Vira da Nazaré (7"EP, Orfeu, 1963), Tema para Titãs (7"EP, Orfeu, 1963) e Janela Aberta (7"EP, Clave, 1969), são um belo exemplo disso mesmo. Se é certo que eram cópias dos “Shadows”, a ligação com o cancioneiro popular, por exemplo de Trás os Montes, faz toda a diferença. Isto sim… Vale mesmo a pena ouvir. Espero que gostem. Fonte: Músicadosanos60.com :“Este grupo forma-se em 1963 , com Fernando Costa Pereira, João Lourival , Simões Carneiro e João Braga. A sua formação era idêntica à dos Shadows e os temas tinham, também, semelhanças com o grupo inglês... Gravam o seu primeiro EP com temas populares como " Canção da Beira Baixa" e "Vira da Nazaré" , para além de "Menino D'oiro" de José Afonso; todos instrumentais e tocados à moda dos Shadows. Gravam ainda outro single que inclui " Tema Para os Titãs" … O grupo sofre uma evolução, em 1967, com a entrada de instrumentos de sopro e vocalista. Um dos membros que entra para o grupo é José Lello …  toca saxofone e canta …Os Shadows Portugueses, apesar de tudo, durarão pouco mais tempo, já que a separação acontece ainda antes do início da década de 70.”.

CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - SOSPESA AD UN FILO

Para mim o Conjunto Oliveira Muge foi sempre, e vai ser, a banda do Sr. Policarpo (proprietário do extinto restaurante Progresso, onde almoçava, normalmente ao Domingo, com os meus avós e pais, e marido da minha professora primária, D. Guida, na escola da Ponte Nova) e do Sr. Muge (dono da primeira loja de discos que visitei na minha vida “Mundo da Música”, se não falha a memória, e avo da Mafalda, amiga da Sara). Mas, há muita história por trás deste conjunto. Não apenas o êxito “Mãe” e as saudades que deixou a toda uma geração que voltou, e lutou, no Ultramar. Com o desejo de fazer algo mais sobre este Conjunto, não tão esquecido como alguns possam pensar, começo por “roubar” uma pequena biografia. Vamos ver o que o futuro trará. Tanto quanto é do meu conhecimento a discografia do Conjunto é a seguinte: And The Heavens Cry, 7"EP, 1966; On The Road With The Conjunto Oliveira Muge, 7"EP, 1967; Sospesa ad Un Filo, 7"EP, 1967; A Mãe, 7"EP, Parlophone-VC, 1968, Piange Con Me, 7"EP, 1968, Longe de Ti, 7"EP, Roda-J.C.Donas, 1969. 

Fonte: Guedelhudos.blogspot.com “ Conjunto de Oliveira Muge, originário de Ovar/Aveiro, era inicialmente constituído por José Muge (piano), Joaquim Silva (baixo e vocalista), Alberto Capitão (acordeão), António Biscaia (bateria) e António Policarpo (viola e vocalista). As suas primeiras actuações remontam aos longínquos anos de 1959/60, onde actuaram ao vivo em Ovar, no Café Progresso e Orfeão de Ovar e ainda noutras localidades do distrito de Aveiro, assim como no Porto, nos estúdios da RTP, com dois programas em directo e no Rádio Club Português (RCP/Norte). No final da década de 50, António Oliveira Muge (já falecido) foi o primeiro a partir da sua terra natal (Ovar) para Vila Pery/Moçambique. Nessas terras de magia e feitiço, António Muge e mais tarde o seu irmão José Oliveira Muge, conjuntamente com António Policarpo Oliveira Costa e o Victor (um militar pertencente ao batalhão ali existente), formaram o grupo. Começaram a notabilizar-se rapidamente, pois com um nível fora do comum, abrilhantavam bailes, festas e outros eventos, na região de Manica e Sofala. Quando da passagem de José Muge e de Policarpo por Lourenço Marques, elementos do Rádio Clube de Moçambique foram ao paquete Infante D. Henrique, onde viajavam, convidá-los para fazer um programa ao vivo no auditório dos seus estúdios, programa esse que teve um grande sucesso. Foram também convidados pelo comandante do paquete para ficar no navio como conjunto residente, em alternância com o que já lá actuava. O Victor, entretanto, face à retirada para Portugal do batalhão a que pertencia, teve de deixar o conjunto, entrando para o seu lugar o António Biscaia, que, entretanto, vindo de Portugal, se juntou ao agrupamento, continuando o António Muge a tocar o contra-baixo. Os êxitos iam-se repetindo, agora já fora das nossas fronteiras, especialmente em Salisbury, na Rodésia, onde todas as sextas-feiras iam aos estúdios da televisão local fazer o “Seven Three Oh Show”, em horário nobre. Como também actuavam noutros locais dessa cidade, como clubes e hotéis, surgiu-lhes um contrato para actuar durante um mês em Nairobi, no Quénia, num dos melhores hotéis da capital, o “New Stanley Hotel” e onde também fizeram um programa de TV nos estúdios locais. De novo em Moçambique, o Biscaia, por motivos imprevistos, teve de abandonar o conjunto, entrando para o seu lugar o José Violante que tocava baixo, passando o António Muge para a bateria. Em 1964 foi-lhes concedido pela imprensa moçambicana, o primeiro prémio de “O Melhor Conjunto de Gente Nova”, o que contribuiu para que fossem solicitados a deslocar-se, além do “seu território” de Manica e Sofala, mas também a outras localidades como Lourenço Marques, onde actuaram e receberam o referido prémio, assim como a Quelimane, Nampula, António Enes, Tete, etc… Em 1965, com o Sr. Moura da Rádio Aero Clube da Beira, foi editado o 1º EP, gravado nos estúdios da Emissora, embora com a tecnologia disponível, mas que mesmo assim, para a época, ficou bastante bom e obteve êxito. Em 1966, surgiu a hipótese de se deslocarem à África do Sul, o que veio a acontecer. Em Joanesburgo, nos estúdios da EMI/Parlophone, gravaram o famoso disco, onde se incluía a faixa “A Mãe”, de autoria de António Policarpo, tema esse que nessa altura se dizia estar proibido de ser difundido em Portugal, por questões que se interligavam com a guerra do Ultramar. Em 1967 voltaram a Joanesburgo, onde gravaram mais 2 EPs que também foram muito popularizados … O tema “A Mãe” foi das canções mais solicitadas pelos militares em Moçambique, no período da Guerra Colonial...Entretanto decorria a Guerra Colonial. O grande êxito do compositor Policarpo Costa era sem dúvida uma canção sentimental que lembrava a separação, a dor da partida, a distância das famílias e os militares e acima de tudo as saudades que os militares tinham das suas “mães”...Posteriormente, em 3 de Julho de 1976, o grupo reapareceu actuando durante vários anos no Restaurante Progresso na praia do Furadouro/Ovar, não faltando no seu vasto repertório, os ritmos africanos de Moçambique e não só.”

A versão original Italiana é de uma banda chamada "Corvi".
Mas, na realidade, a música original pertence aos Electric Prunes. "I´ve had to much to Dream Last Night", de 1966, é um excelente exemplo de Garage/Surf/Psycodelia.