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TELECTU - DIGITAL BUIÇA (1990)
Telectu é o projeto de Jorge Lima Barreto e Vítor Rua que, tanto quanto sei, existiu entre finais da década de 1980 até a morte daquele em 2011. O seu nome provem de um poema de Melo e Castro e são um duo - ou um trio consoante se considere a intervenção de António Palolo - de “avant-garde”, eletrónica experimental e que percorre os terrenos do Jazz, Free Jazz, Rock e Dub. Mais uma vez, foi através da Ama Romanta, que os conheci e que levaram aos concertos no Meia-Cave, Aniki Bobo e Labirinto na década de noventa do século passado. Foi também nessa altura que comprei, de um colega no Colégio dos Carvalhos, o 12”” Digital Buiça e que guardo, religiosamente, desde essa altura. Esta emoldurado e ocupa um lugar de destaque na minha sala. A importância do disco não está relacionado com a raridade do mesmo, que efetivamente tem, mas com o facto de ser mais uma exploração sonora que envolve diversas áreas criativas. Só assim se percebe a colaboração, que ocorreu durante décadas, com o poeta e ensaísta Melo e Castro que, neste caso, assina a arte na capa. Este é um daqueles casos em que o disco, enquanto suporte físico, é uma verdadeira obra de arte. O disco foi uma das edições da Tragic Figures - editora baseada no Porto - que começou a editar cassetes e uma fanzine - Vertigo - ligada à música industrial e dark wave. P.S.: Júlio Isidro também os ajudou a crescer e, da parte do José Pedro Gomes e Herman José, receberam a justa homenagem com as 4 estações.
Linha Geral - Ousadia
"Riso, outro riso mais aberto,
Outro canto mais sentido,
Outros gestos, outra voz.
Outro golpe mais ousado,
Outro dia mais liberto,
Mais sereno e soalheiro.
Outro canto, mais revolto
Mais aceso, mais aceso
Outros espelhos, outra glória.
Rumos, outros rumos e perigos,
Outro mar desconhecido,
Outras sombras, outra luz.
Outros hinos, mais vibrantes,
Outros sonhos e esperanças,
Outros céus e claridades.
Outro canto mais revolto,
Mais aceso, mais aceso,
Outros prantos, outra glória.
Faremos do medo, ousadia.
Da noite, manhã clara.
Do fado, outro destino.
Do terror, alegria."
MLER IF DADA
Quando o Vitor Belanciano anunciou o retorno dos Mler Ife Dada pensei que era sol de pouca dura. Agora, que se aproxima o dia 14, dúvidas existenciais assombram o meu espírito. Será que eles vão pescar "L'Amour Va Bien, Merci" ? Uma das rodelas vinilicas que mais persegue o meu imaginário sonoro. Até porque, do lado B, estava uma versão do "Ele e Ela" da Madalena Iglésias.
CÃES VADIOS - REI DOR (1991)
Os Cães Vadios foram uma das bandas nacionais que, ao lado dos Repórter Estrábico, mais vi actuar. Foi durante a década de noventa que acompanhei David Dano, Lucas e o Óscar. Recordo, como se fosse ontem, os concertos no Ritual Rock, Labirinto, Palha d' Aço, entre muitos outros. Tenho pena que o álbum, embora preparado, nunca tenha sido lançado. A "Rei Dor" fez parte da K7 "T-Secret Sessions" do Fanzine "Peresgotika". Foi gravado na sala de ensaios, do grupo, em 4 pistas, em princípios de 1991. A formação era composta por David Dano (voz), Guilherme Lucas (guitarra), Óscar (baixo) e Carlos Moura (bateria). Nesta altura Guilherme Lucas e Carlos Moura eram os sobreviventes da formação original.
De forma a ficarem com um pouco mais de história sobre os Cães Vadios deixo aqui o texto constante do site www.anos80.no.sapo.pt: "O grupo surgiu em Novembro de 1985 na cidade do Porto. Começaram por se chamar A Moral dos Idiotas mas rapidamente mudaram de nome para Os Cães, A Morte E O Desejo. A primeira formação incluía Carlos Moura (voz), Guilherme Lucas (guitarra ritmo), Vítor Guedes (guitarra solo), Pedro Duarte (baixo) e Pi (bateria). Já com Calheiros na bateria gravam, em Dezembro desse ano, o tema "Elvis - Swing de Uma Noite de Verão" para o duplo LP "Divergências" da Ama Romanta. O grupo inseria-se no movimento Rockabilly/Psychobilly. Calheiros e Pedro Duarte saem do grupo e Carlos Moura passa para a bateria. Para o lugar de vocalista entrou Rodrigo Gramacho. Os primeiros concertos da banda realizam-se no Solar da Cruz Vermelha, em Massarelos, Porto, nos dias 12 de Julho e 2 de Agosto de 1986. Em Setembro desse ano mudam o nome para Cães Vadios. No início de 1987, a Ama Romanta lançou um single, produzido por Nuno Rebelo, com os temas "Cães Vadios", "Bêbado" e "Marcianos". O lado A toca a 45 RPM e o B, com dois temas, a 33 RPM. A k7 "Bem Fundo", de 1991, é editada em França pela indie "Eat Rekords" e distribuída na Alemanha com o fanzine "Urbem". Nesta altura a banda já estava virada para o hardcore [NECROCORE-SEXOCORE-LOVECORE] e na nova formação militavam David Dano (voz), o ex-Cagalhões Óscar Q. (baixo), Guilherme Lucas (guitarra) e Carlos Moura (bateria). O tema "Bem Fundo" é incluído na compilação "Distorção Caleidoscópica" com o teledisco a ser divulgado no programa Pop-Off. Em Outubro de 1992 fizeram a primeira parte dos três concertos que os Young Gods deram em Lisboa, Coimbra e Porto. Em 1993 mudam de baterista com a entrada de Zé Borges (ex-Alucina Eugénio). Gravam uma nova maqueta com os temas "Sou Único", "Mental City" e "Só". "Mental City" é incluído na compilação "Portugal Rebelde Vol.1" e " Sou Único " aparece na primeira colectânea da revista "Ritual Rock".
JOÃO PESTE & ACIDOXIBORDEL
"Tinha as mãos dormentes e os meus olhos iluminavam-se de violeta. Podia até sentir o espirito de Rimbaud adormecendo lentamente no meu colo...". João Peste & Acidoxibordel, Clio Software, 1990, Ama Romanta.
Em finais da década de oitenta, após a edição do mini-lp “Illogik Plastik”, os Pop Dell’ Arte decidem fazer uma pequena pausa que duraria até 1991. Durante esse interregno, João Peste, Zé Pedro Moura, Sapo, Rafael Toral, Jorge Ferraz, Nuno Tempero, Rodrigo Amado e David Souza, criam o colectivo João Peste & Acidoxibordel. No extinto espaço lisboeta, “Rock Rendez-Vous”, deram um primeiro concerto, em 10 de Julho de 1989, e, mais tarde, no concerto de Natal, desse mesmo ano, que contou com a presença dos Mler Ife Dada, Sitiados, Essa Entente e Mão Morta. A duração seria efémera, tendo sido dissolvido, em Fevereiro de 1990, supostamente em virtude de divergências internas entre os dois principais mentores do projecto, João Peste e Jorge Ferraz. Todavia, em Julho desse mesmo ano foi editado (Ama Romanta - MR0019) o EP homónimo que, em 2000, teve direito a uma reedição, em formato CD-Single, pela Candy Factory. Em ambos os suportes, o alinhamento é o mesmo: Groovy Noise-Dada Rock, Clio Software, Cocaine, Amigo, Distante Domingo (TL-2 Napoleon). Todo este E.P. parece ser uma viagem a uma dimensão alternativa de som, imagem e cor, ligada a um novo mundo digital, permitida por um universo lisergico povoado, de acordo com os seus autores, pelos Sonic Youth, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Butthole Surfers, Kurt Schwitters, Almada Negreiros, Wyndham Lewis, Jean Cocteau e Pablo Neruda. Espero que gostem.
Em finais da década de oitenta, após a edição do mini-lp “Illogik Plastik”, os Pop Dell’ Arte decidem fazer uma pequena pausa que duraria até 1991. Durante esse interregno, João Peste, Zé Pedro Moura, Sapo, Rafael Toral, Jorge Ferraz, Nuno Tempero, Rodrigo Amado e David Souza, criam o colectivo João Peste & Acidoxibordel. No extinto espaço lisboeta, “Rock Rendez-Vous”, deram um primeiro concerto, em 10 de Julho de 1989, e, mais tarde, no concerto de Natal, desse mesmo ano, que contou com a presença dos Mler Ife Dada, Sitiados, Essa Entente e Mão Morta. A duração seria efémera, tendo sido dissolvido, em Fevereiro de 1990, supostamente em virtude de divergências internas entre os dois principais mentores do projecto, João Peste e Jorge Ferraz. Todavia, em Julho desse mesmo ano foi editado (Ama Romanta - MR0019) o EP homónimo que, em 2000, teve direito a uma reedição, em formato CD-Single, pela Candy Factory. Em ambos os suportes, o alinhamento é o mesmo: Groovy Noise-Dada Rock, Clio Software, Cocaine, Amigo, Distante Domingo (TL-2 Napoleon). Todo este E.P. parece ser uma viagem a uma dimensão alternativa de som, imagem e cor, ligada a um novo mundo digital, permitida por um universo lisergico povoado, de acordo com os seus autores, pelos Sonic Youth, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Butthole Surfers, Kurt Schwitters, Almada Negreiros, Wyndham Lewis, Jean Cocteau e Pablo Neruda. Espero que gostem.
JOÃO PESTE & ACIDOXI BORDEL
Acabei de fazer algo que nunca pensei possivel...
Vendi o Maxi do João Peste & Acidoxibordel... Sim... O vinil da Ama Romanta, de 1990, com aquelas letras lindas em branco sob fundo azul... É a vida... Não tem a ver com o preço mas com uma atitude que cultivo de não apego a coisas materiais. É apenas um disco... Uma peça de vinil com um cartão à volta. Não devia custar, mas custa. Que se lixe... Mudei uma serie de coisas na minha vida e esta é uma delas. Não me arrependo. Já despachei quase toda a minha colecção... Deixo aqui a "Groovy Noise-Dada Rock". Um excelente disco, uma peça da história da Musica Portuguesa que agora vai ser devidamente apreciada e cuidada por outra pessoa.
In Trompa: “Eu entro em delírio com as imagens escondidas na tua mente“. Nele pululam Zé Pedro Moura, Sapo, Rafael Toral, Jorge Ferraz, Nuno Tempero, Rodrigo Amado, David Souza e…João Peste. Alucinado, ácido, meio demente, surreal, demente e meio, muito ácido, alucinado…sim, é um disco em alucinação permanente, como que vagueando etéreo pelos campos da súbita loucura. Também não será grande a novidade. Foi bom enquanto durou mas durou pouco, apenas o escasso tempo de um prazer curto mas intenso. É assim Acidoxibordel. Foi assim. Um prazer intenso…perturbante. Sim, porque não, a obra de João Peste e dos que o acompanham, tem sempre o seu quê de perturbante, desenquadrada dos limites da normalidade, da sobriedade, desenquadrada dos limites de um certo produzir banal. Aqui, há um qualquer desespero perturbador. Há. Foi bom recordar uma vez mais, o imenso performer que é João Peste."
Vendi o Maxi do João Peste & Acidoxibordel... Sim... O vinil da Ama Romanta, de 1990, com aquelas letras lindas em branco sob fundo azul... É a vida... Não tem a ver com o preço mas com uma atitude que cultivo de não apego a coisas materiais. É apenas um disco... Uma peça de vinil com um cartão à volta. Não devia custar, mas custa. Que se lixe... Mudei uma serie de coisas na minha vida e esta é uma delas. Não me arrependo. Já despachei quase toda a minha colecção... Deixo aqui a "Groovy Noise-Dada Rock". Um excelente disco, uma peça da história da Musica Portuguesa que agora vai ser devidamente apreciada e cuidada por outra pessoa.
In Trompa: “Eu entro em delírio com as imagens escondidas na tua mente“. Nele pululam Zé Pedro Moura, Sapo, Rafael Toral, Jorge Ferraz, Nuno Tempero, Rodrigo Amado, David Souza e…João Peste. Alucinado, ácido, meio demente, surreal, demente e meio, muito ácido, alucinado…sim, é um disco em alucinação permanente, como que vagueando etéreo pelos campos da súbita loucura. Também não será grande a novidade. Foi bom enquanto durou mas durou pouco, apenas o escasso tempo de um prazer curto mas intenso. É assim Acidoxibordel. Foi assim. Um prazer intenso…perturbante. Sim, porque não, a obra de João Peste e dos que o acompanham, tem sempre o seu quê de perturbante, desenquadrada dos limites da normalidade, da sobriedade, desenquadrada dos limites de um certo produzir banal. Aqui, há um qualquer desespero perturbador. Há. Foi bom recordar uma vez mais, o imenso performer que é João Peste."
OSSO EXOTICO
"Since 1989, the Portugal avant garde ensemble Osso Exótico have created a stunning body of work. Current members are André Maranha, David Maranha and Patricia Machás, but besides the recordings, very little historical information can be found about the group. Rather, the music speaks for itself. Percussionist Z’EV, who has spent the better part of 40 years finding ways to coax sound out of material, and then creating a mystic cacaphony out of it, also uses sound as communication. Together, this grouping produces quite a statement, as sound becomes something unexplained by words, yet shared as an experience. Here, long stretches of rhythmic and bubbling organ are matched by large bass drum patterns that culminate in an expansive psychedelic pool of sound. This isn’t glassine drone music. It spews the grit of Tony Conrad and the trance of Terry Riley, while radiating the experience of a sweat lodge in a behemoth explosion of tribal minimalism; only digressing for a segment of spatial hums and large frequencies rubbed from the surfaces of metal, before it dives back into oblivion. With no sound processing, the result is a highly natural, grossly enigmatic, and deeply energized recording. The power is yours for the taking. Released in an edition of 500 and packaged in an offset printed chipboard envelope. Born in 1969, david maranha, started his work in music in 1986, both solo and with the group osso exótico from whom is founder. Plays and releases his music on a regular basis in Europe and in the USA, since then. His late works, using traditional or classical instruments sometimes modified, focuses on small variations of harmonics and overtones, on the opposite of scientific, more in a ritualistic approach. He also develops his own projects as architect since 1993, such as schools, museums, hospitals and cemeteries.". Os Osso Exótico, fazem uma performance em Serralves no próximo Sabado. Infelizmente, vou ter a visita de duas pessoas muito especiais para jantar em minha casa. Por isso, fico pelo You Tube e com a colaboração do Blog, “Discos com Sono”, com o Osso Exótico II (Cargo, 1991)GRITO FINAL
“E depois do holocausto… O Grito Final!”
“Porque escrever sobre os Grito Final?
Esta foi a pergunta que alguns amigos fizeram. Afinal, não são mais do que uma banda Punk dos anos oitenta que deixaram duas músicas gravadas na colectânea da Ama Romanta, Divergências, e um ensaio, sobre a forma de Demo tape, no distante ano de 1986.
Não pretendo fazer uma investigação profunda sobre o fenómeno Punk em Portugal, nem um laudo aos Grito Final como a banda que podia ter sido.
Estávamos no inicio da década de noventa e era um puto com 15 anos. Como milhares de miúdos, era devoto dos Dead Kennedys, Black Flag e Minor Threat, e tentava fugir para ver concertos dos X-Acto, Inkisição e, quando queria ser mais radical, Gangrena.
Nessa altura alguém terá gravado uma k7 com a colectânea Divergências.
“Ouve os Grito Final. Vais gostar.”dizia ele. Tinham um som menos agressivo e com uma base rítmica mais forte típico de algumas bandas que anos mais tarde vim a ouvir. Corri a cassete toda até ouvir o baixo inicial do Ser Soldado.
Peguei noutra cassete e gravei as músicas Ser Soldado/Bairro da Fome, juntamente com os X-Acto (Metes-me Nojo), Inkisição (Porcos Fascistas), Censurados (Animais), Peste & Sida (Veneno), Vomito (Sou Só Mais Um), entre outras que não recordo.
Foi a minha cassete de eleição durante os meses seguintes.
Banda sonora de viagens de comboio para Coimbra, Povoa de Varzim, Lisboa ou Porto. Musicas que se ouviam, e partilhavam, no walkman em tardes de Surf em Cortegaça.
Os Grito Final representavam aquilo que sentia na altura. Revolta. Alguma consciência social (fui educado pelo meu pai, não a força do chinelo, mas do José Mário Branco, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, entre outros). Respeito pelo meio ambiente, pelas minorias e pelos animais (cheguei a participar numa manifestação Anti - Touradas em Espinho).
Mas, acima de tudo, os Grito Final eram um pequeno tesouro que os meus amigos não conheciam.
Sei que era um sentimento egoísta mas, como qualquer fanático de uma banda, eles eram “meus”… Nessa altura era um puto formatado. Tudo o que não viesse com a sigla Punk, Anarquia, Caos ou Revolta, não gostava. Era um bocadinho limitado.
Depois de muitos meses decidi voltar à Divergências. Queria ver se existia mais alguma banda com o som parecido.
Tenho de fazer aqui uma pequena nota. A Divergências é o resultado da convergência de vontades de 14 bandas portuguesas, e alguns músicos individuais, que, como se de uma cooperativa se tratasse, criaram um duplo LP, em 1986, de forma a produzir e divulgar música sem restrições.
João Gobern, no extinto jornal “Sete”, reconhecia o disco, e as bandas que nele interviram, como uma ruptura contra o império radiofónico estabelecido, o “top-disco”, as linhas editoriais que esquecem a música portuguesa, referindo-se a mesma como “… um titulo e um exemplo dos novos caminhos da música portuguesa. Mas é também um ponto de partida para uma reflexão sobre o que é e para onde vai a música “de todos nós”…”. Quanto a mim, se não fossem os Grito Final não teria voltado à Divergências.
Não saberia o que era a Ama Romanta e talvez não tivesse chegado aos Pop dell Arte, Santa Maria Gasolina em Seu Ventre ou Mão Morta. Tal como uma qualquer abelhinha trabalhadora, comecei a investigar de onde vinha o som daquelas bandas.
Comecei a ouvir Pixies, Joy Division, Sonic Youth, Fall, Beastie Boys, entre muitos outros. Escavei mais fundo e descobri Neil Young.
Entendi o fenómeno Grunge e aprendi a respeitar e a gostar de música electrónica.
A minha mente estava receptiva a toda uma infinidade de realidades musicais diversas daquelas que estava habituado a ouvir.
Por isso é que os Grito Final foram importantes para mim. Fizeram parte do meu imaginário Punk mas foram a porta de entrada para todo um novo universo musical. Este é o primeiro de alguns artigos que gostaria de escrever sobre os Grito Final.
Tenho recolhido algum material e tentei entrar em contacto com os membros sobreviventes da banda de forma a poder fazer algo factualmente correcto.
Vamos esperar por novos capítulos.
Espero que tenham gostado.
Esta foi a pergunta que alguns amigos fizeram. Afinal, não são mais do que uma banda Punk dos anos oitenta que deixaram duas músicas gravadas na colectânea da Ama Romanta, Divergências, e um ensaio, sobre a forma de Demo tape, no distante ano de 1986.
Não pretendo fazer uma investigação profunda sobre o fenómeno Punk em Portugal, nem um laudo aos Grito Final como a banda que podia ter sido.
Estávamos no inicio da década de noventa e era um puto com 15 anos. Como milhares de miúdos, era devoto dos Dead Kennedys, Black Flag e Minor Threat, e tentava fugir para ver concertos dos X-Acto, Inkisição e, quando queria ser mais radical, Gangrena.
Nessa altura alguém terá gravado uma k7 com a colectânea Divergências.
“Ouve os Grito Final. Vais gostar.”dizia ele. Tinham um som menos agressivo e com uma base rítmica mais forte típico de algumas bandas que anos mais tarde vim a ouvir. Corri a cassete toda até ouvir o baixo inicial do Ser Soldado.
Peguei noutra cassete e gravei as músicas Ser Soldado/Bairro da Fome, juntamente com os X-Acto (Metes-me Nojo), Inkisição (Porcos Fascistas), Censurados (Animais), Peste & Sida (Veneno), Vomito (Sou Só Mais Um), entre outras que não recordo.
Foi a minha cassete de eleição durante os meses seguintes.
Banda sonora de viagens de comboio para Coimbra, Povoa de Varzim, Lisboa ou Porto. Musicas que se ouviam, e partilhavam, no walkman em tardes de Surf em Cortegaça.
Os Grito Final representavam aquilo que sentia na altura. Revolta. Alguma consciência social (fui educado pelo meu pai, não a força do chinelo, mas do José Mário Branco, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, entre outros). Respeito pelo meio ambiente, pelas minorias e pelos animais (cheguei a participar numa manifestação Anti - Touradas em Espinho).
Mas, acima de tudo, os Grito Final eram um pequeno tesouro que os meus amigos não conheciam.
Sei que era um sentimento egoísta mas, como qualquer fanático de uma banda, eles eram “meus”… Nessa altura era um puto formatado. Tudo o que não viesse com a sigla Punk, Anarquia, Caos ou Revolta, não gostava. Era um bocadinho limitado.
Depois de muitos meses decidi voltar à Divergências. Queria ver se existia mais alguma banda com o som parecido.
Tenho de fazer aqui uma pequena nota. A Divergências é o resultado da convergência de vontades de 14 bandas portuguesas, e alguns músicos individuais, que, como se de uma cooperativa se tratasse, criaram um duplo LP, em 1986, de forma a produzir e divulgar música sem restrições.
João Gobern, no extinto jornal “Sete”, reconhecia o disco, e as bandas que nele interviram, como uma ruptura contra o império radiofónico estabelecido, o “top-disco”, as linhas editoriais que esquecem a música portuguesa, referindo-se a mesma como “… um titulo e um exemplo dos novos caminhos da música portuguesa. Mas é também um ponto de partida para uma reflexão sobre o que é e para onde vai a música “de todos nós”…”. Quanto a mim, se não fossem os Grito Final não teria voltado à Divergências.
Não saberia o que era a Ama Romanta e talvez não tivesse chegado aos Pop dell Arte, Santa Maria Gasolina em Seu Ventre ou Mão Morta. Tal como uma qualquer abelhinha trabalhadora, comecei a investigar de onde vinha o som daquelas bandas.
Comecei a ouvir Pixies, Joy Division, Sonic Youth, Fall, Beastie Boys, entre muitos outros. Escavei mais fundo e descobri Neil Young.
Entendi o fenómeno Grunge e aprendi a respeitar e a gostar de música electrónica.
A minha mente estava receptiva a toda uma infinidade de realidades musicais diversas daquelas que estava habituado a ouvir.
Por isso é que os Grito Final foram importantes para mim. Fizeram parte do meu imaginário Punk mas foram a porta de entrada para todo um novo universo musical. Este é o primeiro de alguns artigos que gostaria de escrever sobre os Grito Final.
Tenho recolhido algum material e tentei entrar em contacto com os membros sobreviventes da banda de forma a poder fazer algo factualmente correcto.
Vamos esperar por novos capítulos.
Espero que tenham gostado.
POP DELL´ARTE - QUERELLE
Como estou numa de história, e ando a tentar passar os discos da Ama Romanta para formato MP3, aqui fica uma amostra de um dos períodos mais originais e interessantes da música portuguesa. Em 1986, os Pop Dell Arte gravaram o máxi-single Querelle/ Mai 86 . "Arriba Avanti Pop Dell´Arte".
MÃO MORTA
Ouvir Mão Morta é um cocktail de sensações que nos faz “…sentir o vento frio na cara…” (1), ou ficar “…horas a olhar para uma mancha na parede…" (2), como “… anjos de pureza evadidos dos lazeres…”(3).
Pode ser um cenário onde “… vinha um homem; Encoberto pelas sombras da noite…” (4), e onde “… o silêncio acompanhava o olhar vazio; A dor”, (5). As vezes sentimos que “…não há nada a escolher” (6), e só nos falta ir “…para a revolução Fazer a festa de cocktail na mão”(7) mas, “Tem calma irmão, Que a morte não precisa ser assim, Canta e vais ver, Que a vida não te larga mais por fim” (8). Será que “Sopra forte o vento na fogueira que arde em mim Sinto a selva agreste nos batuques do meu peito”(9)? Mas se “…O desejo persistir…”? (10) e que “…Faz de mim um escravo” (11)? A resposta só pode ser uma, “Num sonho de mil e uma fantasias, O desejo cruzando os neons, Em projecções plásticas...” (12) onde os “Os paralelos asfixiam a alma; Solidão, saudade” (13), sinto que “ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM, ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM”, (14). Nota: este texto foi construído com base em músicas que os Mão Morta tocaram na passada sexta feira:
(1) Amesterdão, S.21 Mutantes, Fungui, 1992.
(2) Tu disseste, Primavera de Destroços, CD, NorteSul, 2001.
(3) Anjos de Pureza, Há Já Muito Tempo que Nesta Latrina o Ar se Tornou Irrespirável, CD, NorteSul, 1998.
(4) Anarquista Duval, O.D., Rainha do Rock & Crawl, LP, Área Total, 1991 / CD, NorteSul, 1998.
(5) Arrastando o seu Cadáver, Primavera de Destroços, CD, NorteSul, 2001.
(6) Tetas das Alienação, Há Já Muito Tempo que Nesta Latrina o Ar se Tornou Irrespirável, CD, NorteSul, 1998.
(7) Charles Manson, O.D., Rainha do Rock & Crawl, LP, Área Total, 1991 / CD, NorteSul, 1998.
(8) Gnoma, Nus, CD, Cobra, 2004 / LP, Lux Records, 2004.
(9) Cão da Morte, Primavera de Destroços,CD, NorteSul, 2001.
(10) “E se depois”, Mão Morta, LP, Ama Romanta, 1988 / CD, NorteSul, 1998.(11) Quero morder te as mãos, O.D., Rainha do Rock & Crawl, LP, Área Total, 1991 / CD, NorteSul, 1998.
(12) Lisboa, S.21 Mutantes, Fungui, 1992.
(13) 1.º Novembro, O.D., Rainha do Rock & Crawl, LP, Área Total, 1991 / CD, NorteSul,1998.
(14) Penso que Penso, Primavera de Destroços CD, NorteSul, 2001.
Pode ser um cenário onde “… vinha um homem; Encoberto pelas sombras da noite…” (4), e onde “… o silêncio acompanhava o olhar vazio; A dor”, (5). As vezes sentimos que “…não há nada a escolher” (6), e só nos falta ir “…para a revolução Fazer a festa de cocktail na mão”(7) mas, “Tem calma irmão, Que a morte não precisa ser assim, Canta e vais ver, Que a vida não te larga mais por fim” (8). Será que “Sopra forte o vento na fogueira que arde em mim Sinto a selva agreste nos batuques do meu peito”(9)? Mas se “…O desejo persistir…”? (10) e que “…Faz de mim um escravo” (11)? A resposta só pode ser uma, “Num sonho de mil e uma fantasias, O desejo cruzando os neons, Em projecções plásticas...” (12) onde os “Os paralelos asfixiam a alma; Solidão, saudade” (13), sinto que “ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM, ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM”, (14). Nota: este texto foi construído com base em músicas que os Mão Morta tocaram na passada sexta feira:
(1) Amesterdão, S.21 Mutantes, Fungui, 1992.
(2) Tu disseste, Primavera de Destroços, CD, NorteSul, 2001.
(3) Anjos de Pureza, Há Já Muito Tempo que Nesta Latrina o Ar se Tornou Irrespirável, CD, NorteSul, 1998.
(4) Anarquista Duval, O.D., Rainha do Rock & Crawl, LP, Área Total, 1991 / CD, NorteSul, 1998.
(5) Arrastando o seu Cadáver, Primavera de Destroços, CD, NorteSul, 2001.
(6) Tetas das Alienação, Há Já Muito Tempo que Nesta Latrina o Ar se Tornou Irrespirável, CD, NorteSul, 1998.
(7) Charles Manson, O.D., Rainha do Rock & Crawl, LP, Área Total, 1991 / CD, NorteSul, 1998.
(8) Gnoma, Nus, CD, Cobra, 2004 / LP, Lux Records, 2004.
(9) Cão da Morte, Primavera de Destroços,CD, NorteSul, 2001.
(10) “E se depois”, Mão Morta, LP, Ama Romanta, 1988 / CD, NorteSul, 1998.(11) Quero morder te as mãos, O.D., Rainha do Rock & Crawl, LP, Área Total, 1991 / CD, NorteSul, 1998.
(12) Lisboa, S.21 Mutantes, Fungui, 1992.
(13) 1.º Novembro, O.D., Rainha do Rock & Crawl, LP, Área Total, 1991 / CD, NorteSul,1998.
(14) Penso que Penso, Primavera de Destroços CD, NorteSul, 2001.
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