“…Grito Final, uma voz, uma palavra, muito mais que um berro, um grito já que o silêncio é rei nesta terra de surdos-mudos.”. Fanzine “Cadáver Esquisito”, Janeiro/Feveiro de 1986.
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GRITO FINAL - HISTÓRIA
1985 - Durante este ano os Grito Final continuam com concertos na Teia e tocam com os Mata – Ratos, Ku de Judas, Crise Total, Jovem Guarda e Linha Geral. Com vontade de sair da capital, em 5 de Março, no “Blitz”, espaço “Trocas/Vendas”, aparece o seguinte anúncio “Somos os Grito Final (punk rock) e gostaríamos de tocar no Porto, Coimbra e Braga. Tocamos em todos os lugares em beneficio de quem não tenha salários e/ou outros casos. Contactar: Caze – Travessa da boa Hora à Ajuda…”. Em Julho, conseguem tocar na Agitarte 85, em Aveiro, no Parque Exposições e Feiras de Aveiro, organizado pelo Grupo de Apoio a Cultura Subterrânea, num dia dedicado ao punk onde partilham o palco com a mítica banda de Aveiro Cagalhões, (banda da qual fez parte um jovem Óscar, integrante dos Renegados de Boliqueime, Cães Vadios, Speedtrack, Motornoise, entre muitos outros), com os Bastardos do Cardeal, de Viseu, (colegas da Divergência, e que, quase uma década depois, iriam originar os Major Alvega e os Lucretia Divina). Durante esse ano vão ainda tocar no Teatro Sousa Bastos em Coimbra. Chegam a estar inscritos para o 2.º Concurso de música moderna do Rock Rendez – Vous mas não são seleccionados. Nessa edição os Ena Pá 2000 foram considerados pelos organizadores como "Agrupamentos cujos projectos o Rock Rendez-Vous considera promessas interessantes” e na qual um Pop Dell´ Arte ganham o prémio da Originalidade. Fotos aqui, cortesia de Alexandre Tudela.
1986 - Foi o ano da implantação do CD em Portugal, da despedida dos Crise Total, num concerto com os Bastardos do Cardeal, no Rock Rendez Vous, e será o ano da revelação dos Mão Morta. Pouco consegui descobrir sobre os Grito Final nesse ano salvo a gravação de um ensaio , com um som relativamente fraco e que se junta a escassa discografia da banda composta por dois temas lançados na colectânea Divergências. Tanto quanto soube existe por parte da “Zerworks” a vontade de editar uma das músicas dos Grito Final no II Volume da Raridades e que já deveria ter sido lançada em Julho de 2009. Esse 7”” teria temas dos Ku de Judas e dos Condenação Pacífica. Aguardamos…
1986 - Foi o ano da implantação do CD em Portugal, da despedida dos Crise Total, num concerto com os Bastardos do Cardeal, no Rock Rendez Vous, e será o ano da revelação dos Mão Morta. Pouco consegui descobrir sobre os Grito Final nesse ano salvo a gravação de um ensaio , com um som relativamente fraco e que se junta a escassa discografia da banda composta por dois temas lançados na colectânea Divergências. Tanto quanto soube existe por parte da “Zerworks” a vontade de editar uma das músicas dos Grito Final no II Volume da Raridades e que já deveria ter sido lançada em Julho de 2009. Esse 7”” teria temas dos Ku de Judas e dos Condenação Pacífica. Aguardamos…
GRITO FINAL - HISTÓRIA
1983 - Os Grito Final nasceram no Bairro da Ajuda construído durante o antigo regime e que seguia uma linha de integração das camadas mais baixas da população. A classe operária, que neles habitava, era oriunda de meios rurais pelo que a vivência nesse bairro reproduzia, numa grande cidade, a vivência de uma aldeia e criou, nos seus habitantes, uma sensação de pertença e entreajuda. Foi este o ambiente que criou diversas bandas, durante a segunda vaga Punk nacional, entre elas os Grito Final. O seu primeiro concerto terá sido, em Setembro, na Escola Secundária Ferreira Borges.
1984 - Começam com um concerto na Teia durante o mês de Janeiro. Mas, logo de seguida, sofrem diversas baixas e, com um guitarrista convidado, em 28 de Julho, novamente na Teia, actuam no primeiro festival Punk português. O único elemento da formação original era Cazé (Baixo) e, em Setembro, a formação fica estabilizada com os seguintes membros: Alexandre (bateria), vindo da anterior banda de Cazé, Vitimas da Sociedade; João (guitarra - substitui Jorge Nunes que foi um dos membros originais dos Condenação Pacifica), e Luís Human (voz). É com esta formação que, em Dezembro desse ano, actuam, novamente no Teia, com os Furia Tribal e Napal Climax. Nasceu o Blitz. As rádios tinham uma importância fundamental na divulgação da música. Lá fora vivem os Bauhaus, Smiths, Cure, por cá já se fala sobre Breakdance, do primeiro campeonato nacional de discjockeys, dos UHF e Rádio Macau. O saudoso António Sérgio divulga os Gun Club, Joy Division e Motorhead. No Porto, as produções Novo Fogo e Arte organizam concertos com os Sétima Legião, GNR, entre outros. Era nesse ambiente que bandas como os Grito Final, Crise Total, Ku de Judas e os Cães, a Morte e o Desejo tentavam manter a chama de 76.
GRITO FINAL
“E depois do holocausto… O Grito Final!”
“Porque escrever sobre os Grito Final?
Esta foi a pergunta que alguns amigos fizeram. Afinal, não são mais do que uma banda Punk dos anos oitenta que deixaram duas músicas gravadas na colectânea da Ama Romanta, Divergências, e um ensaio, sobre a forma de Demo tape, no distante ano de 1986.
Não pretendo fazer uma investigação profunda sobre o fenómeno Punk em Portugal, nem um laudo aos Grito Final como a banda que podia ter sido.
Estávamos no inicio da década de noventa e era um puto com 15 anos. Como milhares de miúdos, era devoto dos Dead Kennedys, Black Flag e Minor Threat, e tentava fugir para ver concertos dos X-Acto, Inkisição e, quando queria ser mais radical, Gangrena.
Nessa altura alguém terá gravado uma k7 com a colectânea Divergências.
“Ouve os Grito Final. Vais gostar.”dizia ele. Tinham um som menos agressivo e com uma base rítmica mais forte típico de algumas bandas que anos mais tarde vim a ouvir. Corri a cassete toda até ouvir o baixo inicial do Ser Soldado.
Peguei noutra cassete e gravei as músicas Ser Soldado/Bairro da Fome, juntamente com os X-Acto (Metes-me Nojo), Inkisição (Porcos Fascistas), Censurados (Animais), Peste & Sida (Veneno), Vomito (Sou Só Mais Um), entre outras que não recordo.
Foi a minha cassete de eleição durante os meses seguintes.
Banda sonora de viagens de comboio para Coimbra, Povoa de Varzim, Lisboa ou Porto. Musicas que se ouviam, e partilhavam, no walkman em tardes de Surf em Cortegaça.
Os Grito Final representavam aquilo que sentia na altura. Revolta. Alguma consciência social (fui educado pelo meu pai, não a força do chinelo, mas do José Mário Branco, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, entre outros). Respeito pelo meio ambiente, pelas minorias e pelos animais (cheguei a participar numa manifestação Anti - Touradas em Espinho).
Mas, acima de tudo, os Grito Final eram um pequeno tesouro que os meus amigos não conheciam.
Sei que era um sentimento egoísta mas, como qualquer fanático de uma banda, eles eram “meus”… Nessa altura era um puto formatado. Tudo o que não viesse com a sigla Punk, Anarquia, Caos ou Revolta, não gostava. Era um bocadinho limitado.
Depois de muitos meses decidi voltar à Divergências. Queria ver se existia mais alguma banda com o som parecido.
Tenho de fazer aqui uma pequena nota. A Divergências é o resultado da convergência de vontades de 14 bandas portuguesas, e alguns músicos individuais, que, como se de uma cooperativa se tratasse, criaram um duplo LP, em 1986, de forma a produzir e divulgar música sem restrições.
João Gobern, no extinto jornal “Sete”, reconhecia o disco, e as bandas que nele interviram, como uma ruptura contra o império radiofónico estabelecido, o “top-disco”, as linhas editoriais que esquecem a música portuguesa, referindo-se a mesma como “… um titulo e um exemplo dos novos caminhos da música portuguesa. Mas é também um ponto de partida para uma reflexão sobre o que é e para onde vai a música “de todos nós”…”. Quanto a mim, se não fossem os Grito Final não teria voltado à Divergências.
Não saberia o que era a Ama Romanta e talvez não tivesse chegado aos Pop dell Arte, Santa Maria Gasolina em Seu Ventre ou Mão Morta. Tal como uma qualquer abelhinha trabalhadora, comecei a investigar de onde vinha o som daquelas bandas.
Comecei a ouvir Pixies, Joy Division, Sonic Youth, Fall, Beastie Boys, entre muitos outros. Escavei mais fundo e descobri Neil Young.
Entendi o fenómeno Grunge e aprendi a respeitar e a gostar de música electrónica.
A minha mente estava receptiva a toda uma infinidade de realidades musicais diversas daquelas que estava habituado a ouvir.
Por isso é que os Grito Final foram importantes para mim. Fizeram parte do meu imaginário Punk mas foram a porta de entrada para todo um novo universo musical. Este é o primeiro de alguns artigos que gostaria de escrever sobre os Grito Final.
Tenho recolhido algum material e tentei entrar em contacto com os membros sobreviventes da banda de forma a poder fazer algo factualmente correcto.
Vamos esperar por novos capítulos.
Espero que tenham gostado.
Esta foi a pergunta que alguns amigos fizeram. Afinal, não são mais do que uma banda Punk dos anos oitenta que deixaram duas músicas gravadas na colectânea da Ama Romanta, Divergências, e um ensaio, sobre a forma de Demo tape, no distante ano de 1986.
Não pretendo fazer uma investigação profunda sobre o fenómeno Punk em Portugal, nem um laudo aos Grito Final como a banda que podia ter sido.
Estávamos no inicio da década de noventa e era um puto com 15 anos. Como milhares de miúdos, era devoto dos Dead Kennedys, Black Flag e Minor Threat, e tentava fugir para ver concertos dos X-Acto, Inkisição e, quando queria ser mais radical, Gangrena.
Nessa altura alguém terá gravado uma k7 com a colectânea Divergências.
“Ouve os Grito Final. Vais gostar.”dizia ele. Tinham um som menos agressivo e com uma base rítmica mais forte típico de algumas bandas que anos mais tarde vim a ouvir. Corri a cassete toda até ouvir o baixo inicial do Ser Soldado.
Peguei noutra cassete e gravei as músicas Ser Soldado/Bairro da Fome, juntamente com os X-Acto (Metes-me Nojo), Inkisição (Porcos Fascistas), Censurados (Animais), Peste & Sida (Veneno), Vomito (Sou Só Mais Um), entre outras que não recordo.
Foi a minha cassete de eleição durante os meses seguintes.
Banda sonora de viagens de comboio para Coimbra, Povoa de Varzim, Lisboa ou Porto. Musicas que se ouviam, e partilhavam, no walkman em tardes de Surf em Cortegaça.
Os Grito Final representavam aquilo que sentia na altura. Revolta. Alguma consciência social (fui educado pelo meu pai, não a força do chinelo, mas do José Mário Branco, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, entre outros). Respeito pelo meio ambiente, pelas minorias e pelos animais (cheguei a participar numa manifestação Anti - Touradas em Espinho).
Mas, acima de tudo, os Grito Final eram um pequeno tesouro que os meus amigos não conheciam.
Sei que era um sentimento egoísta mas, como qualquer fanático de uma banda, eles eram “meus”… Nessa altura era um puto formatado. Tudo o que não viesse com a sigla Punk, Anarquia, Caos ou Revolta, não gostava. Era um bocadinho limitado.
Depois de muitos meses decidi voltar à Divergências. Queria ver se existia mais alguma banda com o som parecido.
Tenho de fazer aqui uma pequena nota. A Divergências é o resultado da convergência de vontades de 14 bandas portuguesas, e alguns músicos individuais, que, como se de uma cooperativa se tratasse, criaram um duplo LP, em 1986, de forma a produzir e divulgar música sem restrições.
João Gobern, no extinto jornal “Sete”, reconhecia o disco, e as bandas que nele interviram, como uma ruptura contra o império radiofónico estabelecido, o “top-disco”, as linhas editoriais que esquecem a música portuguesa, referindo-se a mesma como “… um titulo e um exemplo dos novos caminhos da música portuguesa. Mas é também um ponto de partida para uma reflexão sobre o que é e para onde vai a música “de todos nós”…”. Quanto a mim, se não fossem os Grito Final não teria voltado à Divergências.
Não saberia o que era a Ama Romanta e talvez não tivesse chegado aos Pop dell Arte, Santa Maria Gasolina em Seu Ventre ou Mão Morta. Tal como uma qualquer abelhinha trabalhadora, comecei a investigar de onde vinha o som daquelas bandas.
Comecei a ouvir Pixies, Joy Division, Sonic Youth, Fall, Beastie Boys, entre muitos outros. Escavei mais fundo e descobri Neil Young.
Entendi o fenómeno Grunge e aprendi a respeitar e a gostar de música electrónica.
A minha mente estava receptiva a toda uma infinidade de realidades musicais diversas daquelas que estava habituado a ouvir.
Por isso é que os Grito Final foram importantes para mim. Fizeram parte do meu imaginário Punk mas foram a porta de entrada para todo um novo universo musical. Este é o primeiro de alguns artigos que gostaria de escrever sobre os Grito Final.
Tenho recolhido algum material e tentei entrar em contacto com os membros sobreviventes da banda de forma a poder fazer algo factualmente correcto.
Vamos esperar por novos capítulos.
Espero que tenham gostado.
SEMENTES DE PECADO
Este "Post" pretende ser uma surpresa para o Maarten.
Um gajo porreiro, bom amigo e bom chefe de família (Benfas!).
Andamos sem contacto durante 8 anos até que, em 2004, quando vi passar uma carrinha de entrega de rações para animais descobri o número de telefone da empresa que o Pai geria.
Dai até entrar em contacto com ele foi um instante. Ainda bem que o fiz.
Vamos ao que interessa. Já passaram quase 17 anos desde que esta gravação foi feita. Sábado, 19 de Dezembro de 1992, 16h, uma estação de rádio (não sei se pirata) em Penacova transmitia o "Sementes de Pecado", programa de divulgação musical, feito por uns miúdos de 18 anos, a cargo do Francisco Duarte, com apoio técnico de José António Batista (To Pérola) e Maarten Ryon. O To Pérola não estava naquele dia (fazia anos) por isso ocupei o lugar dele.
Tão chato fui que consegui impingir "Grito Final", "Ramones" e "Sex Pistols". As outras músicas, mais "intelectuais", desta transmissão foram escolhidas pelo Maarten e pelo Chico.
Nesta gravação podem ouvir "Pearl Jam", "Cult", "Nirvana", "Breeders", "Jesus & Mary Chain", "Bodycount", "Sisters of Mercy", "Clash", entre muitos outros.
O alinhamento quase parece uma sessão nos "States" em Coimbra.
Essa discoteca era uma das razões pelas quais fugia muitas vezes para casa do Maarten (essa e o facto de podermos andar "wasted" sem controlo parental. Ficávamos a dormir num quarto separado da casa principal!).
Para ouvirem o Mp3 basta carregar no título do Post e serão reencaminhados para o leitor Zshare.
Caso prefiram, nessa mesma página, podem fazer o download do ficheiro.
Espero que gostem e, como diria o Chico, "Cultivem as vossas sementeiras!".
Tão chato fui que consegui impingir "Grito Final", "Ramones" e "Sex Pistols". As outras músicas, mais "intelectuais", desta transmissão foram escolhidas pelo Maarten e pelo Chico.
Nesta gravação podem ouvir "Pearl Jam", "Cult", "Nirvana", "Breeders", "Jesus & Mary Chain", "Bodycount", "Sisters of Mercy", "Clash", entre muitos outros.
O alinhamento quase parece uma sessão nos "States" em Coimbra.
Essa discoteca era uma das razões pelas quais fugia muitas vezes para casa do Maarten (essa e o facto de podermos andar "wasted" sem controlo parental. Ficávamos a dormir num quarto separado da casa principal!).
Para ouvirem o Mp3 basta carregar no título do Post e serão reencaminhados para o leitor Zshare.
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Espero que gostem e, como diria o Chico, "Cultivem as vossas sementeiras!".
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