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CONJUNTO TONY HERNANDEZ

Concerto em Espinho ou Ovar


Nota: O presente artigo foi elaborado em 2014 com base recortes de imprensa e nas informações que, muito gentilmente, o Dr. Herculano Almeida forneceu. Aproveito para agradecer toda a ajuda prestada, bem como a remessa do material fotográfico e correcção do texto. A antologia está disponível aqui.


Com um panorama musical muito limitado, para a época, onde as orquestras profissionais eram as principais animadoras das festas na região Norte, e em particular no Porto, a necessidade de acompanhar o “boom” musical a que se assistia sobretudo em Itália, foi determinante na criação de conjuntos musicais.

No final da década de cinquenta do século passado, além dos agrupamentos ligados á Universidade do Porto, aparecia o conjunto de Freitas Morna, de Heinz Worner (onde estava José Luís Tinoco e que gravou, em 1958, "Lullaby of Birdland", de George Shearing, "Foggy Day", de George Gershwin, "Ain't Misbehavin'", de Fats Waller e o 1.º EP da Orfeu ATEP 6000 com as músicas Anda Comigo | Escuta | E Agora Vem o Baião | Campino), Pedro Osório, Oliveira Muge, Walter Behrend, Jaime João, Sousa Pinto, entre outros. 

Nessa época a maior influência destes conjuntos advinham das músicas italianas de conjuntos como o de Marino Marini, Renato Carosone, Peppino di Capri ou Bruno Martino

A RTP dava os seus primeiros passos, em particular no Porto, nos estúdios do Monte da Virgem, onde foi criada uma rubrica de entretenimento que acolhia pode acolher as atuações de alguns destes conjuntos.

Foi por ocasião de um desses programas que António Herculano Ramalho se juntou aos irmãos António e João Almeida Garrett para, com pouco menos de 4 dias de ensaio, tocar a “Malaguena” e outras duas músicas. Este será o embrião, e formação base, do Conjunto.
10.06.1959 – 1.ª apresentação na RTP 
Em finais de 1958, e após esta atuação, o trio juntou-se a outros músicos e com eles formaram os Calipso. Harry Belafonte estava na moda com os seus Calipsos, um novo ritmo que se estreava pela Europa. Criaram um emblema: uma pauta musical, uma clave de sol, a servir de letra C e depois o resto “alipso” em dourado colocado sobre um casaco de fazenda azul.

Uma das suas primeiras actuações terá sido num Baile de Carnaval de 1959 onde foram contratados para tocar em Francelos, Vila Nova de Gaia e a formação original dos Calipso contava com: João Almeida Garrett (guitarra), António Almeida Garrett ( vibrafone, 2.ª guitarra e voz), António Ramalho de Almeida (contrabaixo acústico), Luís Barbosa (acordeonista originário do Conjunto de Heinz Worner), “Pablito” Pascual (pianista de curta duração no conjunto de onde saiu para ingressar os quadros da Universidade do Porto) e Armando Diamantino (baterista que rapidamente foi substituído em virtude do serviço militar).

Os primeiros instrumentos eram usados sendo que o contrabaixo – adquirido por 1.600$00 e pago em prestações - e a bateria – composta de vários materiais e de diversas origens – eram pertença do grupo e não dos músicos a título individual.

Os ensaios eram dirigidos pelo Professor António de Almeida Garrett, professor do Conservatório de Música do Porto, e pai do vocalista e guitarrista do Conjunto, que, como revela António Ramalho “… com uma paciência de santo, e uma qualidade pedagógica deveras excepcional, resolveu ceder parte do seu tempo a ensinar-nos música e a dirigir os ensaios em termos musicais…” onde ensaiavam músicas como “Piove” de Domenico Mudugno – uma das músicas mais requisitadas ao Conjunto quando alternavam, no Restaurante Belo Horizonte, com o Conjunto de Pedro Osório - “La Cumparsita” de Rodriguez Pena ou “The banana boat song” de Harry Belafonte. 

Entre finais de 1959 e 1960, serão gravados os primeiros EP’s do Conjunto que, nessa altura, contava com João Almeida Garrett, António Almeida Garrett, António Ramalho de Almeida, Luís Barbosa e os irmãos Aires. Carlos Aires no piano – lugar que ocupou durante pouco tempo em virtude do serviço militar – e Ruy Aires – anos mais tarde um conhecido empresário da noite do Porto – na Bateria.

Por essa altura deparam-se com um problema “sério”. Os conjuntos sem nome personalizado eram, em regra, orquestras de músicos profissionais. Por outro lado, a moda, obrigava a identificar o Conjunto com um nome. 

Por altura da gravação do 1.º EP, e já com esta formação, nasce o Conjunto Tony Hernandez sendo que o apelido advém da avó dos irmãos Almeida Garrett: Maria Luísa Hernandez.

Os discos da Alvorada (Rádio Triunfo) eram gravados nos antigos estúdios do Monte da Virgem que a RTP alugava a Arnaldo Trindade durante a noite. Ou seja, era normal os músicos saírem de lá as cinco e seis da manha. Por cada EP que o Conjunto gravou a Alvorada pagou 2.500$00 escudos ficando a mesma com todos os direitos de reprodução.
E com esta formação que vão ser gravados os EP’s na etiqueta Alvorada, MEP 60257 (1959) – Dona do Fado | Fado das Caldas | É Mezzanote | Sangue Toureiro; MEP 60335 (1960) Saudade Vai Te Embora | So Tu |Manuela| Baby Rock; MEP 60338 (1960) Quem é | Oh Carol Madragoa | De Manha Cedo; MEP 60379 (1960) A Pena do Mena | Charmaine | Estava Escrito no Cêu | Um Doido Como Eu.

Há duas curiosidades nestes EP’s. 

A primeira prende-se com a utilização nas capas dos discos da fotografia de modelos. Era normal, naquela época, as capas dos discos terem uma fotografia do Conjunto. Todavia, só passado algum tempo do lançamento dos EP’s MEP 60338 e 60379 é que o Conjunto foi confrontado com existência de diversas capas com essas modelos que desconheciam e cuja utilização foi-lhes completamente alheia.

A segunda prende-se com o crédito dado a um A. Santos nas músicas a “Pena do Mena” e “Estava Escrito no Cêu”. A primeira, um original do Conjunto, pretendeu ser a resposta nortenha ao “Lapis do Lopes” e a “Borracha do Rocha” do Conjunto Mário Simões, enquanto a segunda era uma adaptação da “C'est Écrit Dans Le Ciel” do franco-arabe Bob Azzam. Ambas contam com letra de A. Santos, Professor de Portugués do Liceu Nacional de Vila Real que irá acompanhar a vida do Conjunto por aquelas bandas aquando dos seus concertos.

Entre 1961 e 1963, surge a formação mais duradoura e mais conhecida do Conjunto Tony Hernandez que tinha João Almeida Garrett, António Almeida Garrett, António Ramalho de Almeida, Luís Barbosa, Ruy Aires aos quais se juntavam Simões da Hora, no piano, e Rogério de Azevedo, guitarra, vindo do Conjunto de Pedro Osório. 

É com esta formação que têm as suas principais atuações e onde actuam com Tony de Matos (Festa dos Bombeiros da Aguda – 1961), com Mário Simões (Chaves – 1961), nos Bailes de Carnaval, em Ovar, em 1961 e 1962, participam nas comemorações dos setenta anos de Cole Porter produzida pela RTP, em 27 de Outubro de 1961, com as versões “Begin the Beguine” e “What is this thing called love” e gravam, também para a etiqueta Alvorada, MEP 60397 (1961) Dulcemente | Paseando com Papa | Patatina | Abre-te Sésamo | AEP 60442 (1961) EL Novio | Pitagoras | Pepita | Il Mare Nel Casseto | e iniciam uma digressão pelo Norte de Espanha (Vigo e Orense) em 1962.

Homenagem a Cole Porter
Uma curiosidade no EP 60397 prende com a utilização de um Fiat 500 propriedade do realizador e produtor da RTP Adriano Nazareth e que ficou conhecido pelos documentários que fez sobre o Porto e o Rio Douro: "O Barredo" (1958); "Um Rio Foi Vencido" (1958); "Porto, Berço do Infante" (1960); "Fisionomia de Uma Cidade" (1963).

O grupo, no início de 1963, foi confrontado com a saída, por razões profissionais, de António Almeida Garrett que foi substituído por João José. Todavia, os compromissos académicos, militares e profissionais dos restantes membros do conjunto ditam o encerramento das suas actividades em Agosto desse mesmo ano. 
Uma das últimas actuações em 1963

MÃO - MORTA - AO VIVO


Ouvir Mão Morta é algo de extraordinário mesmo que seja pela enesima vez. Acompanho os concertos deles desde inicio da década de noventa e tenho a maior reverencia, respeito e sentido de culto por esta que, para mim, é e será para sempre o referencial da musica alternativa em Português. 
Mais do que ter a hipótese de os ver nas traseiras de minha casa, em Ovar, foi poder mostrar ao Adolfo que, em tempos, uma banda vareira de grind, trash, death e outros subgéneros do Metal fez uma versão da Cão da Morte

Infelizmente, o único registo dessa versão é uma gravação video com pouca qualidade mas que, um dia, irei fazer os possíveis para colocar on-line.
Eram os AfterHate e, durante algum tempo, chegaram a ser um caso de peso na cena metal nacional. 


CONJUNTO OLIVEIRA MUGE - SOSPESA AD UN FILO

Para mim o Conjunto Oliveira Muge foi sempre, e vai ser, a banda do Sr. Policarpo (proprietário do extinto restaurante Progresso, onde almoçava, normalmente ao Domingo, com os meus avós e pais, e marido da minha professora primária, D. Guida, na escola da Ponte Nova) e do Sr. Muge (dono da primeira loja de discos que visitei na minha vida “Mundo da Música”, se não falha a memória, e avo da Mafalda, amiga da Sara). Mas, há muita história por trás deste conjunto. Não apenas o êxito “Mãe” e as saudades que deixou a toda uma geração que voltou, e lutou, no Ultramar. Com o desejo de fazer algo mais sobre este Conjunto, não tão esquecido como alguns possam pensar, começo por “roubar” uma pequena biografia. Vamos ver o que o futuro trará. Tanto quanto é do meu conhecimento a discografia do Conjunto é a seguinte: And The Heavens Cry, 7"EP, 1966; On The Road With The Conjunto Oliveira Muge, 7"EP, 1967; Sospesa ad Un Filo, 7"EP, 1967; A Mãe, 7"EP, Parlophone-VC, 1968, Piange Con Me, 7"EP, 1968, Longe de Ti, 7"EP, Roda-J.C.Donas, 1969. 

Fonte: Guedelhudos.blogspot.com “ Conjunto de Oliveira Muge, originário de Ovar/Aveiro, era inicialmente constituído por José Muge (piano), Joaquim Silva (baixo e vocalista), Alberto Capitão (acordeão), António Biscaia (bateria) e António Policarpo (viola e vocalista). As suas primeiras actuações remontam aos longínquos anos de 1959/60, onde actuaram ao vivo em Ovar, no Café Progresso e Orfeão de Ovar e ainda noutras localidades do distrito de Aveiro, assim como no Porto, nos estúdios da RTP, com dois programas em directo e no Rádio Club Português (RCP/Norte). No final da década de 50, António Oliveira Muge (já falecido) foi o primeiro a partir da sua terra natal (Ovar) para Vila Pery/Moçambique. Nessas terras de magia e feitiço, António Muge e mais tarde o seu irmão José Oliveira Muge, conjuntamente com António Policarpo Oliveira Costa e o Victor (um militar pertencente ao batalhão ali existente), formaram o grupo. Começaram a notabilizar-se rapidamente, pois com um nível fora do comum, abrilhantavam bailes, festas e outros eventos, na região de Manica e Sofala. Quando da passagem de José Muge e de Policarpo por Lourenço Marques, elementos do Rádio Clube de Moçambique foram ao paquete Infante D. Henrique, onde viajavam, convidá-los para fazer um programa ao vivo no auditório dos seus estúdios, programa esse que teve um grande sucesso. Foram também convidados pelo comandante do paquete para ficar no navio como conjunto residente, em alternância com o que já lá actuava. O Victor, entretanto, face à retirada para Portugal do batalhão a que pertencia, teve de deixar o conjunto, entrando para o seu lugar o António Biscaia, que, entretanto, vindo de Portugal, se juntou ao agrupamento, continuando o António Muge a tocar o contra-baixo. Os êxitos iam-se repetindo, agora já fora das nossas fronteiras, especialmente em Salisbury, na Rodésia, onde todas as sextas-feiras iam aos estúdios da televisão local fazer o “Seven Three Oh Show”, em horário nobre. Como também actuavam noutros locais dessa cidade, como clubes e hotéis, surgiu-lhes um contrato para actuar durante um mês em Nairobi, no Quénia, num dos melhores hotéis da capital, o “New Stanley Hotel” e onde também fizeram um programa de TV nos estúdios locais. De novo em Moçambique, o Biscaia, por motivos imprevistos, teve de abandonar o conjunto, entrando para o seu lugar o José Violante que tocava baixo, passando o António Muge para a bateria. Em 1964 foi-lhes concedido pela imprensa moçambicana, o primeiro prémio de “O Melhor Conjunto de Gente Nova”, o que contribuiu para que fossem solicitados a deslocar-se, além do “seu território” de Manica e Sofala, mas também a outras localidades como Lourenço Marques, onde actuaram e receberam o referido prémio, assim como a Quelimane, Nampula, António Enes, Tete, etc… Em 1965, com o Sr. Moura da Rádio Aero Clube da Beira, foi editado o 1º EP, gravado nos estúdios da Emissora, embora com a tecnologia disponível, mas que mesmo assim, para a época, ficou bastante bom e obteve êxito. Em 1966, surgiu a hipótese de se deslocarem à África do Sul, o que veio a acontecer. Em Joanesburgo, nos estúdios da EMI/Parlophone, gravaram o famoso disco, onde se incluía a faixa “A Mãe”, de autoria de António Policarpo, tema esse que nessa altura se dizia estar proibido de ser difundido em Portugal, por questões que se interligavam com a guerra do Ultramar. Em 1967 voltaram a Joanesburgo, onde gravaram mais 2 EPs que também foram muito popularizados … O tema “A Mãe” foi das canções mais solicitadas pelos militares em Moçambique, no período da Guerra Colonial...Entretanto decorria a Guerra Colonial. O grande êxito do compositor Policarpo Costa era sem dúvida uma canção sentimental que lembrava a separação, a dor da partida, a distância das famílias e os militares e acima de tudo as saudades que os militares tinham das suas “mães”...Posteriormente, em 3 de Julho de 1976, o grupo reapareceu actuando durante vários anos no Restaurante Progresso na praia do Furadouro/Ovar, não faltando no seu vasto repertório, os ritmos africanos de Moçambique e não só.”

A versão original Italiana é de uma banda chamada "Corvi".
Mas, na realidade, a música original pertence aos Electric Prunes. "I´ve had to much to Dream Last Night", de 1966, é um excelente exemplo de Garage/Surf/Psycodelia.