Noite profunda.
Numa praia longínqua e deserta, o cenário compõe-se de destroços: pedaços de madeira ressequidos pelo salitre e pelo tempo, restos de uma deriva antiga que agora habitam o vazio.
A lua, no seu esplendor mais cheio, reclama o espaço e inunda o teu corpo com uma claridade pálida, uma luz que parece transpassar a pele e revelar a cor da tua própria solidão. A areia, pesada e húmida, opõe-se ao teu toque; tentas segurá-la com urgência, mas olhas, com uma tristeza mansa, enquanto ela te escapa por entre os dedos — uma metáfora impiedosa para o tempo que já não tens e que não voltará atrás.
Ouves o embalo rítmico das ondas de um mar frio e turbulento que se aproxima, reclamando a margem, e é nesse isolamento absoluto que a letra de "Solitude" deixa de ser apenas uma canção para se tornar carne e osso.
Finalmente, os versos dos Black Sabbath fazem todo o sentido, ecoando naquele silêncio onde o mar é o único que ainda ousa falar contigo.
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