Suar as Estopinhas: Do "Chez Filipa" ao Suor dos Buraka no Passos Manuel




A noite começa em casa da Filipa. Meia dúzia de amigos vindos de Lisboa, vinho à discrição e um couscous fantástico, tudo servido ao som de Balkan Fever e Kumpanhia Algazarra em decibéis generosos. Aquela miúda sabe mesmo como orquestrar uma festa, e a malta da capital era, de facto, gente muito porreira.

Enquanto se ultimava o jantar e eu matava saudades de uma amiga que já não via há algum tempo, o ambiente entrava em ebulição. Discutia-se comida, falava-se de Vespas, tiravam-se fotografias, comia-se, dançava-se... e até se lia o jornal! Por volta das 23h00, o contingente na "Chez Filipa" aumentou, mas uma hora depois já estávamos de abalada.

Seguimos para os Maus Hábitos para o habitual reencontro com o resto do pessoal. O tempo voa quando a noite promete e, quando demos por nós, já passava da uma da manhã. Pelo meio, ficaram episódios para a memória:

  1. O segurança a tentar travar um miúdo que queria, a todo o custo, invadir um baile de música dos anos 40 que decorria na pista;
  2. A minha imitação de Artur Semedo, devidamente caracterizado com uma luva preta que encontrei perdida por lá;
  3. O Rui a tentar a sua sorte numa aposta sobre a versão de "Mack the Knife" pelo Nick Cave — desta vez teve de pagar o copo; já devia ter idade para saber que não se ganham apostas destas comigo;
  4. Uma sujeita na casa dos vinte que, por sistema, insistia em partir-me os copos de vinho branco sempre que nos cruzávamos no fumatório...
Foi então que ligou a Bettina: o destino era o Passos Manuel. Deixei os casalinhos na "paz do Senhor", despachei o meu branco e desci os quatro lanços de escadas que me separavam da rua. Atravessei em direção ao Coliseu e lá estava a "bandalheira" do jantar em pleno êxtase no piso superior. Tudo feliz e contente, como ditam as sagradas regras de um sábado à noite.

Na cabine de DJ, encontrámos o ator do filme Alice. Sim, o Nuno Lopes — o mesmo que brilha nos Contemporâneos e no C.R.E.D.O. com o "Tchram". Deixou muita gente de queixo caído. Não apenas pela seleção musical — divertida, upbeat e contagiante — mas pela audácia de recuperar clássicos dos 90 como "Mama Said Knock You Out" (LL Cool J) ou "Insane in the Brain" (Cypress Hill).

A meio da noite, o grupo estava novamente reunido na subcave do Passos. Às 03h30, o Rui ofereceu-me (ou eu fui mais rápido a apoderar-me dela) uma t-shirt vermelha dos Buraka Som Sistema. Vesti o "uniforme" de imediato e, como que por sinal, a primeira malha a rolar foi "Saturate" dos Chemical Brothers.

A memória transportou-me logo para os concertos em Benicàssim, em 94 e 95: aquele calor de agosto, calções, tronco nu e três horas de pulos ininterruptos. Foi o mote para suar as estopinhas até cair.

Pelas 04h00, o cansaço começava a ditar o regresso dos "casalinhos" à base. Já estava de casaco e cachecol posto, pronto para sair, quando eu e a Ké ouvimos os primeiros acordes de "Wegue Wegue". Foi um aviso de sobrevivência: corremos escadas abaixo, despachámos a roupa quente e, novamente em t-shirt, voltámos aos pulos.

Que festa memorável!

Comentários

Freekowtski disse…
Quando há malta de Lisboa nas redondezas só pode haver de facto festejo a maneira. Anyway, eu por meu lado, vi o teu conterrâneo Rui Reininho no sábado à noite no Incógnito. Pensei em dizer lhe que o “Psicopatria” é um grande disco, mas como ele estava já bem aviado, resolvi não fazer isso.
Anónimo disse…
eheheheh

Tens piada ...

eheheh

Tu já nao te deves lembrar, mas chegamos andar a dançar em circulo, no industria com esse gajo as 07.00 ehehe

anyway

O independança é um grande disco ...

Os outros, peço imensa desculpa, não gosto
Freekowtski disse…
Lembro-me pouco dessa noite no Industria. Já foi há muito tempo, no entanto, juro pela saúde do Pinto da Costa que não andei a dançar em circulos lá. It just ain´t my cup of tea...