De Volta ao Espaço: White Hills, Gnod e a Viagem Épica de "Drop Out III"



Quem acompanha o blogue sabe que há concertos que nos ficam cravados na pele e que, por esse motivo, vou falando sobre eles em posts, mais ou menos, sinceros. 

Ainda me lembro daquela noite de 7 de maio de 2009, no saudoso Porto Rio, quando os White Hills subiram ao palco e entregaram uma verdadeira tempestade de space rock psicadélico, com riffs hipnóticos e capacidade de nos transportar para outra dimensão. Foi uma atuação inesquecível com ums espectaculares Black Bombaim e Unzen Pilot a fazerem a abertura.

Avançamos no tempo e, para gáudio dos fãs deste supergrupo de neo-psych space rock, os White Hills voltam a juntar forças com os britânicos Gnod. Quinze anos após a primeira colaboração transatlântica oficial (Drop Out II), a dupla regressa com Drop Out III.

Descrito pelas bandas como um director's cut do original, o álbum está carregado de remisturas e reinterpretações de várias faixas do seu antecessor, além de músicas que, em 2010, tinham ficado perdidas no chão do estúdio de gravação. 

Este álbum triplo entrega reinterpretações verdadeiramente inovadoras e imenso material novo (ou semi-novo). 

Se planeiam mergulhar neste disco, preparem-se com algo de longa duração pois são 15 faixas a roçar as duas horas e meia, com a maioria das canções a rondar os dez minutos. 

No entanto, não se deixem assustar pela escala da obra, pois cada música, constroi-se em crescendo e sem pressa de chegar ao final, tipo Krautrock, serpenteando por ritmos e paisagens sonoras brutais.

Aqui é obrigatório tirar o chapéu aos Gnod. Eles são, indiscutivelmente, uma das forças mais vitais e inovadoras a atuar hoje em dia , e o talento e a energia visceral que trazem para as suas composições são absolutos.

É precisamente por saber o quão épicos são ao vivo que esta notícia me custa imenso a engolir: com a digressão de apresentação a passar pela Europa, e para minha enorme pena, não os vou conseguir ver em Bruxelas no fim de semana de 16 e 17 de maio. 

Tinha tudo para ser uma experiência transcendental, especialmente se os concertos capturarem a mesma densidade sonora deste álbum. É daquelas perdas que deixam um amargo de boca.

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