A Chunklet é uma revista de música, sediada na Geórgia, Estados Unidos da América, há mais de 15 anos. Tal como Moisés trouxe os 10 mandamentos (15 na versão do Mel Brooks), a Chunklet traz a “Bíblia do Rock”.
Editada em 2008, pela Quirk, “A Bíblia do Rock – Escrituras Malditas para Fãs e Bandas” é um código de conduta para aspirantes a músicos de todas as idades e credos. Em 2010, comecei a traduzir excertos deste livro no blogue. A tradução não está isenta de erros e não tenho qualquer formação nesta área. Paciência! Juntei agora aqui todos os textos dedicados ao Baterista.
Espero que gostem.
A Sabedoria do Material
Ter um autocolante da banda no bombo apenas diz à audiência que tu sobrevalorizas a tua banda e subavalias as tuas possibilidades de ser substituído.
Nunca ponhas o “website” da tua banda no bombo.
Salvo alguma emergência em tournée, o teu combo de bateria tem de condizer.
Se sabes programar uma caixa de ritmos, não és baterista. És um trengo dos computadores.
O teu combo não pode ter uma peça de equipamento que não seja utilizada há mais de um ano.
Já chega de baterias transparentes.
Nunca tenhas mais “tom-toms” do que mãos. A não ser que estejas inseguro quanto ao facto de teres um pénis pequeno.
Nunca toques num combo completo de bateria intitulando-te como percussionista.
Nada de bancos de bateria com encosto.
Nada de baquetas de plástico ou grafite.
Nunca tenhas mais peças de equipamento no teu combo do que dentes.
Nada de colares com a chave para a bateria. Especialmente em forma de cruz ou de um “Z”. Se não aguentas com a chave, então é altura de encontrares um novo passatempo.
Nunca coloques o timbalão de chão no lugar do morto quando conduzes. Esse lugar está guardado para o bombo.
Só podes ter um pedal duplo se tiveres dois bombos. Nada de pedais duplos num único bombo.
Percussão latina só deve ser tocada por pessoas fluentes em latim.
O Salmo do Baterista
A razão pela qual existem tantas piadas sobre bateristas é porque estes são comprovadamente doidos.
Não existe baterista/escritor de canções.
Bateristas podem ser muito sensíveis. Por isso, ofereçam luvas de bateria para miúdos.
Em termos gerais, as miúdas não devem tocar bateria.
Ser baterista significa nunca ter de dizer que gostam do “John Bonham”. A sério. Tu tocas bateria, idiota.
Nunca vás a uma audição para baterista para tentares ser o vocalista quando a banda já tem um.
Se conseguires um patrocínio de uma marca de baquetas, não tires uma foto publicitária parola em que apareces a trincar, ou a partir, as baquetas ao meio.
Bateristas nunca devem tocar em guitarras.
Canção dos Pratos
O baterista não deve ter mais pratos do que membros do corpo.
Nada de pratos que não sejam redondos. Isto não é uma aula de geometria.
As peças devem ser prateadas ou cromadas. Douradas ou qualquer tipo de cor primária é parolo.
Espanta-espíritos não são tolerados. A não ser que sejam tocados no jardim das traseiras e quando houver vento.
Se planeias ter o teu prato de choques aberto, e a vibrar a todo o tempo, então prepara-te para não ouvires a música que está a tocar e espera ficar surdo.
Os pratos de 10" só servem para cinzeiros.
Nunca uses um prato de porcelana, tamborim ou um “vibraslap”. Uma qualquer variedade de chocalho de vaca revela à audiência a tua inabilidade como baterista.
Nunca digas que os teus pratos fazem “pish”.
Nunca deves poupar dinheiro para comprar pratos. Procura reduzir o número dos que já tens.
Canção das Baquetas
Um baterista que sabe tocar a pedido é um baterista para ter no estúdio.
Bateristas devem saber tocar bateria antes de aprender a girar as baquetas.
A batida de “Grind-Core” é: da-da-da-da-da-da-da-da. A batida de “Thrash” é: ta-da-ta-da-ta-da-ta-da. Aprende de uma vez.
Nunca uses o termo bater em falso (ghost stroking) quando referes a tua forma de tocar bateria. Caso contrário, vão pensar que estavas a masturbar um fantasma (beating off a ghost).
Nada de rolar as baquetas no chão da loja de música para aferir da sua consistência.
As Regras Douradas da Indumentária
Nada de luvas. Se não consegues agarrar as baquetas, então é melhor repensares a parte de tocar bateria.
Todos os bateristas que usem auscultadores devem ser obrigados a receber pedidos de comida.
O baterista é a única pessoa autorizada a usar um lenço na cabeça. Especialmente se ele tiver uma barba grande e bater na tarola da mesma forma que um “Hell's Angel” bate num hippie com um taco de bilhar.
Os Nove Mandamentos do Estilo de Vida do Baterista
Bateristas não devem chatear as namoradas. É a melhor forma de ficarem sem abrigo.
Bateristas são os únicos autorizados a tocar com calções (e isso é apenas aceitável).
Nunca compres um carro porque pensas que o volante pode funcionar como zona de ensaio.
Enquanto no trabalho, deixa-te de malabarismos com os dedos na secretária. Os teus colegas de trabalho não querem saber se tu és, ou não, um baterista.
Enquanto conduzes, nunca uses o controlo de velocidade para trabalhares nas tuas capacidades para tocar num pedal duplo.
Os bateristas podem ser considerados deuses se passarem a idade de 35.
Enquanto dormes com uma fã, lembra-te que quando ela fecha os olhos pensa em outro membro da banda.
Se decides guardar a chave da bateria na tua carteira, e ninguém a pede emprestada, tenta oferecê-la a um outro baterista.
Lava os pés e corta essas garras, que chamas de unhas, antes de andares descalço pelo estúdio.
O Livro das Actuações ao Vivo
É o teu equipamento. Ninguém te deve ajudar a não ser que tu lhe pagues. Todavia, é aceitável que um insuspeito fã/escravo leve o teu equipamento para a carrinha.
Nada de separar o teu combo no palco e colocá-lo em caixas quando uma outra banda (que as pessoas pagaram para ver) está à espera para actuar.
Um bombo com uma pele escura preta significa que vais girar as tuas baquetas no meio da canção.
Não deves polir os pratos como parte do teste de som.
Os bateristas são os únicos membros de uma banda autorizados a trazer um tapete e a tocar em cima dele.
A rotina do baterista durante o teste de som: Toca o bombo, agora. Tarola, agora. “Tom-toms”, agora. Timbalão, agora. Bom trabalho. Está feito. Podes ir fumar.
Nada de tocar bateria por trás de uma jaula de fibra de vidro transparente.
Nada de jaulas a não ser que planeies ser preso numa delas.
Nada de afinar os tambores no meio de uma actuação ao vivo.
Nada de trazer o teu tapete persa para tocar em cima dele.
Se és um desses bateristas que toca na frente do palco, recua. Tu és o guarda-redes do “Rock”. Toca na tua posição.
De forma alguma vais liderar a banda sentado atrás do teu combo.
Nada de girar baquetas no meio de canções. Se o tens de fazer, incorpora no meio de uma canção.
Nada de tocar bongos, a não ser que imediatamente a seguir se siga o massacre dos tocadores de bongo.
Os bateristas não devem chatear o técnico de som para aumentar o volume do microfone da tarola durante a actuação. O mais certo é o técnico baixar o volume e com toda a razão.
O baterista não deve sair do seu combo a não ser que seja para abandonar o palco.
Nada de trocar de baterista durante a actuação. A audiência não precisa de ver como é a banda com os suplentes. Multifunções são para bebés privados de ego.
O baterista (enquanto planeia, em segredo, a vingança) deve sempre rir, abundantemente, quando o guitarrista ou o vocalista contam uma piada sobre bateristas.
Nada de fazer “bop-doom-dat-at-at” enquanto tocam.
Nada de prever a destruição de equipamento de segunda categoria.
Se tocas com um gongo, ele deve estar sempre em chamas. Além do mais, deves arranjar uma marreta em chamas para bater no gongo. A banda vai despedir-te. Pelo menos podes ir com estilo.
Se perderes “the one” encontra-o antes de continuares a tocar.
Dois bateristas nunca são melhores que um.
Nada de mostrar mais sangue na tarola do que aquele que na realidade veio de um pequeno corte do dedo indicador.
Nada de queixumes no dia a seguir a uma actuação violenta. Cala-te e aguenta a ressaca.
O Evangelho Segundo o Baterista
No primeiro dia Deus criou os tambores e os pratos. Os tambores estavam sem ritmo e tempo. Reinava a ausência de ritmo, e o Espírito do “Rock” pairava pelo palco. No futuro (e Deus sabia isso) a ausência de ritmo iria ser um desnecessário sub-sub-sub-género de um desnecessário género de “free jazz”. Deus fez poucos erros na criação do “Rock”, ter deixado escapar o “free jazz” foi um deles. E Deus disse: “Haja tambores”. Deus viu que os tambores eram barulhentos e separou-os dos pratos. Deus apelidou os tambores de “ritmo” e os pratos de “um bocadinho irritantes”. E apareceu a “batida” e o “solo”. E os “solos” iriam dar tempo para os outros membros da banda terem sexo com as fãs, porque Deus sabia que ninguém queria fazer sexo com o Baterista.

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