1983 - Os Grito Final nasceram no Bairro da Ajuda construído durante o antigo regime e que seguia uma linha de integração das camadas mais baixas da população. A classe operária, que neles habitava, era oriunda de meios rurais pelo que a vivência nesse bairro reproduzia, numa grande cidade, a vivência de uma aldeia e criou, nos seus habitantes, uma sensação de pertença e entreajuda. Foi este o ambiente que criou diversas bandas, durante a segunda vaga Punk nacional, entre elas os Grito Final. O seu primeiro concerto terá sido, em Setembro, na Escola Secundária Ferreira Borges.
1984 - Começam com um concerto na Teia durante o mês de Janeiro. Mas, logo de seguida, sofrem diversas baixas e, com um guitarrista convidado, em 28 de Julho, novamente na Teia, actuam no primeiro festival Punk português. O único elemento da formação original era Cazé (Baixo) e, em Setembro, a formação fica estabilizada com os seguintes membros: Alexandre (bateria), vindo da anterior banda de Cazé, Vitimas da Sociedade; João (guitarra - substitui Jorge Nunes que foi um dos membros originais dos Condenação Pacifica), e Luís Human (voz). É com esta formação que, em Dezembro desse ano, actuam, novamente no Teia, com os Furia Tribal e Napal Climax. Nasceu o Blitz. As rádios tinham uma importância fundamental na divulgação da música. Lá fora vivem os Bauhaus, Smiths, Cure, por cá já se fala sobre Breakdance, do primeiro campeonato nacional de discjockeys, dos UHF e Rádio Macau. O saudoso António Sérgio divulga os Gun Club, Joy Division e Motorhead. No Porto, as produções Novo Fogo e Arte organizam concertos com os Sétima Legião, GNR, entre outros. Era nesse ambiente que bandas como os Grito Final, Crise Total, Ku de Judas e os Cães, a Morte e o Desejo tentavam manter a chama de 76.

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