Em 1982, Portugal ainda curava as ressacas do pós-revolução. A ideia de invocar patriotismo, "glórias" ou fardas militares era um tabu gigantesco. E foi exatamente aí que os Heróis do Mar chutaram a porta. Com uma estética neorromântica e uma atitude que roçava a provocação pura, eles não pediram licença para revolucionar a música moderna portuguesa.
Musicalmente, Brava Dança dos Heróis é um colosso. Há aqui a urgência e a negrura do pós-punk (que tão bem conhecemos de bandas lá de fora), mas fundida com sintetizadores épicos e uma portugalidade inegável. A voz teatral do Rui Pregal da Cunha, ladeada pelo génio do Pedro Ayres Magalhães e do Carlos Maria Trindade, fazia deles um autêntico OVNI.
A letra, épica e bélica, continua a arrepiar. É poesia de combate:
Oh Grande tribo, nasces do cio
De bélicas Deusas à beira rio
Brava Dança dos Heróis
Sagras a vida quando guerreias
À luz macia das luas cheias
Brava Dança dos Heróis
Dos fracos não reza a história
Cantemos alta nossa vitória (2x)
Corpos caídos na selva ardente
A terra fértil do sangue quente
Brava Dança dos Heróis
Dos feitos a glória há de perdurar
Mesmo se a morte nos apagar
Brava Dança dos Heróis
Dos fracos não reza a história
Cantemos alta nossa vitória...
Porque, de facto, dos fracos não reza a história.

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