No post anterior, onde "revisitei" a minha longa caminhada com os Mão Morta, mencionei que o meu espólio pessoal era um arquivo vivo de vinis, cassetes e raridades. Mas esta semana, o arquivo ganhou uma nova alma.
Recebi de volta o livro "Revista de Imprensa - Os Mão Morta na Narrativa Mediática (1985-2015)", agora com o peso da tinta das assinaturas de quem escreveu a história que ali se relata.
Ver os autógrafos do Adolfo, do Miguel Pedro, do António Rafael e dos restantes membros é sentir que a minha própria narrativa como fã foi validada por eles.
Folhear estas páginas é mergulhar na iresubilidade das letras do grupo e na sua postura marginal ao rock português, como bem notava Fernando Sobral em 1991 no jornal Se7e.
E é impossível ler este livro sem que os dedos me levem automaticamente para a página 52: a crítica de Jorge Dias, no Público, ao "O.D. Rainha do Rock’n Crawl".
Aquele mini-LP de cinco temas, lançado pela Área Total, continua a ser o meu "ponto zero". Jorge Dias descrevia-o na altura como um "salto evolutivo tremendo", onde a nova formação com o baixista Zé Pedro Moura e o teclista António Rafael adensava o som do coletivo de uma forma insuspeita. Era a "recusa que lhe tapem a boca com a mão", a fúria e o pecado genial de temas como Bófia ou Quero Morder-te as Mãos.
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