
Ouvi Buraka Som Sistema, por puro acidente, em Lisboa, nos finais de 2006, numa discoteca algures pelo Cais do Sodré — talvez no Jamaica, a memória já atraiçoa um pouco - e apenas fui lá porque conhecia o trabalho do Kalaf dos tempos de SpaceBoys.
Fiquei de queixo caído.
Que o digam os meus amigos, que nos meses seguintes ficaram saturados de me ouvir falar repetidamente em Buraka. Há muito tempo que não ouvia algo tão excitante e visceral. Para mim, os Buraka Som Sistema são, sem dúvida, uma das bandas mais inovadoras e interessantes que Portugal alguma vez produziu. Eles representam, na perfeição, aquele cruzamento de sons, culturas e imagens que o nosso país sempre soube fazer com tanta sabedoria. Será este o futuro? A nova "portugalidade"?
Os concertos de Buraka — e, até à data, só consegui ir a três — são uma autêntica festa. Uma celebração suada de ritmo, cor, barulho e música onde "misturar" é a palavra de ordem. Experimentem ouvir o "Thunderstruck" dos AC/DC rasgado em ritmo de Kuduro, ou, a meio do tema "Sem Maka", levar com o sampler do "Firestarter" dos The Prodigy. E quando soltam o velhinho "I Like to Move It" dos Reel 2 Reel? A multidão (especialmente os mais velhos, como eu) entra em delírio total\!
Depois do EP From Buraka to the World (2006) e do estrondoso tema Sound of Kuduro (2008), chega-nos Black Diamond que já tive o privilégio de o ouvir na íntegra nas Noites Rituais e está prestes a rebentar oficialmente no mercado.
E para provar que não estou aqui a dizer lixo nem asneira, deixo-vos a consagração internacional. A 14 de dezembro de 2008, o prestigiado jornal britânico The Observer colocou-os no seu Top 5 de faixas do ano, lado a lado com gigantes da indústria:
1. Portishead – 'Machine Gun'
2. Santogold – 'L.E.S. Artistes'
3. Buraka Som Sistema – 'Sound of Kuduro'
4. M.I.A.– 'Paper Planes'
5. Kanye West – 'Love Lockdown'
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