Terence Trent D' Arby: Sign your name

Ontem à tarde a Carminha partiu.

Foi uma partida que a levou antes, sequer, de chegar os sessenta anos. Ficaram os mimos de criança, os beijos doces, os conselhos, os abraços apertados, as noites nas Festas do Mar em Cortegaça, os dias longos de praia.

Lembro-me do orgulho e do carinho desmedido que ela tinha por mim. 

Um carinho de quem me mudou as fraldas, me deu de comer, me orientou com conselhos sobre raparigas e me aturou com uma paciência infinita até eu sair de Ovar. 

Sempre senti, ao longo de toda a minha vida com ela, que eu era o seu preferido. Havia sempre algo guardado de forma muito especial só para mim. Para os meus 33 anos de vida, a Carmen nunca foi apenas uma prima; ela foi uma autêntica segunda mãe.

Mas o seu carinho multiplicava-se pela nossa família. Ainda a ouço a cantar o "Peixinho no Mar", dos Onda Choc, à minha prima Carolina e ao meu irmão mais novo, Ricardo.

Recordo-me também de ouvir Terence Trent D'Arby, simplesmente porque ela gostava. Tinha o vinil lá em casa e ouvíamo-lo juntos, naqueles tempos em que eu era apenas um adolescente, com os meus 12, 13 ou 14 anos, meio perdido por Cortegaça.

Ontem à tarde a minha Prima Carmen foi embora, e deixou um vazio imenso. 

Estou com muitas saudades dela.

Comentários