O Triunfo do Traço: O Caso Rui Lacas


O percurso de Rui Lacas é um testemunho eloquente da qualidade intrínseca da banda desenhada produzida em Portugal, mas também de uma certa tendência nacional para o reconhecimento tardio. 

Em 2007, a atribuição do prémio para o melhor álbum português em língua estrangeira à obra "Merci Patron" veio selar uma trajetória que já se adivinhava promissora. Não obstante a sua presença assídua nos meandros da nona arte e o apoio constante do Festival de Banda Desenhada da Amadora — um bastião fundamental para a divulgação deste género no nosso país —, Lacas encontrou fora de portas a validação que, por vezes, tarda em cristalizar-se no solo que o viu nascer.

Este fenómeno, infelizmente, não é um caso isolado nem se circunscreve apenas ao universo das pranchas e dos balões de fala. Observamos, com uma frequência inquietante, jovens talentos nacionais nas mais diversas áreas — da ciência ao desporto, passando pelas artes plásticas — que, embora contem com um apoio inicial genuíno, só atingem o estatuto de verdadeiras referências quando o seu mérito é sublinhado por instituições ou mercados estrangeiros. É como se a nossa visão coletiva necessitasse do prisma internacional para focar, com a devida nitidez, a excelência que cresce no nosso quintal.

Tiago "Saca" Pires, nunca me esquecerei que andaste de campeonato em campeonato, com muita dificuldade, quase sempre a contar os trocos para a etapa seguinte, consolidando o que, na altura, foi uma brilhante carreira no Surf.

Comentários