Esta é mais uma daquelas banda que é verdadeiramente transversal aos três irmãos Amorim — eu (Rafael), o Miguel e o Ricardo, exatamente por esta ordem de idades —, são os System of a Down. Descobri-os precisamente por via do Miguel, que, no virar do século, já tinha os dois ou três primeiros álbuns da banda em rotação constante lá por casa.
Naquela altura, os SOAD representaram uma autêntica lufada de ar fresco em toda a cena de música pesada que tinha despontado ao longo da década de 1990. Acabaram por ser, muitas vezes, embrulhados à pressa no mesmo saco do movimento nu metal, mas a verdade é que a sua sonoridade era perfeitamente distinta.
Traziam uma esquizofrenia musical brilhante, cruzando riffs pesados com ritmos tradicionais, e faziam-no com um forte apelo político — chamando a atenção do mundo para a história e os massacres da Arménia —, entregando tudo com uma energia absolutamente contagiante.
Foi com esta nostalgia em mente que, antes de sair de casa, escolhi o álbum Toxicity para voltar a ouvir. Este é o segundo disco dos SOAD, lançado em 2001 pela mítica American Recordings de Rick Rubin, e que carrega a pesada (e bizarra) coincidência de ter alcançado o primeiro lugar no Top de vendas dos Estados Unidos no fatídico dia 11 de setembro de 2001.
Depois de duas semanas exaustivas de trabalho, naquelas fases em que mal se consegue articular uma ideia ou mover um músculo, hoje é um daqueles dias em que a única coisa que apetece fazer é alinhar na fúria do "Chop Suey!" e berrar: “… hide the scars to fade away the shakeup...” e ir surfar.

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