20 de Janeiro de 2010 - O Alerta das Águas e o Falso Conforto das "Justificações Provisórias"
Estes últimos dias têm sido dias de alerta. Quase meia tonelada de Polvos, de vários tamanhos, algumas Tainhas e um pequeno Golfinho, apareceram mortos, entre a Praia de Valadares, vulgo Praia do BPA, e a Praia de Canide-Sul, vulgo Praia do Paredão, em Vila Nova de Gaia. Temos de aguardar pelos relatórios definitivos do Parque Biológico de Gaia e do Laboratório Nacional de Medicina Veterinária, que serão conhecidos dentro de dias, mas, diversas fontes noticiosas avançam como justificação provisória, e plausível, para a síndroma de arrojamento, o mau tempo e as alterações de marés. Foi noticiado também que parte da cidade de Évora está sem água depois de ter sido detectado um excesso de metais na água, designadamente, alumínio. O centro histórico esteve sem fornecimento de água e diversas escolas tiveram de encerrar as suas actividades. Mais uma vez, e sempre de acordo com o que tem sido noticiado pela comunicação social, a justificação provisória, e plausível, terá sido a contaminação da água, captada pela barragem do Monte Novo, em virtude das fortes chuvas. As síndromes de arrojamento são comuns nestas alturas e, infelizmente, a poluição da água é uma constante. Há explicações plausíveis, e provisórias, para todos estes fenómenos mas, infelizmente, existe um único denominador comum: a constante poluição da água através de intervenção humana. Há muito tempo que se tornou imperativo cuidar do mar, rios e reservas de água e é necessário dar prioridade a esse combate. Quando se trata de proteger o meio ambiente, não devemos arranjar justificações plausíveis, e provisórias. Devemos encarar o sucedido como um problema grave e agir em conformidade com soluções concretas e definitivas -
18 de Fevereiro de 2010 - O Recuo da Costa no Furadouro: A Intervenção Humana no Litoral
Quem se deslocou nestes últimos dias pôde constatar o estado devastador em que se encontra a Praia do Furadouro. Já sinalizada como uma zona de risco, o Furadouro tem uma taxa de recuo da costa, média, de 9 metros por ano. O fenómeno da erosão costeira do litoral português é algo estudado há muitos anos e cujas causas já foram devidamente assinaladas. Se é certo que há causas naturais que provocam a erosão costeira, e o consequente recuo da linha da costa, os principais factores da mesma são: a elevação do nível do mar; a diminuição de sedimentos fornecidos ao litoral; a destruição de estruturas naturais e, acima de tudo, as obras de defesa do litoral. Todos estes factores têm mão humana: a elevação do nível do mar é causada pelas alterações climáticas provocadas pelo homem. A diminuição de sedimentos no litoral tem como principais causas a construção de barragens, dragagens e extracção de inertes. A destruição de estruturas naturais, ex. dunas, permite construção e mais fáceis acessos às praias. As obras de defesa do litoral, como Esporões, Molhes e Quebra-Mares, ao imporem um elemento fixo destroem o que é um cenário ambiental dinâmico e em consequente evolução. Sempre que se constrói uma destas estruturas cria-se um efeito tampão, temporário, mas agrava-se a deterioração da costa a sul. Chegou a altura de parar e agir, com um reordenamento da faixa litoral, de forma racional, sustentável e ambientalmente correcta.
06 de Março de 2010 - CoastWatch: A Erosão, o Lixo e a Tristeza na Praia do Torrão de Lameiro
A campanha “CoastWatch” pretende auxiliar a preservação do litoral, compreender o impacte das alterações climáticas e sensibilizar a população para a importância da participação pública. Por esse motivo, entre Vila Real de Santo António e Caminha, foram várias as centenas de pessoas que percorreram a costa litoral portuguesa. No passado Domingo, dia 21 de Fevereiro, os “Amigos do Cáster”, juntaram-se, como tem sido hábito, a essa iniciativa e percorreram 5 km da Orla Costeira entre a Praia do Furadouro e a Praia do Torrão de Lameiro (vulgarmente conhecida como a Praia dos Marretas). Entre os participantes sentiu-se a vontade do contacto com a natureza. Foram preenchidos 10 questionários com informações detalhadas sobre unidades de 500 metros de largura paralela à linha da costa. Pretendia-se com isto obter elementos sobre o tipo da costa, mas, o principal interesse desta campanha prende-se com a percepção do risco de erosão e da existência de resíduos nas várias zonas da costa. Como é hábito neste espaço, temos alertado para os perigos da erosão costeira enquanto fenómeno actual e agressivo. Ao longo deste percurso foram observados sinais de deslizamento de terrenos, galgamento do mar, alterações provocadas por pressão turística excessiva, zonas de estacionamento injustificadas, perda de qualidade ambiental e excesso de edificações. Neste ponto continuamos a alertar para a evolução da degradação da costa na zona do aterro de Maceda. Se é certo que a praia do Furadouro encontra-se altamente artificializada mercê de um projecto de desenvolvimento turístico não sustentável, a restante extensão de praia ainda mantém algum do seu encanto natural e selvagem. Todavia, a poluição é constante. Constatou-se a existência de diversos resíduos (cuja quantidade média era superior a 100 unidades por 500m) de plástico, metal, vidro e papel; de material tóxico, eléctrico, hospitalar e de restos de embarcações, vestuário e material de pesca. Por fim, e com um sinal de elevada tristeza, registamos a existência de um cadáver de uma tartaruga gigante, com mais de um metro e meio de largura, que envolto numa rede de pesca jazia no areal no inicio da Praia do Torrão de Lameiro. Fim lamentável, mas não invulgar, para uma das mais dóceis criaturas da natureza.
09 de Maio de 2010 - Agir Localmente, Pensar Globalmente: O Caso da Costa Vicentina
“Agir localmente, pensar globalmente”. Esta é uma das frases ambientalmente mais correctas que ouvimos há diversas décadas. O facto de um indivíduo ter a capacidade de, no seu pequeno raio de acção, fazer mudanças e alterar comportamentos é umas das maiores vitórias que se podem conseguir. Não basta agir localmente pois é necessário estar sempre atento a outras questões, em outras partes do mundo, do nosso país, do nosso distrito ou mesmo do nosso concelho. Hoje vamos falar de uma das regiões mais bonitas e bio diversificadas de Portugal. A Costa Vicentina. A Costa Oeste Atlântica do Algarve, estende-se entre o Cabo de S. Vicente e Odeceixe ao longo de mais de 60 km. Praias como Corduama, Amado, Arrifana, Vale Figueiras, Castelejo, entre muitas outras, são verdadeiras jóias da natureza e um património ambiental de todos. A Reserva Biogenética de Sagres contem um sistema ecológico e ornitológico único que atrai, especialmente no Outono, turistas e investigadores de todo o mundo. Infelizmente, tem sofrido uma degradação contínua, vitima de inúmeras pressões urbanísticas, pisoteio e circulação desregrada de veículos. É por isso que o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina não deve ser uma preocupação, apenas, das quatro autarquias que dele fazem parte e das suas populações, mas de todos os cidadãos portugueses. Terminou no dia 30 de Abril a Discussão Pública desse Plano de Ordenamento. Mais de 20% do Parque Natural vai ter um regime de excepção, sem intervenção do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, nada foi feito quanto à questão da agricultura intensiva naquela área e deveria ter sido limitada a possibilidade de construção fora dos perímetros urbanos municipais. A Costa Vicentina é uma das zonas mais bonitas de Portugal mas também uma das mais sensíveis. Por isso deveria ter sido alvo de uma protecção mais elevada e concreta.
26 de Maio de 2010 - O Ponto de Ruptura: A Perda Trágica da Biodiversidade
Durante a última semana, a Organização das Nações Unidas apresentou um relatório verdadeiramente preocupante. O terceiro relatório de Avaliação Global de Biodiversidade estima, entre outros pontos, que a deflorestação da região Amazónica, no Brasil, se atingir os 30 por cento da sua área poderá criar um ponto de ruptura, irremediável e que poderá transformar uma das regiões mais belas do mundo numa Savana. Este pequeno alerta é um reflexo do fracasso da meta de redução da perda de biodiversidade até 2010. O secretário executivo responsável por este relatório é claro quando avisa que, e passamos a citar, “… estamos a chegar ao ponto de ruptura onde o dano feito ao planeta se torna irreversível, a não ser que atuemos de uma forma urgente.”. A questão da Floresta Amazónica é muito grave. A taxa de extinção para muitos animais e plantas é mil vezes mais rápida do que o normal. Os grandes lagos de água doce estão a ser infestados de algas que consomem oxigénio e matam espécies que neles vivem. Os recifes de coral estão a desaparecer devido ao aquecimento global e acidificação dos Oceanos. Quando morrem Corais, morrem também outras plantas e animais que deles dependem para o seu sustento e habitat. O aquecimento global, a pesca predatória e a acidificação da água são os responsáveis. Não é apenas na atmosfera que o dióxido de carbono é uma praga. Nos oceanos produz um processo de acidificação que coloca em perigo toda a ecologia marinha. Terminamos com um extracto da comunicação apresentada pelo Director do Programa de Ambiente da Organização das Nações Unidas: “A humanidade construiu a ilusão de que de alguma forma conseguimos sobreviver sem biodiversidade… A verdade é que precisamos mais do que nunca [da biodiversidade] num planeta com seis mil milhões de pessoas que vai ter mais do que nove mil milhões em 2050.”.
04 de Junho de 2010 - O Futuro no Ar: Os Papagaios Eólicos da Joby Energy
Existe uma nova alternativa para a captação de Energia Eólica. Um novo aparelho, inspirado nos tradicionais papagaios de papel, demonstra a capacidade de engenho do ser humano aliada à preservação do meio ambiente. Segundo Joe Ben Bevrit, inventor e director da empresa Norte Americana Joby Energy, este é o futuro do aproveitamento de vento pois consegue recolher o dobro de energia das ventoinhas eólicas. Segundo ele, "O vento global é uma fonte imensa de energia, gerando cerca de 870 terawatts [biliões de watts] na zona da troposfera.". A energia por ele captada pode ser reconduzida, e distribuída, pela rede eléctrica convencional. A energia é enviada por um cabo até uma subestação onde a corrente contínua será convertida em corrente alterna e, nesse momento, ligada à rede eléctrica. Esta nova invenção tem raízes no inicio da década de Setenta do século passado, e nos primeiros movimentos ambientais, mas só agora se torna possível graças à tecnologia que hoje existe. Já foram testados 20 protótipos diferentes. (...) Estes “papagaios” irão flutuar a uma altitude de 600 metros sendo certo que quanto mais alto for lançado, maior será a sua capacidade de captação de vento e produção de energia. Infelizmente, as linhas aéreas impedem que estes aparelhos sejam colocados na sua máxima altitude (10.600 metros). Mesmo assim, são controlados por computador, levantam voo verticalmente, são portáteis, de construção barata e com a capacidade para gerar o dobro da quantidade de energia. Um exemplo a seguir com muita atenção - Digable Planets & Lester Bowie - Flying High In The Brooklyn Sky
22 de Junho de 2010 - O Pisoteio nas Dunas e a Inconsciência Balnear
Os últimos dias de forte calor, que antecipam a chegada do Verão, tem levado centenas de pessoas às Praias de Ovar. Confrontados com a diminuição do areal, muitos dos banhistas optam por fazer praia em cima das dunas na zona norte da praia do Furadouro. Este é um cenário que os “Amigos do Cáster” são obrigados a repudiar e a alertar as autoridades competentes para uma maior fiscalização e sensibilização. Não obstante esse facto, mais uma vez referimos: o mar deposita a areia nas praias e o vento encarrega-se de as transportar, acumulando-as em montes que depois f

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