Há perto de duas semanas, tive de ir ao Porto tratar de uns assuntos e, como é da praxe, passei pela Louie Louie para chatear o Rui. Os dealers têm destas coisas: é preciso moer-lhes a cabeça on a regular basis, caso contrário deixam de aconselhar o "bom produto".
Enquanto o Rui estava alapado ao computador (coisas de patrão!), eu ajudava o João a abrir umas caixas que tinham acabado de chegar, carregadas com toneladas de rodelas vinílicas e mercadoria altamente viciante. Eis que, subitamente — e quase a provocarem-me um ataque cardíaco —, me atiram: "Tens de ouvir estes gajos!". "Já tenho todos os discos!", atira o Rui. "Eu também", reforça o João.
De repente, senti-me como aquele pobre coitado que entra na loja de discos no High Fidelity e apanha com o Jack Black, com a sua atitude de merceeiro snob, a impingir tudo e mais alguma coisa como sendo a descida de Cristo à Terra em forma de banda rock.
Bem... em abono da verdade, e embora eu já conhecesse a editora alemã Elektrohasch através do antigo Stonerrock.com, não fazia a mais pequena ideia de quem eram os Causa Sui. Nem sequer sonhava que existia uma banda deste género na Dinamarca. Aliás, musicalmente falando, eu nem sabia da existência da Dinamarca.
Apontei o nome da banda nas mensagens do telemóvel — uma muleta mnemónica que, vim a descobrir mais tarde, os meus irmãos mais novos também utilizavam — e, mal cheguei a casa, fui investigar.
Liguei a internet. Enquanto esperava pacientemente que o MySpace dos Causa Sui carregasse, fui lendo o que apanhava nas pesquisas: "...sim senhor...", "...meia dúzia de álbuns gravados...", "...reedições de umas tais Summer Sessions em novembro de 2009...", "...tal e coisa...".
Até que me deparo com um detalhe que me fez travar a fundo: "Alto! O Julian Cope falou sobre eles em 2007. Deixa lá ver...".
Lia-se a dada altura: "Causa Sui generally inhabit a world of brutal psychedelia, effortlessly barfing out sub-Stooges, sub-Montrose, sub-Comets On Fire…. Bizarrely, they’ve chosen to commence this current record with a right old summer breeze of a ditty."
Mal acabei de ler isto, vindo do nada, começo a ouvir: "The open road."

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