Vislumbro cerimónias de entrega de prémios sem sentido, laudos abonatórios de bandas que desaparecem no pó dos segundos, e das playlist de consumo rápido, exercícios intelectuais de alguém que gravou uma peça de 450 minutos munido apenas de uma baqueta e de círculos no ar…
Como escreveu em tempos o Michael Franti, na altura nos Disposable Heroes of Hiphoprisy, e embora para uma situação diversa “Uneducated, underdeveloped Undisciplined but mostly unaware; We join the flavor of the month club;…Then bashing Jews, was the flavor of the month; Gentrification, was the flavor of the month; Isolation, was the flavor of the month…”.
Não é o caso dos Electric Moon. Tenho algum cuidado para não escrever na emoção do momento… Ter alguma frieza e distanciamento entre o primeiro byte do mp3, o primeiro risco do vinil, o primeiro segundo do Cd ou aquele acorde que nos leva para outro lugar onde vertigens de cor se cruzam com os feixes luminosos de entidades etéreas nos seus passeios cósmicos… É difícil as vezes! Mas tenho que deixar marinar o álbum e só depois escrevo. Normalmente ouço a opinião de alguns amigos, dos meus irmãos, da Isabel, de estranhos, depois volto a ouvir o disco, algumas vezes, para saber se aquela Ohrwurm continua a arrepiar e a fazer mossa no meu cérebro… Foi o caso deste Lunatics. È impossível… Se é certo que este ano tivemos discos dos Moon Duo, dos Sardonis, o cancelamento do concerto dos White Hills, a vinda dos Electric Wizard, os Unzen Pilot, os Causa Sui, a entrevista com os Two White Monster, o retorno da formação original dos Man or Astroman, o E.P. de estreia dos Ghost of Port Royal…Quando ouvi os primeiros acordes da Brain Eaters senti-me rendido a evidência de que este foi, sem sombra de dúvidas, o álbum que mais gostei de ouvir e a banda que mais gostei de conhecer em 2010. Gostaria de acompanhar os seus progressos durante os próximos tempos.

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