Afonso, este é para ti.
Já existe alguma literatura, e boa, sobre o movimento Punk
em Portugal. Já se fazem documentários, já se estuda, já se debate e,
finalmente, já se respeita. O movimento Punk, para bem e para o mal, foi uma
força motriz, via música, que, assimilando tudo o que antes era apelidado de “Contracultura”,
teve repercussões na moda, na escrita, no cinema e na vida de muitos. Este
livro está muitíssimo bem sistematizado. Bem escrito, com substancia, interesse
e, sobretudo, algum rigor nas palavras. Mas, para mim, o mais interessante é ter
conseguido, pela primeira vez, sistematizar aquele que foi um dos períodos mais
intensos da minha jovem vida. O movimento Punk Hardcore português da década de
noventa. Não vou perder tempo a contar episódios ou memórias porque essas ficam
para quando estivermos a recordar amigos, concertos e vidas. Para aqueles que,
como eu e o Afonso, estivemos ligados, de forma direta ou indireta, ao que foi
um movimento alternativo de música e intervenção na área ambiental, animal e cultural, não percam este livro. Vale muito a pena.
"Podes ter as roupas certas(?),
Podes ter os discos certos(?),
Mas se não for do coração então não é hardcore!
Não te cales, não te vendas, não te deixes resistir,
E se não for sobre respeito...
Então não é hardcore!", X-Acto, Somos Uma só Voz, 1994

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