Mark E. Smith: O adeus inflexível e um concerto em Coimbra.


Mark E. Smith, a figura central e a eterna força motriz dos The Fall, partiu recentemente, deixando-nos órfãos de uma das personalidades mais singulares e intragáveis (no bom sentido) do post-punk. 

Ele fazia parte daquela rara e extinta casta de músicos britânicos que pura e simplesmente não cedem. Essa recusa absoluta em fazer concessões comerciais ou estéticas esteve sempre, de forma visceral, reflectida na sua música e na sua postura em palco.

Como o próprio chegou a afirmar em tempos, a sua intenção era precisamente provocar e levar o público ao limite, testar as suas fronteiras de conforto, para daí conseguir retirar a sua mais pura verdade. Não havia cá meios-termos.

Desse percurso de décadas, fica-me para sempre cravado na memória um mítico concerto na Queima das Fitas de Coimbra, no final da década de noventa. 

Foi uma daquelas noites de autêntico culto, entalada entre as actuações incendiárias dos nossos Tédio Boys e dos incontornáveis Mão Morta. Uma verdadeira descarga de energia crua, suor e atitude, tão característica da cena de Manchester que ele representava com orgulho e sarcasmo.

Músicas maiores que a vida como Kurious Oranj, Mr. Pharmacist ou Carry Bag Man continuarão inevitavelmente a rodar nos nossos gira-discos. 

A atitude, essa, ninguém lha tira.

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