Nesta fase tão atípica em que o mundo parou por causa do COVID-19, as nossas rotinas transformaram-se por completo. Fechados em casa, eu, a Marta e a Benedita, que tem agora dois aninhos, passamos os dias a inventar formas de passar o tempo, de rir e de lidar com as pequenas peripécias de ter uma criança tão pequena a explorar todos os cantos da sala.
Foi no meio desta azáfama doméstica que a banda sonora lá de casa ganhou um novo (e hilariante) significado.
O The K&D Sessions, editado em 1998 pela dupla austríaca Kruder & Dorfmeister, é uma daquelas obras-primas absolutas do trip-hop e do downtempo.
Um dos temas mais marcantes desse disco é a faixa "Bomberclaad Joint (K&D Session™)", uma remistura genial de um original do projecto Knowtoryous.
O ritmo é contagiante, marcado por aquele vocal repetitivo que entra na cabeça e não sai mais.
Acontece que, com uma criança de dois anos em casa, a lei da gravidade é testada a cada cinco minutos. Tudo cai, tudo escorrega das mãos.
E, claro, em tempos de pandemia, o instinto imediato é evitar que ela apanhe do chão tudo o que deixa cair.
Num desses momentos, com a música de Kruder & Dorfmeister a tocar em fundo, e perante mais um objecto estatelado no soalho, soltei a minha veia criativa.
Em vez do clássico "não apanhes!", comecei a cantarolar por cima do refrão da música, inventando uma letra à medida da situação:
"Pumba Chão! Pumba Chão! Caiu no Chão, logo é Pumba Chão!"
E é assim que um dos grandes marcos da música electrónica dos anos 90 se transformou na banda sonora oficial das traquinices infantis da nossa quarentena.
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