Arquivo Estereopositivo: A Condessa de Sangue: Elizabeth Báthory na Música, na BD e no Imaginário Gótico

No processo de arrumação/recuperação do arquivo do blogue, dei de caras com vários posts antigos dedicados à mesma figura histórica. Decidi apagar as pontas soltas e compilar tudo num único artigo definitivo. Afinal, a Condessa de Sangue merece um altar à altura.

Elizabeth Báthory é, sem dúvida, uma das personagens históricas mais inspiradoras da arte e do movimento gótico, com inúmeras referências que atravessam décadas na área do cinema, literatura e música.

Cruel, despótica e eterna. Penso que são as palavras que distinguem a maldita Elizabeth, cujo terror das suas ações inspira o imaginário negro mundial. A forma como o autor português Nunsky conseguiu traduzir esse sentimento na sua novela gráfica homónima justifica, plenamente, o Prémio Nacional de BD na Amadora que conquistou em 2015. É uma obra sufocante e visualmente imaculada que merece ser lida.

Mas a Condessa vive igualmente no som. Em 2010, os suecos Ghost dedicaram-lhe um dos seus primeiros grandes hinos, captando perfeitamente a sua aura negra:

"Underneath the moonlight of old hungarian skies Buried in the blood-drenched earth, these barren lands of ice She was an evil woman with an evil old soul Piercing eyes emotionless, a heart so black and cold Elizabeth, in the chasm where was my soul Forever young, Elizabeth Bathory in the castle of your death You're still alive, Elizabeth

Her pact with Satan, her dispisal of mankind Her acts of cruelty and her lust for blood Makes her one of us Our ancient countess was refused her desires will To bathe in pure fresh blood, she'd peasant virgins killed"

Ainda a propósito dos Ghost, de que sou um devoto fã desde há mais de uma década, recordo que quando eles vieram ao Hard Club, no Porto, em novembro de 2015, uma das músicas mais cantadas em plenos pulmões pelo público foi, precisamente, esta.

Séculos depois de ter sido emparedada no seu próprio castelo, a lenda recusa-se a morrer e a sua influência continua a espalhar-se até aos dias de hoje. 

Prova disso são as recentes obras inspiradas nela: desde o cinema, com a gigante Isabelle Huppert a vestir a sua pele no recente filme The Blood Countess, passando pela literatura com o livro The Blood Countess de Thomas Loki (2025), até às novas abordagens musicais de bandas como os Trobar de Morte que lhe dedicaram o tema Bathory no álbum Carpe Noctem de 2024.

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