Confesso que nunca fui o maior adepto do Ryan Gosling, mas o filme Project Hail Mary conseguiu surpreender-me.
A dinâmica que se cria no ecrã entre o protagonista e o alienígena Rocky é absolutamente genial sustentando o filme com uma força inesperada.
É uma lufada de ar fresco ver uma narrativa que aposta na empatia e na entreajuda interespécies como motor de sobrevivência, provando que uma história pode ser cativante sem precisar de antagonistas belicosos.
Esta abordagem otimista contrasta de forma muito curiosa com a teoria da Floresta Negra do Liu Cixin - a trilogia O Problema dos Três Corpos, e, sem dúvida, um dos grandes marcos da ficção científica alguma vez escritos - recuso-me a acreditar nesta versão mais pessimista.
Revejo-me muito mais no modelo de cooperação que este filme ilustra, com a premissa de que, perante o desconhecido e a adversidade, a salvação passa pelo instinto de partilha e não pela destruição mútua.
No fundo, esta mensagem espelha com exatidão o que precisamos de aplicar no nosso dia a dia, seja à escala global ou dentro da própria União Europeia. Não podemos continuar a viver de costas voltadas para quem vem de fora, nem na necessidade política de trabalharmos em conjunto com os outros e encontrar consensos.
Tal como as personagens principais demonstram, algures no espaço, colaborar com "o outro", pode ser o único caminho sustentável para o nosso futuro.
Ainda por cima com música dos Beatles!
Comentários