18.ª Crônica de um Surfista de Meia Idade: Já passaram 35 anos de Point Break (Ruptura Explosiva)


A relação de grande parte dos surfistas com o cinema de Hollywood é, na melhor das hipóteses, um misto de fascínio e algum ceticismo. Mas há uma obra que, na minha modesta, ocupa um lugar muito relevante para a cultura pop associada ao Surf: Point Break (Ruptura Explosiva), o clássico de 1991 realizado por Kathryn Bigelow.

Para assinalar o seu 35.º aniversário, o filme regressa aos cinemas norte americanos (nos dias 16 e 19 de agosto) numa nova versão restaurada em 4K. As exibições norte-americanas vão contar com uma introdução muito especial de Matt Archbold, que não só foi o duplo de surf de Patrick Swayze, como ensinou grande parte do elenco a surfar, incluindo Keanu Reeves.

Daquilo que tenho absorvido ao longo dos anos, a comunidade do surf tem uma perspectiva curiosa sobre a película. 

De um ponto de vista mais objetivo e técnico, o filme apresenta algumas imprecisões próprias de uma produção de ação de Hollywood. Numa mesma cena de mar, é possível notar que as ondas mudam de tamanho de forma repentina ou que a direção inverte de uma esquerda para uma direita entre cortes de câmara. 

Além disso, a rápida evolução do agente Johnny Utah (Keanu Reeves), que com poucos dias de prática já consegue remar para o mar escuro da noite numa prancha de performance a gritar "I'm fuckin' surfing!", exige alguma compreensão.

Ainda assim, o carinho pela obra é inegável, pois há várias razões para este continuar a ser um dos grandes filmes com/de/sobre surf que Hollywood produziu.

A premissa de um gangue de surfistas que assalta bancos usando máscaras de ex-presidentes é uma fusão memorável entre a cultura de praia e o cinema de ação. O carisma do elenco é forte e a mística em redor das personagens continua a inspirar quem gosta de ação no grande ecrã.

O que Kathryn Bigelow conseguiu, muito graças ao arquétipo do carismático Bodhi (Swayze), foi capturar a energia do stoke — o companheirismo e o romantismo da busca pela liberdade e pelo risco. 

Como o próprio Bodhi imortalizou (e eu assimilei numa tshirt azul escura que usei até à exaustação): If you want the ultimate, you've got to be willing to pay the ultimate price. It's not tragic to die doing what you love.

O compromisso com esta autenticidade sentiu-se inclusive nos bastidores, com Patrick Swayze a insistir em saltar de paraquedas durante as filmagens, recusando duplos, e o Keannu Reeves a querer aprender a surfar, tal como a sua personagem no filme.

O final, gravado na costa do Oregon mas fazendo-se passar por Bells Beach na Austrália, onde Bodhi entra no mar para surfar a inominável "tempestade dos 50 anos", continua a ser um dos desfechos mais icónicos do cinema de ação.

Ficamos a aguardar que esta reexibição especial salte o Atlântico e chegue às salas europeias. 

Até lá, aos 50 anos, a paixão mantém-se igual, e como diria o Bodhi: Vaya con Dios, brah ! 

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