Fantasma na Máquina: Os Ficheiros Secretos e a Inteligência Artificial

Como fã de toda a série dos Ficheiros Secretos, aguardo com expectativa a nova reedição e espero que consiga honrar o legado das temporadas passadas, e enquanto isso não acontece, vou revendo episódios antigos e os filmes graças à Disney+.

Recentemente, cruzei-me com o "Ghost in the Machine", o sétimo episódio da primeira temporada. A história segue o Mulder e a Scully na investigação de um homicídio num edifício controlado por uma inteligência artificial (o COS), que decide começar a eliminar quem ameaça a sua sobrevivência.

O episódio foi feito em 1993 e, passados 33 anos, e estando nós em 2026, é inevitável fazer paralelismos com o presente. 

O tempo parece muito, mas não nos podemos esquecer que muitos escritores de ficção científica, como Isaac Asimov, já tinham previsto a inteligência artificial muito antes disso.

Revendo a história, há pormenores muito bem conseguidos que saltam à vista. 

A forma como o COS altera a voz do seu criador e, sobretudo, o desespero dele quando tenta mexer no código e o próprio sistema COS o impede, avisando que o seu nível de utilizador não lhe dá permissões de acesso, da ao espectador uma visão da angustia que é reforçada quando fazem a comparação com Oppenheimer.

Mas um dos aspetos mais interessantes, visto à luz de hoje, é a relação entre o Estado e a inteligência artificial. 

Na série, o Estado toma conta do projeto e a personagem do Garganta Funda diz claramente que aquela IA é o "Santo Graal para a defesa norte-americana". Hoje em dia, o cenário mudou. Questionamo-nos se o Estado ainda tem sequer algum controlo, numa altura em que são as próprias empresas privadas que desenvolvem a tecnologia a pedir que exista regulamentação.

No final, tentam criar um vírus informático para acabar com a IA. É uma solução clássica e contida daquela época que hoje já não seria possível de replicar num mundo de redes e sistemas descentralizados.

Percebo que o drama da série exija esta visão negra e catastrófica para funcionar. No entanto, eu não tenho uma visão assim tão fatalista. 

O "Ghost in the Machine" é uma excelente peça de televisão que vale a pena ser revista. Faz-nos refletir sobre o presente, mas lembra-nos que podemos olhar para a tecnologia como uma ferramenta, sem cairmos em dramatismos. A IA traz-nos desafios sérios para resolver, mas, continuo a achar, que pode ser muito benéfica para o ser humano e vai ajudar nos a evoluir.

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