Até há quatro ou cinco dias, o nome de Benjamin Biolay passava-me completamente ao lado. É quase imperdoável, percebo agora.
Ao mergulhar na obra dele, dou por mim a tropeçar em todas as grandes referências musicais que me formaram e ouvi-lo é reencontrar a genialidade de Serge Gainsbourg e a elegância de Étienne Daho — sendo impossível não recordar a sua inesquecível "Saudade" nos anos 90.
Fez-me também lembrar Edwyn Collins, mais concretamente, "A Girl Like You", do álbum editado em 1994 que inundou tudo o que era rádio e anúncios nessa década.
E, se procurarmos uma ligação nacional, encontro aqui o mesmo espírito que o nosso Cavalheiro nos traz de forma exímia em canções como "Dança Macabra".
Mas o grande pretexto para este texto é uma música em concreto: "15 octobre".
É uma faixa assombrosa que funciona como uma autêntica máquina do tempo.
A canção ancora-se num ano preciso: 1993. Biolay canta sobre dias de chuva, umas férias na Calábria e uma camisola esquecida numa cadeira. São as memórias dele, desenhadas com a minúcia de quem sabe valorizar os pequenos detalhes.
Não estava em Itália, nunca tinha fui a Roma e não faço a mínima ideia de onde estava no dia 15 de outubro de 1993. De certeza absoluta que andava pelo meu último ano do Colégio Internato dos Carvalhos. E é essa a magia disto.
Ao ouvir os primeiros compassos, a música lembrou-me de tantas coisas de quando eu era adolescente: de amores perdidos, de viagens inesperadas, de um mundo completamente novo que tínhamos à nossa frente.
Há um músico brasileiro, cujo nome não recordo, que diz algo interessante: deixamos de ser adolescentes quando, em adultos, já não sentimos o prazer e as emoções que uma música nos pode trazer. Quando já não nos arrepiamos, nem nos emocionamos a ouvir uma canção.
"15 octobre" emocionou-me a sério e provou-me que a magia dessa altura continua por cá.
Que grande, grande música.
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